Reflexões

Querido 2016

sábado, dezembro 31, 2016


Comecei o ano tão apática e desavida de esperança que ainda nem acredito que hoje, a escassas horas do ano acabar, esteja tão positiva. A verdade é que nunca me aconteceu isto. Sempre achei a passagem de ano deprimente (inclusive costumo ficar sempre doente nesta altura) e hoje sentir-me assim tão realizada é no mínimo estranho. Comecei 2016 a achar que este ano não tinha nada para me oferecer, mas a verdade é que me enganei redondamente, este ano ofereceu-me mais do que os últimos anos da minha vida. Cá vão as sete coisas mais importantes que aconteceram e que me marcaram:

1. Viajei tanto, mais do que o contava e a verdade é que andei sempre com a "mala às costas". Cá dentro: Sintra, Lamego, Régua, Ericeira, Figueira da Foz, S. Pedro do Sul, Castelo de Paiva, Cascais, Chaves. Lá fora: Corunha, Bolonha, Roma, Florença, Nápoles, Pompeei (Ai Itália...). E mais uma vez, confirmo: viajar é a minha melhor forma de cultura.

2. Senti tantas saudades. O Cohen morreu e só por isso 2016 ficou marcado de forma tão saudosista e triste. O P. partiu também sem anunciar, numa madrugada fria de Abril e o meu coração ainda não recuperou de saudades. Mais duas estrelas no meu céu, que brilha tanto.

3. 16 livros em 2016! Done. Ainda a ler o último, mas não conta pois não? O livro do ano foi: "O Bandolim do Capitão Corelli" que adorei até ao final. Destaco também a minha adoração pelo Hemingway (descoberta também este ano) e por livros sobre organização - Marie Kondo!

4. "Gosto muito de ti". A frase que disse mais vezes este ano. O ano que me permitiu estar ainda mais próxima das minhas pessoas, de reavivar amizades e seleccionar quem deveria permanecer (e de fazer centenas de quilómetros só para ver quem ilumina os meus dias). O ano que me fez chorar de rir e abraçar com muita força. (E descobrir o gosto por cake design!) O ano em que o meu amor por ele já tem idade para entrar na escola.

5. Mantive-me próxima do que me faz feliz. Cozinhar vegetariano e com ingredientes da nossa horta. Manter-me fiel à Natureza, ouvir os pássaros de manhã, colher as alfaces e os dióspiros. Colocar as mãos na terra e saber que vai ficar tudo bem. Conexão com o que é essencial. Inscrevi-me como voluntária na Loja de Comércio Justo do Porto, na associação Escutar e ainda participei no EcoPorto e na Cidade+. Voltei ao yoga e doei sangue uma vez (as minhas tensões não me permitiram repetir, infelizmente).

6. Cartas Cruzadas. O projecto dos meus olhos e o meu orgulho este ano. O ano em que mais de 200 pessoas receberam uma carta cruzada. Nasceu o pcartacruzadas.blogspot.pt. Fui entrevistada para a revista Amanhecer. A Imporcha-Oriental Sensations aliou-se como parceira do Projecto. Conheci pessoalmente uma dezena de "carteiras". Enviei a minha primeira carta para a Alemanha, para a Bélgica e para Luxemburgo. Ofereceram-me uns selos feitos de propósito com o logótipo do Projecto. Recebi envelopes, postais e selos oferecidos por pessoas que querem ver o projecto crescer. & enviei muita felicidade em forma de carta!

7. Vocês. Obrigada por me lerem por mais um ano. E por terem sempre palavras tão calorosas. Obrigada do fundo do coração. Não sabem o quanto as vossas palavras me mantêm com esperança!

E a ti, querido 2017, ainda nem começaste e eu só te peço uma coisa: por favor, sê maravilhoso.

Das coisas boas que têm acontecido - Parte 2.

sexta-feira, dezembro 16, 2016

"De repente comecei a subornar revistas para me quererem entrevistar." Este podia ser o título para este post, mas não é, muito pelo contrário. Falo-vos de mais uma surpresa que veio animar o meu último mês. A Revista "Portugal de Sabores e Tradições" já me tinha contactado há uns meses atrás e aqui está o resultado: a receita do meu arroz doce vegan publicada numa revista! 


