Receitas

Toca a comer legumes: Gratinado de Legumes com Seitan.

sábado, janeiro 31, 2015

Há dias em que me apetece cozinhar mais do que o habitual, ficar só eu, os legumes, as facas e os tachos. Cozinhar para mim é uma espécie de meditação. Quando cozinho desligo, não penso em nada: apenas deixo fluir, como se cozinhasse de olhos fechados. Cozinhando apenas com o coração, por instinto: como dois amantes que se encontram numa noite de chuva e se beijam como se as suas bocas nunca tivessem sido separadas. Cozinho com o coração, com muito amor e cumplicidade e se calhar é por isso que gosto tanto... Porque quando se faz as coisas com amor, todo o mundo é bonito, pois é? 

~ Prato Principal ~ Gratinado de Legumes com Seitan do livro Cozinha Vegetariana para Quem Quer Poupar da Gabriela Oliveira (adaptado)
~ Sobremesa ~ gelatina vegetal de pêssego com sementes de chia e tangerina.


Gratinado de Legumes com Seitan

~ Partir 300g de seitan fresco em cubos pequeninos e colocar numa frigideira com azeite a lourar colocando pimenta-preta, noz moscada, pimentão e orégãos, deixar cozinhar.
~ Entretanto noutra panela colocar azeite com alho e cebola, deixar amaciar e depois colocar uma cenoura ralada, uma curgete, dez raminhos de couve-flor, um talo de alho francês e molho de tomate q.b. (usei estes legumes, mas podem usar outros). Deixar os legumes cozinharem até ficarem moles e adicionar o seitan. 
~ Entretanto fazer o molho bechamel: 2 chavenas de leite vegetal para 3 c. sopa de farinha (usei maizena), misturar até ficar homogéneo. Levar ao lume com uma flor de louro até engrossar, sempre a mexer. Quando estiver quase pronto, colocar 2 colheres de sopa de manteiga, noz moscada e pimenta preta.
~ Servir os legumes num tabuleiro cobertos com o molho bechamel. Por cima colocar pão ralado e amêndoa moída a gosto. Levar ao forno a gratinar (15 minutos)


Como disse, uma refeição simples. No que diz respeito à sobremesa... Faço gelatina todas as semanas: amo gelatina. Mas é daqueles amores intemporais, que não passam e que só aumentam. Entre gelatina e chocolate fica dificil escolher, então lembrei-me de apresentar as minhas gelatinas nestas formas lindas com sementes de chia e tangerinas (do quintal). Ficou muito simples, mas saudável e bonito, não? Já para não falar do gosto.

Em relação ao gratinado, é maravilhoso. Comida de coração. Sinto-me tão grata por a Gabriela, com o seu livro, ter trazido estas receitas à minha vida. Mudaram as refeições cá de casa. Só tenho uma pequena anotação em relação a este gratinado, é importante usar seitan fresco e não daquele que se vende em frascos, por exemplo. Sinceramente eu não gosto nada desse seitan, não gosto da textura. O meu favorito é o que se vende no Continente na zona dos iogurtes, é maravilhoso! Se ainda não o usam, força... Muda mesmo o sabor dos pratos. Só para verem eu antes quase nunca usava seitan, agora, sou fã. E não sou a única! Bem, já sabem, se experimentarem, digam!

Bons cozinhados e um xi-,
Mariana

DIY

diy: reutilizar postais ~ fazer novos a partir de velhos.

quinta-feira, janeiro 29, 2015


Devido ao Projecto Cartas Cruzadas tenho sempre materiais de papelaria a entrar e a sair cá de casa: sejam envelopes, papeis, postais, canetas, wahi-tapes, tesouras... a minha casa, e especialmente a gaveta onde guardo as coisas do Projecto são um reboliço de materiais de papelaria. Tenho a sorte de muitos deles chegarem à minha mão por prendas (se não bem que o meu orçamento não dava para mandar as cartas). Foi o caso de alguns postais que, ainda no inicio do Projecto, a Postalfree me mandou. E é desses postais que vos vou falar hoje.


