Reflexões

Vamos falar sobre a Paz Mundial.

segunda-feira, novembro 23, 2015

Perguntaram: Queres falar sobre a Paz Mundial?

Não. Apeteceu-me responder. Não quero falar sobre a Paz Mundial porque não é algo que se fale levianamente como quem fala da lista de compras que guarda na manga do casaco. Não quero falar da Paz Mundial nem tão pouco da falta dela. Não quero falar porque nem sei por onde começar. Até porque acho que sim, devemos falar, discutir, argumentar, até conseguirmos dar mais um passinho de bebé até à solução do problema. Ou o que achamos ser a solução do problema.
A pergunta, em questão, foi-me feita assim, do nada, como quem pede um café, numa mesa informal enquanto a minha cabeça divagava sobre entrevistas de emprego e datas importantes. Ouvi falarem sobre a crise da Paz Mundial. “A culpa é dos políticos”. Tudo bem, a culpa é dos políticos e mais…? “Eu não posso fazer nada, sou só uma pessoa.” Completamente errado. Não falo de Paz Mundial muitas das vezes porque o meu coração torce-se todo ao ouvir pessoas da minha idade dizer tamanhas frases ignorantes.

Não me vou prolongar muito. No que diz respeito à culpabilização desta situação claro que o governo tem culpa, mas não são os únicos. E em relação ao que podemos fazer… Vou seguir a vulgar frase “O que eu faço, é uma gota no meio de um oceano. Mas sem ela, o oceano será menor.” Cabe-nos a nós, seres humanos, um dever importante. O de educar os valores que faltam. A sinceridade, cooperação, humildade, sensibilidade, solidariedade, proatividade… Cabe-me a mim enquanto terapeuta, amiga, conhecida, blogger, evocar para uma vida mais humana e menos material. E eu posso fazê-lo. Porque temos que começar por algum lado, porque atitudes positivas influenciarão atitudes positivas. Porque não estamos sozinhos. E o que é que isto tem haver com a Paz Mundial? Porque para além da crise de paz, temos também intrinsecamente uma crise de valores. E posto isto, ainda que haja muito mais a dizer sobre este tópico, hoje fico-me por aqui: pela urgência de educar valores de paz. Pessoas pacificas formaram uma sociedade pacifica e onde há paz, haverá certamente menos guerra.
Por isso, antes de dizerem "não posso fazer nada", pensem nisto. Porque esta é apenas uma coisa, das tantas que pudemos fazer. Como eu costumo dizer: Quem quer faz, quem não quer arranja desculpas.

Reflexões

Quando as palavras que (vos) escrevo, são segredos.

domingo, novembro 22, 2015

As palavras são mágicas por vários coisas. Porque nos transcedem, explicam e sentem. Porque nos ouvem e falam, porque nos segredam e revelam. Porque nos aconchegam e nos magoam. Contudo, entre todos os significados, o melhor, é o poder de dar às palavras o sentido que queremos. Esse sentido, é não haver sentido nenhum. (É só porque sim: porque apeteceu, porque soube bem, porque nos lembramos e não há forma de travar as palavras que nos chegam aos ouvidos do coração.) A escrita é incompreensível. Por vezes nem quem escreve sabe porque o faz, as palavras podem encher-nos e ao mesmo tempo esvaziar-nos. E é exactamente por isso que continuamos a escrever: é o nosso diálogo secreto que não tem segredo nenhum. 
Escrever, é também fazer magia. Ser mágico na nossa arte de conjugar silabas e transformar pontos finais em vírgulas. Fazer das coisas obvias o abstracto e do abstracto a respiração. Respirar palavras é respirar desabafos, histórias e pessoas. 
Há quem compreenda. Há quem compreenda só ás vezes e há quem nunca chegue a compreender. E é essa a magia. Ser incompreendido na nossa própria compreensão. É com as palavras que me entendo e nisso deposito toda a minha razão. As palavras têm duas faces e às vezes até mais. Nós apenas fazemos com elas o que queremos. Somos mágicos no nosso próprio vicio. E quanto for menor o número de pessoas que as entenda, melhor, porque às vezes (só às vezes) as palavras têm significados secretos que queremos guardar só para nós.

