Leituras

"A Euforia Perpétua - Ensaio Sobre o Dever da Felicidade" ~ Pascal Bruckner.

quinta-feira, abril 28, 2016


Antes de começar a ler um livro tenho sempre um ritual: o ritual da escolha. Qual vou ler a seguir? Desta vez foi um ritual demorado e a culpa foi do N. Desta vez escolhi por puro acaso. Numerei todos os livros que tinha cá em casa por ler e disse ao N. para escolher um número. Sete. O livro número sete era o "A Euforia Perpétua - Ensaio Sobre o Dever da Felicidade" do Pascal Bruckner. Não sei como o livro chegou às minhas mãos, mas passou rapidamente da minha estante para a minha mesinha de cabeceira. E demorou-se.  

Tenho que admitir: as primeiras páginas do livro foram tenebrosas. Só não desisti da leitura porque me tinha comprometido a ler. Mas apeteceu-me e não foi pouco. Este livro lembra-me aqueles artigos científicos da faculdade e lê-lo antes de ir para a cama não era uma solução. Tem uma linguagem pesada, complexa e aborrecida na maior parte das vezes. "Mas Mariana, porque é que continuaste a ler?" Porque quando já estava quase a desistir... o autor falava de um tema interessante e de uma forma completamente daquilo a que eu estava habituada.

Depois deste livro adicionei um novo lema às minhas leituras: "Nunca subestimes um livro pela capa nem pelas primeiras cinquenta páginas." A verdade é que depois das cinquenta páginas criei uma relação amor-ódio com o livro. Sempre que lia aquelas partes mais aborrecidas dizia para mim mesma "vá, mostra-me o que vales" e de repente lia um tesourinho.  O livro é sobre a felicidade e de que forma o seu conceito mudou ao longo dos anos e como o alteramos. Para quem gosta de história e filosofia, creio que este livro seja um "must-read" (ainda que se tenha que ter paciência para o ler). Para já deixo-vos aqui algumas das minhas citações favoritas. 

“Talvez seja este o paradoxo: a busca da vida deve obedecer a duas injunções contraditórias. Aproveitar plenamente aquilo que recebemos, mas permanecer à escuta do que se passa algures. (...) De um lado, a filosofia do carpe diem que nos convida a considerar cada dia como se fosse o último, do outro, da esperança do melhor, recusa da felicidade imposta (pelo família, pela ordem social) em nome de uma felicidade desejada.” 

 “Em definitivo, nós somos tão donos do clima como de nós mesmos e deciframos o céu com a mesma perplexidade que os movimentos do nosso coração. Quanto à analogia feita entre a atmosfera e o humor, ela não é segura: um sol esplendoroso pode-nos ferir com a sua exuberância, a neve e o nevoeiro podem-nos mergulhar num júbilo perene.”

 “O tempo, esse grande ladrão, rouba continuamente; mas uma coisa é ser despojado com magnificência e envelhecer com a consciência de uma existência plena e rica, outra é ser roído miseravelmente hora após hora por coisas que de todo não conhecemos. O inferno dos contemporâneos chama-se monotonia. O paraíso que procuram a plenitude. Existem aqueles que viveram e aqueles que duraram.”

Se quiserem acompanhar as minhas leituras, deixo-vos o perfil do goodreads.

Boas leituras! 

Yoga

Quando adias uma coisa...

quinta-feira, abril 21, 2016

Ou existe alguma coisa em ti que te faz adiar e sabes que o que estás a fazer é o mais correcto.

Ou, quando adias aquela coisa que devias fazer e não fazes, é porque precisas dessa coisa. Desse momento, dessa tarefa. Há algo nela que estás a evitar. E algo me diz que é ela também que tem a resposta para o adiamento

Eu andei a adiar o yoga durante três dias. Ontem voltei a fazer. Quarenta minutos. E as respostas apareceram todas, uma por uma, como se as tivesse convidado para o meu tapete. Há coisas que adiamos porque sabemos que as respostas que nos vai trazer nem sempre são aquelas que queremos ouvir. Mas adiá-las é também adiar ouvir uma parte de nós.