Usei a maior parte dos postais da postalfree para mandar com o Projecto, só que alguns que me enviaram eu simplesmente não tinha ninguém a quem os mandar. Por exemplo, aquele ali que diz: "Não uses preservativo" atrás falava do número de pessoas que morriam com SIDA. Adorei a ideia do postal, mas a quem eu o ia enviar? Como é que eu ia saber se um estranho acharia tão engraçado quanto eu achei? Tentei dar hipótese a estes postais, mas durante dois anos eles permaneceram na gaveta. Conclusão? Estava na hora de lhes dar um novo rumo, arranjar uma nova cara, para terem (finalmente!) um novo lar!


E assim resolvi dois problemas de uma só vez. Tinha aqui um caderno com umas folhas lindas que eu nunca tinha usado (ainda não tinha dado utilidade a este caderno). Estava na hora de alterar isso. Colei as folhas desse caderno sobre os postais, recortei com uma tesoura (super fixe que comprei por um euro na Tiger) e depois foi dar uso à imaginação: com a caneta e as wahi-tapes. Tinha aqui um chá de Tília que já tinha expirado o prazo da validade e usei-o também. Inspirei-me em três coisas nestes postais: na minha paixão por chá (e no grupo #1xicaradecha), nas minhas pessoas do coração () e na Natureza. No final fiz 23 postais (alguns tiveram como base outros postais que também já estava há demasiado tempo cá em casa).


A verdade é que só com uma caneta, cola e washi-tapes fiz estes postais, que a meu ver, estão lindos. Em alguns usei chás, carimbos, papeis diferentes, folhas secas... o que me lembrava. Adoro-os. Especialmente porque alguns foram feitos a pensar exactamente na pessoa para quem vão e digam-me: há coisa mais carinhosa do que receber um postal que foi feito de propósito para nós? Eu cá acho que não.

Um xi-
Mariana

Receitas

Toca a comer legumes: chutney de beterraba e folhados de seitan.

quarta-feira, janeiro 28, 2015



A minha avó fez anos na passada sexta feira e para além de lhe ter feito o bolo de anos, como mostrei aqui, resolvi oferecer-me para lhe fazer o jantar. Só lhe disse que ia ser vegetariano, ela aceitou - como sempre - e lá nos deliciamos com um jantar de aniversário maravilhoso. Não há maior alegria do que cozinhar para aqueles que amamos. Pois não? A ementa do jantar foi:  Chutney de Beterraba e Pêra para entrada, folhados de seitan com estes legumes assados e o bolo de limão inteiro com creme custard para sobremesa.


Chutney de Beterraba com Pêra
(receita original daqui)

~ 1 beterraba média; 1 cebola média; 1 pêra média; gengibre a gosto; noz moscada a gosto; pimenta preta a gosto; canela a gosto; 2.5 colheres de sopa de açúcar; 125ml vinagre de vinho branco; orégãos; sumo de 1/2 laranja.

~ Lavar muito bem as beterrabas com escova de legumes, cortá-la em quartos ou oitavos e assá-la no forno durante pelo menos 40 minutos, em papel de alumínio fechado,com sal. Tirar do forno e tirar a pele. Cortar em pedaços muito pequenos.
~ Cortar a cebola e a pêra e colocar numa frigideira com o vinagre, açúcar, alho, as especiarias e o sumo de laranja. Deixar no lume até ferver. 
~ Juntar depois a beterraba partida, deixar ferver de novo e deixar a cozinhar em lume brando durante cerca de meia hora ou até a mistura ficar como gel e densa. Servir com tostas ou guardar em frascos próprios.


Folhados de Seitan
(receita original do livro "Cozinha Vegetariana para Quem Quer Poupar" da Gabriela Oliveira)

~ 180g de seitan (costumo fazer a olho) ~ 2 placas de massa folhada descongelada ~ oregãos, manjericão e tomilho q.b. ~ molho de soja ~ alhos e azeite ~ sementes de sésamo

~ Colocar numa frigideira azeite com alho em lume médio até dourar. Entretanto partir o seitan em fatias e esticar a massa folhada.
~ Colocar o seitan na frigideira temperar com as ervas aromáticas (frescas de preferência) e quem gostar pode acrescentar pimentão e pimenta preta. Temperar com molho de soja;
~ Cortar pequenos quadrados na massa folhada, colocar o seitan no centro e enrolar (com os dedos com água pressionar para ficar bem juntinho), por cima da massa folhada passar com um pincel o liquido que ficou na frigideira, colocar as sementes de sésamo e levar ao forno durante 15 minutos, mais ou menos (verificar sempre!). Servir como entrada ou acompanhamento.