Desgostos de amor.

terça-feira, novembro 17, 2015


Não me lembrava da última vez que o amor me tinha deixado desgostosa, até hoje. Não me recordava que o amor é o melhor do mundo, mas também nos consegue trazer o pior que conhecemos. Nestes últimos dias relembro tão fortemente, como uma trovoada que ilumina o céu escuro, as dores que o amor pode trazer. A solidão, o vazio, a tristeza e a maldita saudade. 
Não se pode dizer que já tenha tido muitos desgostos de amor, mas este, simplesmente arrasou-me e desconfio que vale por todos aqueles desgostos que consegui passar ilesa no tempo. É assustador este sentimento que me invade e persegue até nas noites, invadindo-me com os piores pesadelos. As memórias, as expectativas de tudo o que não foi e a dor de já não ter. Não imaginei que esta despedida me tocasse assim. Não foi só o momento do adeus e das lágrimas que me tocou, são todos estes segundos, minutos, horas, que passaram e me dizem: “afinal o adeus existe”. Nunca quis acreditar no adeus, sempre assinei como “até já”, acredito que tudo o que é nosso será nosso para sempre. Mas este amor deixou de ser meu, alguém se encarregou de o terminar enquanto ainda bradava aos céus por ter conhecido amor tão grande. Lamento que a vida nos tenha trancado na memória e ao mesmo tempo selado todos os elos que tínhamos.
Oh, minha vida… como tenho saudades desse amor. Um amor tão grande, altruísta e sincero como jamais pensei conhecer. Existem vários tipos de amor, eu sei, mas este nunca pensei encontrar tão cedo. Penso nele desde o momento que acordo até que adormeço. E eu tento, juro que tento, não pensar. Mal as memórias vêm à cabeça eu tento desviar a atenção: “Vá Mariana, já passou, não penses nisso.” Mas não passa, pois não? Algum dia irá passar? Se as tatuagens são permanentes, acredito que o amor sobreviva a todas as vidas que eu poderei passar. As memórias deste amor, hão-de sempre sobreviver, hão-de sempre de me atormentar. Os sorrisos que desterramos num cemitério de lamúrias e dores, os silêncios que disseram mais do que mil sermões, os olhares cúmplices junto à almofada que segredava as palavras que não me conseguias dizer, os abraços em que me apertavas junto ao teu coração e gritavas os mil nomes que ma davas. Tenho saudades, caramba, já tenho tantas saudades e isto não passa! 
É este o mal de nos entregarmos a alguém, seja como for, porque quando acaba (ou nos forçam a acabar) tudo de bom que se viveu é transformado em facas que nos assolam o coração como se nos tirassem algo que jamais poderá sair. Esse amor, O amor, que não sai, não esquece, não muda, mas também não perdura. Aclamei ao mundo a felicidade de o ter e agora nem sei como confrontar a triste realidade de algo tão bom ter acabado. São estes desgostos de amor que nos fazem crescer, mas também que seja mais difícil de nos voltarmos a entregar. Mas hei-de sobreviver, hei-de conseguir voltar a ser a “menina” de alguém, a luz na escuridão, a ilha no meio do mar. Um dia hei-de conseguir. Hoje não. Hoje ainda tenho o coração amargurado, apático, sem saber como ripostar a este desgosto que me assolou a alma há uma semana atrás.

Reflexões

De volta a casa e ao desemprego.

quinta-feira, novembro 12, 2015

Acabei hoje de arrumar, pelo menos a olhos vistos, aquilo que na terça-feira passada depositei aqui. Trouxe num carro, que percorreu 300km, a vida que me preencheu, aterrorizou e surpreendeu durante nove meses. Pois é, hoje volto-vos a escrever da mesa com vista para a montanha ao som dos chilrear dos pássaros. Volto-vos a escrever da minha casa (que é como quem diz a casa dos pais). 
 Tudo isto quer dizer, infelizmente, que sou outra vez uma psicomotricista desempregada. É uma triste realidade esta em que me encontro mas estou a tentar ver o lado positivo de tudo isto. Se há lição no meio disto tudo é que o que quer que se faz vale sempre a pena. Mesmo as mais duras despedidas têm o seu lado positivo, mesmo as lágrimas têm a sua alegria. Como haverei de me esquecer dos sorrisos, dos abraços, dos poemas, das gargalhadas, das cumplicidades e de uma despedida tão grande perdida por entre abraços cheios de saudades? 
 Não me arrependo da decisão de desafiar a minha zona de conforto. Adorei Mafra. Foram os nove meses onde cresci mais pessoal e profissionalmente. Quem diria que eu realmente ia conseguir dar uma sessão a 37 pessoas?! Ou que aos 21 já estar num sítio por minha conta e risco sem praxes para me salvar?! Agora, que voltei, sei que tenho muitos mais desafios à minha frente. E a superação da zona de conforto ainda terá que ser maior, afinal, casa dos pais sempre foi sinónimo de miminho e descanso e não de “vamos enviar cv’s e tentar arranjar trabalho”. Hoje começou uma nova etapa. Que venha ela!