Receitas

Bolo de aniversário vegan "para a minha mana".

quarta-feira, abril 13, 2016

"Vou caçar mais de um milhão de vagalumes por aí 
Pra te ver sorrir, eu posso colorir o céu de outra cor"


Conheci a M. na faculdade, mais concretamente na paragem de autocarro. Mal a vi comecei a falar com ela e desde esse momento o meu coração não a largou. Moramos juntas durante dois anos e ela passou a ser a minha casa favorita para sempre. Estar com ela é estar em família, é estar com alguém que conhece os meus sonhos e pesadelos, que sabe as minhas expressões de cor. Ter a M. na minha vida é saber de cor como é que ela toma o pequeno-almoço, saber interpretar os silêncios mais curtos e sentir-me feliz por a vida ter trazido para a minha vida a irmã que os meus pais não deram. Dizer que ela é especial é pouco. A M. é um grande pedaço de mim e merece tudo o que lhe possa dar. Sei que a nossa amizade é infinita como todo os sentimentos que tenho por ela. Por isso, quando ela fez anos presenteei-a com um bolo vegan de duas camadas e com uma decoração cheia de carinho para ela: a minha mana, a minha parceira de uma vida, a minha Flaviense favorita. 


Bolo de Alfarroba com Creme de Natas e Chocolate
(do livro "Cozinha Vegetariana para Quem Quer ser Saudável" da Gabriela Oliveira)

Ingredientes:
Massa por bolo:

~ 1 chav. de farinha de trigo
~ 1 chav. de farinha de trigo integral
~ 1 1/4 de cháv. de açúcar amarelo
~ 3 c. sopa de farinha de alfarroba
~ 1 c. sopa de cacau em pó
~ 1 c. café de gengibre em pó
~ 1 c. sopa de linhaça moida
~ 1 c. sopa de fermento em pó
~ 1 c. café de bicarbonato de sódio
~ 1 chav, de leite vegetal
~1/2 chav. de óleo + um pouco para untar
~ 1 c. sopa de sumo de limão
~ 1 c. café de extracto de baunilha

Procedimento:
~ Numa taça misturar os ingredientes secos, passando-os por uma peneira. À parte, misturar o leite, o óleo, o sumo de limão e o extracto de baunilha. Verter a mistura liquida sobre os ingredientes secos e mexer com uma vara de arames por cerca de um minuto até obter uma massa homogénea. (Para fazer um bolo de duas camadas esta receita tem que ser feita outra vez de forma a ficarem dois bolos).
~ Untar a forma com óleo e farinha. Deitar a massa e levar ao forno pré-aquecido a 180ºC durante 25 a 30 minutos (verificar com um palito). Retire do forno e desenforme depois de arrefecer.



Recheio de creme de Natas

Ingredientes:
~ 1/2 pacote de natas de soja para sobremesas
~ 1/2 limão (raspa e sumo)
~ 1 c. sopa de açúcar amarelo
~ 2 c. sopa de doce de frutos vermelhos (eu usei geleia de marmelo)

Procedimento:
~ Bater as natas com o sumo e raspa de limão até ficarem firmes. Adicionar o doce e envolver levemente. Guardar no frigorífico. 

Cobertura

Ingredientes:
~ 4 c. sopa de natas ou de leite de soja
~ 1 a 2 c. sopa de açúcar amarelo
~ 100g de chocolate meio amargo
~ frutos vermelos e hortelã para decorar

Procedimento:
~ Levar ao lume as natas e o açúcar até este se dissolver. Retirar do lume e juntar o chocolate aos pedaços, mexer até derreter. Cobrir o bolo com a cobertura ainda morna. 


***

Por aqui a receita foi mais do que aprovada e o bolo acabou num instante. A M. adorou a surpresa! (Afinal o tempo que investi a fazer as bandeirinhas valeu a pena). Se experimentarem esta receita digam-me, escusa de ser num aniversário!

 Beijinhos e bons cozinhados, 
Mariana . 