 Prometo que ambas as receitas são de agradar, mesmo que pareçam fáceis é a maneira certa de brilhar num jantar de família. O chutney para alguns pode não ter o aspecto mais delicioso (para mim tem!), mas é maravilhoso. Já o tinha feito aqui e desde aí que me apaixonei, já o fiz mais uma série de vezes: cada vez mais com mais adaptações e mais adeptos! E já estamos na quarta "crónica" Toca a comer legumes. O que têm achado até agora? Já provaram alguma receita? Esta semana há mais uma refeição, para já ficamos por estas delícias. 

Boas receitas & Um xi-
Mariana.

DIY

Como identificar as plantas semeadas. {diy}

terça-feira, janeiro 27, 2015


Eu nem sempre gostei da vida do campo. Sempre gostei da Natureza, de estar rodeada por plantas e flores, mas a vida do campo: dura, cansativa e trabalhosa, nunca foi o meu forte. Sempre que se plantavam batatas ou qualquer coisa mais pesada, a Mariana fugia. Eu gostava era de semear cenouras e entrançar cabos de cebola, gostava de regar plantas e fazer festinhas às flores. Agora, passando uns anos, os gostos mudam. Apercebo-me que gosto de trabalhar com o ancinho e de plantar cebolo, que acho a estufa um lugar mágico e as plantas transformaram-se em companhia plena. Por isso, tenho aproveitado estes dias de sol, para ir lá para fora, para saborear este meu novo gosto, este meu novo hábito. 



E tenho alterado umas coisas por cá (não tivesse eu a mania das arrumações), tenho mudado os vasos, arrumado as gavetas e claro.. identificar as sementeiras. O meu pai é aquela pessoa que semeia muito mas não identifica nada. Conclusão: passado uns dias já não se lembra o que é o que. Então, lá tive a excelente ideia de fazer identificadores para cada sementeira. Mas não sabia como os ia fazer, queria uma coisa simples que pudesse ensinar ao meu pai e ele realmente fizesse, então depois de muito explicar (e não encontrar nada) lá fiz estes identificadores. Muito simples, muito fáceis, muito úteis. Espero que gostem! 

1 ~ Escrever aquilo que se quer (aproveitar e fazê-lo em papel de rascunho), recortar;
2 ~ Com fita-cola colar o papel ao palito, e rodeá-lo bem (verificar que o palito não sai e que o papel está todo com fita-cola);
3 ~ Dar os retoques finais e está pronto! Toca a identificar tudo!

Um xi-
Mariana

Receitas

Avó {um bolo bonito para ti com creme custard}

sexta-feira, janeiro 23, 2015


Perder uma avó é algo devastador. Que dói e nos remói a cada memória que bate à porta. É uma dor que insiste e persiste, que nos deita abaixo e faz com que supliquemos para que a nossa avó volte. Que nos faz perguntar vezes e vezes sem conta, como criança que na idade dos porquês, porque é que alguém a levou embora e porque é que ela não volta. Mas ter uma avó... o seu carinho, o seu amor, a sua dedicação é algo indescritível. Algo que faz tudo valer a pena, mesmo as impiedosas saudades. Uma avó, é um mundo, um abraço que não se perde, uma luz que nunca se apaga. Ter uma avó, ou mais se houver sorte, é mais do que o Mundo, mais do que o Sol, mais do que tudo o que se possa imaginar. Por isso é que nos agarramos a elas, à sua existência, à sua força, à sua experiência de vida, porque sabemos que não há nada neste mundo que as vá tirar de nós, nem mesmo a terrível morte. Ser avó, é sê-lo para toda a vida, por todas as idades, em cada sorriso, cada nascer do sol, cada palavra depositada no vento. Ser avó, é ser "para sempre". 


Por isso, é que hoje fiz este bolo cheio de carinho para levar à minha avó e juntas, com muitos abraços e todo o amor que nos une, celebrar-mos mais um ano de vida. Parabéns, meu doce. 