Quando me contactaram não pude acreditar. Toda a gente sabe que apesar de publicar de vez em quando receitas, o meu blog não é um blog tradicional de receitas. Aliás, sobre que é que é o meu blogue? Tanta coisa! Cosmética Natural, Cartas, Chás, Reflexões, Leituras... Mas mesmo assim propuseram-me este desafio: elaborar uma receita onde o arroz fosse o ingrediente principal. Não hesitei: tinha que partilhar a receita do meu arroz doce vegan (com especiarias).

Achei engraçado ter oportunidade de publicar a minha receita (sem qualquer crueldade animal) numa revista sobre tradições portuguesas. É bom mostrar às pessoas que existem escolhas conscientes e deliciosas (acreditem que este arroz doce é maravilhoso! Ainda publico aqui a receita antes do Natal!).


Resta-me a agradecer à revista a oportunidade. Não podia estar mais satisfeita e orgulhosa: estar na mesma revista que o blogue Ponto de Rebuçado e Flor de Sal é mais do que maravilhoso. Grata!

Chá

Chá e beijinhos de boa noite na véspera de Natal.

quinta-feira, dezembro 15, 2016

Hoje assinala-se o dia Internacional do Chá e apercebi-me que nunca tinha falado aqui da minha paixão por chá. Quem me conhece reconhece-me logo como "a rapariga dos chás, das cartas e dos girassóis". O chá é tão parte de mim, como eu sou dele mesmo. Não me lembro quando comecei a gostar. Sei que quando era pequenina inventava estar com dores de barriga para beber chá com bolachas. E daí até não passar um dia sem beber chá foi um instantinho. Fiquei fascinada quando comecei a descobrir os chás mais diferentes: aqueles que, por exemplo, levam chocolate ou pimenta. Como era possível uma xícara de chá carregar em si tanto sentimento, tanta história? Fascinei-me completamente. E daí até ler tudo o que podia sobre chá, adivinhem: também foi um instantinho.


Perco-me na minha gaveta dos chás e em todas as lojas com chás. Consigo cheirá-los à distância e tento sempre identificar-lhes os aromas (e as sensações). A Camellia Sinensis faz parte do meu dia-a-dia e os tempos de infusão estão bem decorados na minha memória: e são extremamente respeitados. O bule de ferro não pode faltar assim como um silêncio profundo a cada gole. Se me perguntarem quantos chás já experimentei, não sei responder. Mas sei que este amor não pára aqui. E se existem "para sempre", este é um romance desses.

Por isso, quando a ImporChá me contactou para patrocinar o Projecto Cartas Cruzadas (obrigada do fundo do meu coração) eu pulei de contente. A ImporChá é a responsável pela marca English Tea Shop em Portugal. Mas a verdade é que a minha relação com eles não ficou por aí. Assumo-me como uma completa fã da marca. Até o "chá" de frutos vermelhos deles é maravilhoso (e eu não sou a maior fã de chá de frutos vermelhos). Esta semana, alegria a minha, mandaram-me este chá (que é um dos imensos fantásticos que eles têm - acreditem!) e eu achei que esta altura perfeita para vos falar deste chá, que sabe a beijinhos de boa Noite na véspera de Natal.


Sabem aquelas despedidas antes de ir para a cama? Com beijinhos carregados de doces e com o cheiro da lareira no pijama? Este chá sabe-me a isso. Aliás, esta infusão porque estamos a falar do Rooibos. É perfeito para as crianças e para as avós. É leve e quente ao mesmo tempo. "Como é que isso pode ser?" Confiem em mim, este chá consegue-o. Dia 24 à noite não vai faltar por aqui e algo me diz que se criou uma nova tradição! [Mais uma tradição a envolver chá na minha vida...]

Um xi- bem quentinho, 
Mariana

Maria: mais bonita do que a vida.

quinta-feira, dezembro 08, 2016


Não sei como conheci a Maria, quem é que "encontrou" quem. Sei que um dia conheci o blogue dela, depois recebi um pedido para o Projecto Cartas Cruzadas e quando dei por mim a Maria fazia parte do meu dia-a-dia. Vejo borboletas e lembro-me dela, vejo coisas cor-de-rosa e lá está a Maria outra vez no pensamento. Quando a Maria entrou na minha vida eu não fazia a mínima do impacto que ela ia ter. A verdade é esta: tenho sempre pessoas novas a entrar na minha vida. Mas a Maria foi diferente. Ela não só entrou: como se sentou no lugar mais perto do meu coração.