Leituras

A Euforia Perpétua ~ pág. 102.

segunda-feira, abril 11, 2016

"As ocasiões falhadas: uma palavra que não foi pronunciada, uma mão que não se estendeu, um gesto esboçado mas depois evitado, tantos momentos que por medo, timidez, a nossa sorte não balança. Demasiado cedo, demasiado tarde: existem vidas que permanecem completamente votadas ao insatisfeito, ao inacabado. O que poderia ser, é o que não foi: alguns contentam-se com este condicional e cada um de nós poderia escrever a história dos seus destinos evitados e que o acompanham enquanto possíveis fantasmagorias. (...) 

«Look at my face; my name is Might Have Been, I am also called No More, Too Late, Farewell.» Cada vida sendo única rejeita e exclui outras. Ou antes, eleva-se sobre um ciume: o das virtualidades que executou e que não se puderam desabrochar. E é escudado saber que em cada instante existem novas partidas potenciais, que jogadas só estão concluídas no ultimo descarte, o acontecimento é fatal: o que ocorre noutras eventualidades. E para aqueles que não são tocados pela graça de uma segunda vez, para aqueles a quem a historia não oferece de novo uma oportunidade, começa então o tempo da miséria dos possíveis. As mãos deixam de se estender, a estrada de bifurcar fica desesperadamente estreita e lisa."

in A Euforia Perpétua por Pascal Bruckner (2000)

Cosmética Natural

Transformar barras de sabonete em gel de banho {diy}

sábado, abril 09, 2016

Se forem como eu têm a vossa casa cheia de sabonetes em todas as gavetas possíveis e imagináveis, e mais uns quantos guardados na gaveta da casa de banho. Se forem como eu coleccionam todos os sabonetes dos hotéis, viagens e feiras artesanais. Mas se forem como eu, adoram também usar sabonetes na higiene. Porém nem toda a gente é como eu e às vezes os sabonetes das gavetas perdem o cheiro e há que saber o que fazer com eles. Hoje trago-vos uma coisa que queria experimentar há alguns tempos: transformar sabonete em barra em sabonete líquido. 


Esta experiência revelou-se não só muito fácil mas também muito prática e económica. Acabou o gel de banho de compra cá em casa e sabonetes sem cheirinho perdidos. Não podia estar mais feliz. 


Ingredientes:

~ 100g de sabonete 
~ 2l de àgua
~ 2 colheres de sopa de azeite
~ uma panela
~  um ralador
~  frasco grande para o gel de banho



1º) Ralar os sabonetes em barra para um recipiente até ficarem pedaços mesmo pequeninos.

2º) Colocar uma panela ao lume com 2 litros de água. Não pode ferver.

3º) Quando a àgua começar a borbulhar ligeiramente adicionar o sabonete ralado e baixar o lume. Não pode ferver.

4º) Adicionar logo depois as 2 colheres de sopa de azeite (ou glicerina) e mexer bem, até o sabonete ficar dissolvido.

 5º) Desligar o lume e deixar estar a mistura na panela até ao dia seguinte (mais ou menos 12horas).


6º) No dia seguinte, já fria, a mistura terá um aspecto gelatinoso quase como pudim, como se ve na fotografia. Significa que está bem.


7º) Por último, para obterem a consistência desejada só têm que bater com uma batedora eléctrica até ficar com a textura que acharem melhor. O meu ficou como está na fotografia.


8º) Encher os recipientes com o novo gel de banho. A mim deu-me 2 litros de gel de banho sensivelmente. Tão cedo não preciso fazer!! :) Todo este processo demorou mais ou menos 20 minutos a ser feito, mais o tempo de espera. 

Nota: aconselho a agitarem os recipientes onde puseram o sabonete de vez em quando.