Receita do Bolo de Limão Inteiro: aqui. ~ 
Cobertura: Creme Custard (Adaptado do Livro Cozinha Vegetariana Para Quem Quer Poupar) com Framboesas

~ 2. c. sopa de amido de milho 
~ 1 cháv. de leite vegetal
~ 2 c. sopa de açúcar
~ 1/2 c. café de essência de baunilha
~  1 pau de canela
~ 1 casca de um limão

~ Diluir o amido de milho no leite vegetal. Colocar ao lume brando com os restantes ingredientes. Mexer até engrossar. Quando estiver pronto, está pronto a utilizar.
Um xi-,
Mariana.

Receitas

O que fazer quando se tem muitos limões... {doce de limão}

quarta-feira, janeiro 21, 2015


Aconteceu um pequeno imprevisto cá em casa (uma árvore caiu sobre o limoeiro mais pequenino e desmanchou-o todo) e ficamos com limões para dar e para vender. Já demos bastantes mas mesmo assim o limão continua a ser o rei cá de casa. Quilos e quilos, montes de sacos e já não posso ver limão! Mentira que eu adoro limão. Uso-o bastante, para temperar comida, para águas aromatizadas, para chá e para beber de manhã ao acordar (hábito a tentar ser implementado). Mas mesmo com estes usos normais os número de limões não diminui. Não queria fazer doces, mas as ideias já afloram na minha cabeça: queques, tartes, bolos, cremes... Uma série de coisas. Mas como os bolos não são a primeira opção decidi fazer um doce (receita em baixo). Contudo, para as pessoas que querem fazer bolos (e não só), cá vão umas dicas:

~ Bolo de Limão Inteiro  (o meu bolo de limão favorito)
~ Curd de Limão e Gengibre (a experimentar)
~ Mousse de Curd de Limão e Iogurte  (não resisto a experimentar... mesmo!)
Trufas de Limão e Coco (tenho que experimentar!)


Doce de Limão
Receita original daqui, esta foi a receita que fiz:

~ 1kg de limões;
~1,7kg de açúcar;
~ 300gr de açúcar amarelo;
~ 2 paus de canela

~ Colocar os limões numa panela com 2,5l de água e deixa-los ferver até os limões estarem moles ao ponto de se passar facilmente com um garfo (mais ou menos 1hora). Retirar os limões e deixar arrefecer. Retirar 1,5l da água da cozedura (se não chegar a esta quantidade, acrescentar água até perfazer).
~ Entretanto partir os limões em tiras fininhas, retirando os caroços. E colocar os limões partidos (casca e polpa) na panela com a água. Deixar ferver até o doce estar no ponto. (Realizar o teste da estrada: se colocar um bocado do doce num prato e conseguir passar com uma colher no meio e formar uma estrada, está pronto).
~ Colocar em frascos esterilizados de cabeça para baixo durante 30 minutos para criar vácuo. 


O doce de limão é bastante amargo. Cá para nós, não faz o meu gosto, mas os meus pais gostam. Pode ser que entretanto o doce me conquiste. Para já três frascos seguiram para apreciadores deste doce. E algo me diz que esta semana ainda vou fazer mais qualquer coisa com limões... Oh se vou! E vocês? Também têm limões a mais?

Um xi-
Mariana

Chá

#1xicaradecha ou um grupo para amantes de chá*

terça-feira, janeiro 20, 2015


A minha paixão por chá é longa. É um grande amor e uma grande história. Um conto, com final feliz, de pessoas que entraram na minha vida e se perpetuaram na forma de bebida: as minhas avós, e também pessoas que foram passando por mim e me ensinaram a beleza do chá e o quente da sua presença. Aos quatorze anos, a prenda de anos que a minha avó me deu foi um livro sobre Vida Natural, com receitas de chá entre tantas coisas. Ele foi o primeiro degrau nesta e em tantas outras paixões. E é por isso que faço por esta minha paixão tenha mais degraus, para o conto continuar a crescer e este amor virar ainda mais parte de mim. 

Sobre o chá: quero saber mais, provar mais, partilhar mais. E por isso é que criei este grupo. Por isso, se também tens alguma paixão por chá, ou curiosidade, ou gosto... este grupo também é para ti! Junta-te a nós, serás bem-vindo(a)! Estamos a tua espera, aqui. 