Estilo de vida

Celebração dos 22 anos: Vegan e com cartas!

quarta-feira, novembro 04, 2015

Nas últimas semanas ansiei o dia em que fazia anos. Não por achar que fazer vinte e dois anos de idade fosse especial (tal como não acho os dezasseis, os dezoito ou os quarenta), mas por querer que fosse. Neste último ano sinto que cresci mais do que estava à espera e que superei todas as minhas secretas expectativas. Nunca pensei que aos 22 anos estivesse numa cidade a três horas de distância dos meus pais e de tudo o que me era conhecido, nunca pensei ter um projecto e um blog só meu, nunca pensei continuar vegetariana... e mais uma série de coisas que se continuasse a descrever ninguém leria isto. Por isso, e por tantas outras coisas, senti que estava na altura de celebrar à minha maneira: à grande e à vegetariana!

Apesar de ter criado muita ansia à volta do meu dia de anos (31 de Outubro) creio que secretamente o fiz porque sabia que ia ser um dos melhores dias do último ano. A verdade, é que este dia superou a minha ideologia de "dia de anos perfeito". Porquê? Porque consegui estar com a maior parte das pessoas que queria e fazer este dia, realmente o "meu dia". Houve torradas para pequeno-almoço e beijinhos de bom dia. Houve almoço vegetariano (no Pé d'Arroz que recomendo vivamente) e cafézinho na Foz. Houve panquecas de banana para o lanche, muitos abraços e confidências e chá. Houve jantar vegetariano e festa até às 5h da manhã rodeada dos melhores amigos e das melhores conversas. Na suma, foi um óptimo dia. Mas, bem, o que eu realmente queria partilhar com vocês é a festa e os preparativos para a mesma.


Vamos começar pela comida. Há cerca de um mês fui "diagnosticada" com colesterol hereditário então para além de, como já fazia, banir peixe e carne da minha alimentação também comecei a banir tudo o que era produto animal. Por isso mesmo, resolvi fazer uma festa com coisas saudáveis. O bolo de aniversário foi a coisa mais pecaminosa mas vegan: Bolo de Cacau com recheio de chocolate e cobertura de chocolate do livro "Cozinha Vegetariana para Quem Quer Poupar" da Gabriela Oliveira. Fiz questão de soprar vinte e duas velas e de explicar que aquele bolo delicioso que estavam a comer não tinha ovos, nem nada animal! Não me importava que este fosse o bolo de todos os meus aniversários até aos fins dos meus dias. (Ah, já agora, super fácil de fazer e muito melhor do que os das pastelarias)

Para complementar a mesa, fiz as bolinhas de coco e cenoura do blog Not Guilty Pleasure (que foram devoradas!!), as trufas de cacau do blog Compassionate Cuisine, o salame de chocolate do blog Vegan aos 30 (chegaram a dizer que este salame sem açúcar e sem ovos era bem melhor que o original) e para terminar: copinhos de gelatina com três sabores. Tudo isto acompanhado com três tipos de chá: Rooibos com Chocolate, Chá Branco com Papaia, Ananás e Morango e Chá Verde com Hortelã e um belo Champanhe.

Todas estas receitas são muito fáceis de fazer e não levam açúcar (excepto o bolo). A única dificuldade foi escolher as sobremesas que queria fazer, porque havia imensa escolha de coisas saudáveis!