Não soube logo que a Maria tinha uma doença. Soube-o por ela e isso não mudou minimamente a minha vontade de a ter na minha vida. Ela tem uma doença rara: neurofibromatose. Vive com dores todos os dias, assim como as idas ao hospital constantes. Mas nada disso a fez deixar de estar presente na minha vida. Manda-me cartas maravilhosas, mensagens de apoio e um carinho incondicional, que se eu não soubesse diria que não havia dores na sua vida.

A semana passada fui a Lisboa e avisei-a logo. Queria abraçá-la do papel para a vida real. Apertá-la bem nos meus braços e fazê-la entender que eu não vou a lado nenhum, estarei ao lado dela para o que der e vier - como ela também está para mim. 

Encontra-mo-nos perto do Hospital Dona Estefânia. E vou assumir: eu estava nervosa. A Maria perdeu a audição há uns anos atrás, bem como a expressão facial. Tinha medo de não conseguir comunicar com ela (desculpa Maria, fui uma tolinha!). Mas assim que ela chegou os medos foram todos para longe. Abracei-a - e controlei-me para não chorar. Ela estava ali. A Maria. Nos meus braços. Foi um abraço longo e eu devo ter parecido uma tolinha que não parava de sorrir.

Estivemos juntas uma manhã inteira e quando olhei para o relógio já estava atrasada para o encontro que tinha a seguir. Fui a correr, mas não me importei. Cada segundo com a Maria foi demasiado importante para o desperdiçar. Ela que não parava de me tirar fotografias, e eu a morrer de vergonha. Que me fez rir com a sua maneira tão única de ser. Sai de lá mais feliz do que poderia pensado.

Quando cheguei ao Porto, resolvi ler o livro "O Voo da Borboleta" que ela escreveu há uns anos. Já o tinha cá em casa desde Maio. Agora percebo que lê-lo depois de conhecer a Maria foi o melhor que podia ter acontecido. Devorei o livro em dois dias. E contive-me várias vezes para não chorar. O sofrimento presente no seu dia-a-dia é assustador e enorme. Acredito mesmo que não haja escalas, nem descrições para o descrever. Arrepiei-me sempre que ela descreveu alguma operação, algum exame ou alguma perda. No final do livro, decidi que a Maria era a minha heroína favorita. E caramba, sou uma sortuda por te ter na minha vida

Maria, obrigada do fundo do coração por teres baixado a guarda comigo e me permitires entrar nesse teu coração tão bonito. 

Cartas Cruzadas

Das coisas boas que têm acontecido - parte 1.

segunda-feira, dezembro 05, 2016


Sendo completamente sincera: estava em pulgas para contar ao mundo todo a surpresa que andava a guardas nas mangas. Por isso vou ser rápida: tudo aconteceu num dia normal. Como é habitual vou à caixa de e-mail do Projecto Cartas Cruzadas e não é o meu espanto quando vejo que tenho um e-mail da Revista Amanhecer a dizer que queriam entrevistar-me. Assim, pumbas, do nada, sem aviso prévio. Num dia como todos os outros o meu Projecto foi entrevistado para uma revista nacional. E eu mentiria se dissesse que não me sentia a fundadora mais orgulhosa do mundo. 

Demasiado perto de ter chegado à caixa de correio de 300 pessoas, chegar a casa dos leitores da Amanhecer foi uma coisa que nunca pensei ser possível. Admito: nunca pensei que a ideia do meu Projecto saísse do twitter quanto mais! 



Obrigada. Obrigada. Obrigada! Às pessoas que me fazem companhia quando escrevo cartas e têm paciência para a minha paixão por selos, postais e canetas. Às pessoas que tiram um bocadinho do seu tempo para me apoiarem e falarem do meu projecto. Às pessoas que me pedem cartas e que continuam a escrever-me. Quatro anos de Projecto e de repente parece que nasci para escrever cartas. 

Se quiserem ler a entrevista, vão ao site da Amanhecer que está online, ou a uma das lojas físicas.

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