Um xi-,
Mariana

Leituras

"O Optimista", página 265.

segunda-feira, janeiro 19, 2015

- Há alturas em que não esteja feliz?
- Prefiro chamar-lhe "alegria não premeditada" - disse-me. - "Felicidade" é uma palavra muito carregada. As pessoas precisam sempre de uma razão para serem felizes, e eu descobri uma maneira para ir directamente ao assunto. É por isso que lhe chamo "não premeditada", porque, se alguma coisa tem o poder de nos fazer felizes, não ter essa coisa tem o poder de nos fazer infelizes, e não estava interessada nessa montanha-russa.
- Hm... Mas precisamos de razões. Há coisas que me deixam feliz e coisas que não.
- É uma opção sua. Eu "percebi" que, pessoalmente, gosto de ser feliz. É uma escolha minha. Pensei para comigo: de que me interessa a felicidade mais tarde? Quero ser feliz agora! Eu costumava pensar que era uma questão de pensamento positivo, ou algo relacionado com a mente, mas não tem nada haver com isso. Não precisamos de fazer nada! É algo que já existe! (...) Eu gosto de ser feliz, não gosto de estar feliz. Como é que pode estar feliz? Felizes é o que nós somos. 
- Como é que isso lhe aconteceu? Quando é que aconteceu?
- Aconteceu um dia, muito simplesmente. Andei sempre numa demanda espiritual, sabe, à procura de Deus e da Felicidade. A certa altura, tornou-se evidente: "É isto mesmo". Se não for agora, não há-de ser nunca. Acho que a demanda chegou ao fim e eu tomei consciência: aqui e agora.
- Tomou consciência de quê?
- Daquilo que sou: felicidade pura. 
~ Laurence Shorter

Viagens

Um ano depois: a nossa viagem a Madrid! {parabéns Pai!}

sexta-feira, janeiro 16, 2015

The light came through the window, 
Straight from the sun above, 
And so inside my little room 
There plunged the rays of Love. 
~ Leonard Cohen


Há um ano atrás estávamos em Madrid. Há um ano atrás o meu pai fazia anos e estávamos a festejá-lo em Madrid, na capital da nossa vizinha Espanhola. Surpreendentemente nunca lá tínhamos ido e voltar a ver estas fotografias, faz-me querer voltar a apanhar o avião e passar novamente dois dias maravilhosos em terras espanholas. Voltar a ver estas fotografias, faz-me também sentir uma gratidão enorme por hoje, passado um ano, continuarmos a ter algo a celebrar. Faz-me sentir grata por hoje o meu pai celebrar mais um ano de vida e continuarmos juntos (ainda que em Portugal). 
Como tudo o que o meu pai (os meus pais) trouxeram à minha vida, a recordação de visitar o museu de prado ou a praça do sol, é algo a que recordo em dias tristes. Eles iluminam o meu dia. Fazem-me sentir viva, amada e a pessoa mais sortuda do mundo. Por isso, estes dias, em que um deles faz anos, é um dia mais do que importante, em que faço tudo para os ver feliz e o melhor sorriso deles. Afinal, hoje é um dia maravilhoso, porque uma das pessoas mais importantes do mundo faz anos e tive a oportunidade de viver mais um ano com ele. Pai, gosto de ti todos os dias.

Um xi-,
Mariana

Leituras

"O optimista", página 153.