***

Se experimentares ou já tiveres feito a experiência conta-me: como correu? Eu para já estou muito satisfeita e orgulhosa, é sempre bom descobrir mais uma forma ecológica de viver e de reutilizar! Para que usar gel de banho cheio de químicos quando posso fazer o meu próprio gel de banho a partir de sabonetes naturais? Acabaram-se as desculpas para os amantes de gel de banho... :) 

[até já, raio-de-sol]

quinta-feira, abril 07, 2016


As saudades bateram à porta e eu não soube como lhes responder. Deixo-as entrar ou deixo-as morrer de frio? O dia é inundado de sol mas as noites são tão frias desde que partiste. Não há calor para aquecer o meu coração nem para tudo o que está longe desta cabana de saudades desastrosas. E se eu as deixar entrar? Será que juntas poderemos aquecer um bocadinho de nós as duas? Será que com as saudades poderei falar das dores que atropelaram o meu coração? Poderei falar das nossas memórias sem ser invadida de lágrimas? Ou as lágrimas ainda vêm mais depressa? Com quem falo agora que partiste? É com as saudades ou com a dor? Ou nunca vai existir alguém com quem queira partilhar as nossas conversas? 
As saudades bateram à porta e eu só queria que viesses em vez dela. "É mentira" - dirias. E trazias-me o girassol, que te levei a última vez que te vi, num vaso como disseste que me ias dar. "Está tudo bem". Mas não. Foram as saudades que bateram à porta e eu vou deixá-las entrar, porque a dor de teres partido é muito forte para aguentar sozinha. Entrem saudades mas tragam com vocês as memórias, as conversas, as brincadeiras e todos os planos que não realizamos esta vida. Entrem sem fazer barulho porque eu ainda tenho esperança que esta vida o devolva e tudo isto seja um pesadelo. Entrem... 

Sejam bem-vindas até o resto da minha vida.

Estilo de vida

Yoga with Adriene: 30 dias! :)

quinta-feira, abril 07, 2016

Em Março lancei-me num desafio que já devia ter abraçado há uns tempos: fazer yoga todos os dias. Fi-lo porque se há coisa que me acalma e me ajuda a ver o lado positivo são os minutos que vivo no meu tapete azul. Fi-lo porque há respostas que não consigo encontrar sem ser naqueles segundos em que me estabeleço na posição (asana). E fi-lo porque eu mereço (e tenho a melhor coach do mundo a apoiar-me).


Comecei o desafio dia 24 de Fevereiro para ser honesta. Mas no entretanto houve uma aula de ginástica localizada que me deixou totalmente paralisada no dia seguinte e não havia forma de eu me sentar no tapete quanto mais fazer a prática. Por isso só agora, um mês e duas semanas depois do ínicio é que me sinto preparada para vos contar como foi começar a andar com o tapete de yoga na mala, e fazer a prática todos os dias. 

O facto de ao longo da minha vida ter tido excelentes professores de yoga tornou-me exigente na escolha de um próximo. Por isso desde que voltei de Mafra decidi que não ia ter nenhum para já. Mas o tempo foi passando e eu senti desesperadamente saudades da minha prática. Até que a Adriene Mishler apareceu nas minhas sugestões do youtube e foi paixão à primeira vista. Adorei-a desde o primeiro video que a vi. O sentido de humor, a tranquilidade, o à vontade com que nos deixa nos vídeos (como se estivesse mesmo ao nosso lado) e o facto de encarar o yoga exactamente da mesma forma que eu: find what feels good. Este é o lema da prática dela e eu apoderei-me dele como um novo mantra.

Realizei este desafio dos trinta dias de yoga e desde aí não parei. Vou passar o fim de semana fora e o meu tapete vem comigo, tenho amigas cá em casa a dormir e elas fazem comigo. A verdade é: um dia sem a prática e é como o céu ficasse mais escuro. 

Praticar yoga é para mim mais do que um momento de exercício físico ou introspecção: é aquele momento em que vou até a minha sala de paredes de vidro no meio do jardim com o lago de tartarugas ao fundo e sou... simplesmente sou, sinto e vivo. E estar num momento assim tão simples é maravilhoso. Para quem sabe do que falo e gostava de ter uma prática de yoga regular em casa e não sabe por onde começar aconselho muito estes videos (ela tem imensos videos!). Depois digam-me o que acharem... E já sabem: find what feels good. 

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