Reflexões

"ter uma casinha branca de varanda, um quintal e uma janela, para ver o sol nascer."

domingo, agosto 30, 2015



De todas as viagens que poderei fazer não há melhor do que o regressar a casa. Mesmo que o regressar não seja assim tão concreto, porque há sempre uma viagem de retorno. E despedidas com o coração de luto e abraços que parecem durar menos do que um segundo e tão mais do que a promessa de uma vida. De todas as viagens, a minha casa será sempre o meu destino favorito. O local que mesmo que o gps não funcione, eu sei sempre como chegar. E sei sempre como a encontrar. Com o cheiro a comida na cozinha e a incenso no hall da entrada, com um sorriso na cara e um alívio no coração. Estou dentro das muralhas do meu castelo, não há guerra que entre, não há ninguem que me chegue, estou a salvo.
A minha casa (ou deverei dizer a dos meus pais?) será sempre o meu sítio favorito em todo o mundo. Disso, tenho eu a certeza. Nem quando acampei nos mais belos sítios da Suiça ou Eslovénia senti tamanha paz do que sinto agora, enquanto escrevo este texto e oiço o vento passar pelas folhas dos sobreiros, sinto o perfume das rosas que a brisa arrasta e oiço de longe os patos a chapinharem no lago. Se nasci para ter uma casa de sonho, é esta com certeza. E se nasci para morar em algum sítio: foi este. Foi este campo, este céu, esta calmaria que me relaxa. Sei que o meu lugar é aqui, bem junto ao amor e à paciência que a bondade gera. O meu lugar é em casa. Na minha, e nossa, casa. Mesmo que esta casa não seja tão casa assim nos últimos tempos, nem tão minha, e se desloque antes para um retiro. É. É isso que és agora, casa. És o meu retiro de fins-de-semana fora da outra casa. A minha meditação, o meu relaxe, o meu "eu" quando preciso me afastar de tudo o resto.
Quem me dera, devo admitir, poder-me trancar aqui uma semana seguinte e passar os dias a tratar da estufa, da horta e das ervas aromáticas. Ou então alimentar os pintatinhos que com três semanas ainda parecem tão pequeninos. Quem me dera, acordar com o nascer do sol por detrás dos mesmos montes onde mando estrelas para o céu nas noites estreladas. Quem me dera poder passar as tardes a reler os livros da biblioteca deitada sobre o relvado e falar com as formigas em dialectos que nem eu, nem elas, compreendemos. Quem me dera ter, tudo o que já foi tão (m)eu e a vida agora afastou de mim. Será castigo? Ou será para fortalecer este sonho de uma casinha no campo com uma família feliz? Seja como for, de todas os destinos do mundo, não há melhor do que este.

Estilo de vida

Como as pessoas mudam.

quarta-feira, agosto 19, 2015


Muita coisa mudou ultimamente. Mudei de cidade, de vida, de estatuto. Mas sei, sinto, que acima de tudo mudei de atitude perante a vida. Hoje, antes de ir trabalhar, olhei-me no espelho: fui de cabelo atado, leggins pretas, sapatilhas, túnica branca com top desportivo e uma mala cheia de comida, água e um livro sobre corrida. No caminho até ao trabalho fiquei a pensar em como mudei.
Se há uns anos atrás me dissessem que eu ia vestir todos os dias fato de treino (fosse para trabalhar ou para simplesmente fazer desporto) eu não acreditava. Se há uns anos atrás me dissessem que eu me ia gostar de ver de cabelo atado, sem fazer desse estilo um castigo, eu não acreditava. Sempre achei que tanto o cabelo atado como os meus queridos fatos de treino me faziam mais gorda, mais desengonçada. Agora, gosto de me ver de fato de treino, assumo como algo que sou. A vida pintou-se assim. Para me ensinar que as coisas mudam, têm que mudar, e que nada é nesta vida é fixo. E que, até, se olharmos bem: tudo na vida tem a sua beleza. Primeiro como obrigação adoptei este estilo de vida (no curso tinha que ir para as aulas práticas de fato de treino todos os dias e de cabelo atado), agora este estilo de vida é o meu. E sinceramente, já não queria que fosse outro.
A vida muda-nos. E nós fazemos com que essa mudança aconteça. Sei também que eu mudei quando fico frustrada por hoje não conseguir ir caminhar. Para além da escrita, da culinária, adoptei uma nova terapia: a caminhada. Todos os dias faço 6km de caminhada/marcha por dia. Comecei a fazê-lo para dar um empurrão à dieta. Agora, não vivo sem eles. São recuperadores para a minha cabeça, para os meus musculos, para o meu coração, para a minha alma. São o meu desligar, o meu meditar. O meu esforço que me acalma, a minha dedicação que me desconecta deste mundo. Chego a acordar dias às 6h30 para fazer caminhada. Hoje não fui. Magoei-me num pé (uma ferida na zona do calcanhar) e caminhar não tem sido tarefa fácil. Senti-me triste, frustrada até. É um momento tão bom... então, em vez disso, fui para o jardim (a minha paixão pela Natureza nunca muda) e pus-me a ler a minha nova paixão: o meu livro sobre corridas (oferecido por uma amizade de longa data). Já que não ia correr, ao menos lia sobre isso..
As pessoas mudam, a vida muda, os tempos mudam. E é a estas mudanças que brindo todos os dias, pois são elas, afinal de contas, que me transformam naquilo que mais sou: um ser humano em crescimento, em avanço, em desenvolvimento. Porque, se nem as árvores estagnam, porque eu iria eu parar quando posso sempre melhorar? 

Voltei...!

terça-feira, agosto 18, 2015


Voltei, sem ter saído daqui, sem férias, sem grandes novidades para contar. Mas voltei: aqui. A nós, a vocês, a mim. Voltei aos livros lidos de madrugada, ao chá logo de manhã, às fotografias ao acaso e às caminhadas meditadas. Voltei ao bichinho da escrita de querer descrever cada alegria, cada tristeza, cada suspiro da minha existência nesta casa. Na minha casa, no meu blogue. Voltei, com garra, força e um sorriso no rosto, pronta para coordenar tudo aquilo que mais amo fazer (afinal, vida de trabalhadora não é nada fácil, pois não?). Voltei, com menos cabelo e menos quilos, com mais energia e mais desafios. Voltei para ficar, aqui, ali, onde quer que a vida me levar. Porque afinal, nómada uma vez, nómada para sempre. Voltei ao sítio do costume, e vocês prontos para se reabituarem ao costume deste sítio?

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