quinta-feira, janeiro 15, 2015

- Acredito que se, quando se levanta de manhã, não ganha a vida a pensar na sua profissão... se muitas vezes durante o dia não se ajoelha em gratidão involuntária pela boa sorte que lhe foi concedida, se não sente vibranteamente uma energia todos os dias... então está a desperdiçar o seu tempo. É possível arquitectar uma vida ideal. Vou repetir: é possível arquitectar uma vida ideal. Acredito que toda a gente pode fazê-lo. Levanto-me todos os dias de manhã literalmente transido de gratidão por fazer o que faço... e de ser pago por isso.
(...)
- Não, a sério. Todos temos modelos mentais para o modo de ver o mundo, mas a maioria de nós comete o erro de os misturar com a realidade. Não são reais. Por exemplo, deve ter um modelo mental segundo o qual o seu trabalho ideal ou parceiro ideal anda por aí. (...) Toda a gente usa modelos mentais. Por exemplo, pode ter uma relação de sonho ou uma carreira de sonho, que define quanto ao aspecto: o ambiente externo. Como é o chefe, quanto dinheiro ganho, com quem trabalho; e, de alguma maneira, se todos estes elementos se juntarem, vai ser feliz. Não é verdade! Não é assim que funciona. Mesmo que por algum milagre tudo o que postulou existe num sítio, garanto-llhe que ficará igualmente infeliz passados seis meses ou menos. Porque a situação ideal não anda por aí, está entre as suas orelhas. 
(...)
- Então saberá que a primeira coisa que tem que fazer é limpar a sua mobília interna. Pare de viver no universo centrado em si. Tudo o que acontece... Qual é o impacto que tem em si? Há um acidente de aviação e a sua reacção imediata é: "Oh não, vou chegar atrasado!". Oferecem uma promoção à sua mulher no estrangeiro e a primeira coisa que pensa é: "Como é que isto me vai afectar?"O problema é que, se estiver sempre preocupado com o Eu, será infeliz, é inevitável. O universo nunca vai conformar-se à sua ideia de como devia ser e você vai passar a ter angustia existencial na sua vida. Se o seu optimismo está sempre centrado em si próprio, está condenado. (...) O que eu recomendo é que tentem perguntar: como posso contribuir? O que posso dar? Em vez de pensar sempre ao contrário: o que é que a sociedade me pode dar? O que posso obter com esta relação?
(...)
A próxima coisa de que precisa estar consciente é aquilo a que chamo "tagarelice mental", o seu monólogo interior, o comentário da vida da sua mente, nunca pára. Por vezes, até nos mantém acordados à noite. Na maioria das vezes, não lhe ligamos muito, assumimos que faz parte da vida. Na realidade, é essencial estar consciente disso, porque a tagarelice mental e os modelos mentais são aquelos que usamos para definir e criar a nossa realidade. Pensamos neles como realidade, mas, na verdade, é uma idealização que criamos com a nossa tagarelice mental. Não consegue desligá-la e, com o passar do tempo, os julgamentos negativos começam a acumular-se. Acabam por formar uma enorme barreira no caminho para a sua vida ideal. A má notícia é que não podemos pará-los e que eles não se calam. A boa notícia é que não é preciso! Só precisa de estar consciente. Quando está alerta para o que está a permitir germinar dentro de si, as ervas daninhas na sua vida vão mirrar por si mesmas."

~ Laurence Shorter

Receitas

Granola de chocolate com bagas goji ~

quarta-feira, janeiro 14, 2015

“When you're conscious of what you're permitting to germinate inside you, 
 the weeds in your life will wither away of their own accord.” 
― Lawrence Shorter


Quando eu disse ao N, que queria emagrecer mesmo (há cerca de um, dois anos atrás), ele disse-me que devia alterar os meus hábitos alimentar - reeducação alimentar - começando pelo pequeno-almoço e pequenos snacks que eu fazia. Antes eu era daquelas pessoas que não podia viver sem cereais de pequeno-almoço em casa. Eram o meu pequeno-almoço, o meu almoço, o meu lanche, o meu jantar, se me deixassem (e quantas vezes isso chegou mesmo a acontecer). Adorava cereais de pequeno-almoço, o seu sabor, textura, cor. Era uma autêntica apaixonada. 
Até que dei por mim a pensar no assunto: o que estava realmente nos meus queridos cereais? Seria só fruta e cereais? A resposta não tardou, claro que não. Dentro dos meus cereais haviam conservantes, açúcares e mil coisas que afinal eu não queria comer de todo. Hoje já não há cereais em casa. Deixei-os e a nossa relação nunca voltou a reatar. Em vez disso, conheci a granola (que me apaixonei no Verão de 2012, na Letónia, Estónia e Lituânia, encontrei-a em todos os pequenos-almoços e foi amor à primeira vista). Dizem que o primeiro amor não se esquece, mas se o segundo amor for granola, o primeiro amor vai logo à vida, podem crer. 


De amor à primeira vista, a granola passou a ser hábito. Experimentei várias receitas, até me ter apaixonado por esta do blog "Palavras que Enchem a Barriga" uma granola feita com manteiga de amendoim? Perfeito! (A manteiga de amendoim também deixou de haver cá em casa, faço esta granola a partir de manteiga de amendoim bem caseira e fácil de fazer). As últimas vezes que fiz granola foi essa receita. Mas agora eu queria inovar. Queria uma receita nova. Então pesquisei e encontrei estas duas receitas: esta do blog Lume Brando (com as fotografias mais mimosas de sempre) e esta do blog Pequenos Monstros (igualmente lindo). Li e ambas me pareciam perfeitas, único problema: não tinha os ingredientes. Então o que é que eu fiz? Inventei! E ainda bem. 