Depois para complementar a festa, resolvi escrever uma carta a cada pessoa que compareceu. No total escrevi cerca de 20 cartas. Mas porquê? Podem perguntar vocês. Fácil. À medida que o tempo passa e a distância aumenta entendo que a nossa vida não é assim tão importante se não tivermos as devidas pessoas com quem a partilhar e saborear. E que, muitas vezes, as pessoas se não as relembrarmos não se lembram que são um bocadinho do nosso sorriso e parte importante do nosso mundo. Este ano resolvi relembrar as minhas pessoas do quanto eu sou delas e do quanto delas tenho em mim. Relembrei e agradeci, porque ao fim ao cabo, vinte e dois não significam nada se não tiver as minhas pessoas, que me acompanham desde o berçário ou do primeiro ano de escola, ou de faculdade... Tenho sorte de ter as minhas pessoas, bem como tenho a sorte de te "ter" a ti que me lês. Portanto obrigado a eles e a TI, por a cada dia que passa me fazerem mais feliz. 

Um xi-
Mariana.

Não me mintas, mas será que é verdade que ainda te amo?

quarta-feira, novembro 04, 2015

Vi-te a passar por mim na rua, estás mais magro e mais bonito. Tens o cabelo mais curto, usavas uma camisola branca e um cachecol azul-marinho, tinhas a barba por fazer e o teu olhar ocupado com os sonhos que te preenchem. Estás bonito, homem. Bem mais bonito do que no dia em que te conheci. Ainda te lembras? Usavas uma camisola castanha que destoava completamente com o teu cabelo e com a leveza do teu sorriso. Mas condizia com a sobriedade do teu abraço. Lembrar-me disto e sorrir, como se ainda fosse a rapariga de cabelo comprido e despenteado, faz-me pensar naquilo que senti quando o meu olhar te seguiu. Não me mintas... mas será que é verdade que ainda te amo? Não sei. Acho que o amor nunca se foi, mas também nunca ficou. 
Dizem que o amor é concreto e não há espaço para dúvidas. A verdade é que o nosso amor sempre foi uma casa abandonada com riqueza de luz. Nunca houve nada concreto em nós: como se todos os beijos tivessem sido dados de olhos fechados e no escuro da noite sem permissão para descobrir verdadeiramente o que se passava. E as dúvidas foram sempre a assinatura que finalizava todas as nossas cartas, mesmo aquelas que não te entreguei. Não me mintas... mas será que é verdade que ainda te amo? 
Quando te vi, não quis acreditar, pestanejei duas vezes seguidas. Exactamente do modo que eu fazia quando me ligavas às seis da manhã só para me acordar. Existem momentos na realidade que parecem extraídos de um sonho e torna-se difícil de acreditar. Ver-te, porém, não sei se foi um sonho ou um pesadelo. Não sei se o meu coração sorriu ou chorou. É bom ver-te, assumo, mas rever-te como quem és, é horrivel. Faz-me sentir saudades da tua barba no meu pescoço, da tua mão a entrelaçar a minha. Oh, não me mintas..., mas será que é verdade que ainda te amo? Quer-me parecer que sim nesta minha certeza nula. 
Naquele dia, estava no café de vidro no centro da praça. O mesmo café onde nos encontramos tantas vezes. Nunca deixei de lá ir, sabias? Mesmo quando entrei lá a derramar lágrimas e em todas as vezes que sai de lá vazia, nunca deixei de lá ir. Tu, contudo, sei que nunca mais foste lá. Já não havia o teu perfume no ar, e deixaram de fazer aqueles bolos com frutos vermelhos que tu tanto gostavas. Hoje foi mais um dos tantos em que te esperei. Mas hoje, encontrei-te. Lá fora. Há quanto tempo não percorrias as ruas desta cidade e do meu coração? Há tanto tempo que duvido como ainda conseguias caminhar como se tivesses a determinação de estar a percorrer o caminho certo. Sempre pareceste saber para onde ias, ao contrário de mim que sempre andei a naufragar num mar em dia de tempestade. Talvez por isso tenhas entrado tão rápido no meu coração: porque sabias exactamente para onde ir. 
Acho que ainda hoje sabes. Desconfio que quando passaste à minha beira sabias que o meu coração ia disparatar umas quantas memórias no vazio da nossa existência. Estranho, como já deixamos de ser nós, não é? É. Desconfio também que sabias que mal te vi ia pensar em como estarias, com quem estarias e roer-me de inveja por alguém te ter e não eu. Ai... meu amor, não me mintas, mas será que é verdade que ainda te amo?

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