~ Receita de granola de chocolate com bagas goji da Mariana ~

~ 4 chav de flocos de aveia;
~ 1/2 chav de miolo de amêndoa moída;
~ 1/2 chav de farelo de trigo;
~ 1/2 chav de linhaça moída;
~ 1 chav de sementes de girassol;
~ 1 chav de mix de frutos secos partidos pequeninos (nozes, avelãs, amêndoas);
~ 1 chav de mel (podem usar também outro adoçante natural);
~ 1 chav de azeite (ou óleo de coco);
~ chocolate preto (ou pepitas de chocolate);
~ bagas goji;

~ Misturar os ingredientes secos excepto o chocolate e as bagas goji. Misturar o mel e o azeite num recipiente, levar ao lume até estarem fundidos, e adicionar aos ingredientes secos, mexendo. 
~ Colocar a mistura sobre um tabuleiro forrado com papel no forno a 180º durante 10 minutos. Ao fim de dez minutos remexer a granola e voltar a colocar mais 20 minutos, remexendo a cada 5 minutos. 
~Quando a granola estiver pronta deixar arrefecer. Quando ainda estiver morna juntar metade do chocolate preto partido aos bocados. Quando arrefecer totalmente colocar o resto do chocolate, as bagas goji e guardar em recipientes próprios. 

Boas receitas, boas granolas e bom dia,
{se experimentarem, avisem!} 

Um xi-
Mariana

Viagens

Quando a saudade de viajar aperta: Brno {Verão 2013}

terça-feira, janeiro 13, 2015

"Saudade é o ar que vou sugando e aceitando, 
como fruto de Verão nos jardins do teu beijo. 
Mas sinto que sabes que sentes também, 
que num dia maior serás trapézio sem rede 
A pairar sobre o mundo em tudo o que vejo..."


Tenho saudades de viajar, de sentir novos mundos, de ver novas culturas e aprender novos costumes. Tenho saudades de me sentir mais viva, de alimentar este meu vício das viagens. E como uma viagem não está programada para tão cedo, vou relembrar e viajar em pensamento para a cidade de Brno, na Republica Checa. A cidade de Brno foi uma das nossas paragens no ano de 2013, depois de termos começado a viagem em Strasbourg, passado por Landshut e por Cesky Krumlov, a próxima paragem foi esta magnifica cidade.


Tivemos pouco tempo por Brno, portanto a opinião que tenho desta estação é um bocado leviana. Ficamos num hotel perto da cidade, e andamos sempre a pé. Achei uma cidade cheia de movimento, carros e muito industrializada. Mas ao mesmo tempo achei uma cidade limpa, composta, com boa qualidade.


Não fomos a tempo de ver o mercado em seu auge (o quanto eu adoro mercados!), mas fomos a tempo de assistir a um concerto de órgão numa igreja, linda por sinal. 


No final do dia, o ponto alto: um supermercado gourmet só de coisas biológicas. Adorei! Apeteceu-me trazer tudo e mais alguma coisa para Portugal, infelizmente não trouxe nada mas provei um dos bolos de chocolate em baixo... tão bom! Em termos de gastronomia é o que me lembro da cidade, mas soube tão bem! Apesar de não ser uma cidade para voltar de imediato, não se dispensa mais um passeio. 


To be continued...

Boas viagens, boa matança de saudades, 
Mariana.

Receitas

Toca a comer legumes: crumble de legumes & tarte de maçã sem açúcar

segunda-feira, janeiro 12, 2015


Este post podia ter vários títulos: "como fazer alguém apaixonar-se por legumes", "um almoço a lembrar a primavera", "ser vegetariano é coisa boa", entre tantos outros. Achei que o melhor seria "Toca a comer legumes" inspirado nesta minha decisão de 2015 e assim vai ser o nome destas minhas refeições feitas para ele, como um género de crónica. Portanto se virem este título já sabem: estas são receitas óptimas para fazer com que as pessoas se apaixonem por legumes (para fazer naqueles jantares onde as pessoas não gostam muito de comida vegetariana ou quando ainda te estás a tornar vegetariano/a).


A ementa do almoço deste fim-de-semana foi:

~ Água aromatizada com morangos, gengibre e hortelã do livro "As Receitas da Mafalda" da Mafalda Pinto Leite;
~ Chips de Batata Doce do livro acima;
~ Crumble de legumes (invenção da Mariana, como quem diz, fiz o que me lembrei);
~ Tarte de Maçã sem açúcar do livro "Cozinha Vegetariana Para Quem Quer Poupar" da Gabriela Oliveira.


Chips de batata doce (não ficaram bem como eu queria, é uma receita a experimentar outra vez):

~ Cortar as batatas muito finas. Mergulhá-las numa taça com azeite e ervas aromáticas (oregãos, mangericão, tomilho..) e pimentão doce. Colocar num tabuleiro forrado a papel vegetal e levar ao forno 10 minutos a 180º, depois de passar o tempo, virar as batatas e deixar estar mais 10 minutos.


Crumble de legumes (ou como quem diz "esvazia frigoríficos"):

~ Antes de vos dar a receita desta delícia, tenho que vos contar a história por trás desta invenção. Eu adoro crumble. Meia volta lá estou eu a fazer crumble de maçã, frutos vermelhos, pêssego... do que me apetecer. É das minhas sobremesas favoritas. Nunca tinha pensado em fazer um crumble salgado. Até que pensei no N. Uma das coisas que ele não gosta nos legumes é serem "moles", não serem estaladiços. Então lembrei-me que um crumble ia resolver isso. Pesquisei um bocado na Internet mas todas as receitas que vi tinham carne, então resolvi inventar e deu nisto: 

~ Fazer um refogado com azeite, cebola e alho. Quando a cebola estiver macia juntar os legumes cortados. Eu juntei: cenoura, cogumelos selvagens, brócolos, couve flor, pimento vermelho e pimento verde. (Basicamente o que havia no frigorifico);
~ Deixei os legumes a cozinhar uns 10 minutos, quando me pareciam bem, temperei com: pimenta-preta, tomilho-limão fresco, orégãos frescos e pimentão doce;
~ Entretanto fiz a massa do crumble: manteiga, farinha integral, sementes de girassol, sementes de sesamo e queijo parmesão ralado. (Não sei dizer as quantidades, fiz a olho, mas primeiro adiciona-se a manteiga e a farinha até ficar uma massa como que areia. Depois adiciona-se o resto a gosto);
~ Colocar os legumes num tabuleiro e por cima a massa. Povilhar a massa com sementes. Levar ao forno a gratinar, a 180º até a massa ficar douradinha.

Este crumble é perfeito para jantares onde o tempo para confeccionar é pouco ou óptimo para esvaziar frigoríficos. É tão bom!


Tarte de maçã sem açúcar:

Primeiro fazer a massa:  
~ Misturar:1 chav de farinha de trigo e meia chávena de farinha integral com uma pitada de canela em pó e sal, meia chávena de sumo de maça natural com 5 colheres de sopa de óleo e 2 colheres de xarope de agave. Formar uma bola com a massa e reservar no frigorífico 15 minutos. 
~ Depois do tempo passar, estender a massa e colocá-la numa forma de tarte de fundo removivel. Picar o fundo com um garfo e levar ao forno preaquecido a 180º durante 10 minutos.

Depois, o recheio:
~ Enquanto a base está no forno, descarcar 1,5kg de maçãs doces em fatias finas e levá-la a cozer com pouca água em lume brando. Quando a maçã estiver macia, juntar 1 colher de sopa de ágar-ágar em pó e deixar ferver por três minutos. Apagar o lume e juntar 4 colheres de sopa de xarope de agave. 
~ Tirar a base do forno e colocar o recheio. Antes de levar ao forno povilhar com canela e raspa de um limão. Levar ao forno entre 15 a 20 minutos.

Por fim, a cobertura: 
~ Num tacho ferver 1 colher de sobremesa de ágar-ágar em pó com meia chávena de sumo de maçã  durante cinco minutos. Apagar o lume e juntar  3 colheres de sopa de xarope de agave.

Depois de a tarte arrefecer, colocar fruta no topo (no livro diz morangos, eu optei por kiwis) e verter a cobertura ainda morna. Levar ao frigorífico e servir a tarte fresquinha. 


Quem experimentar alguma destas receitas que me diga. Por mim estão mais do que aprovadas (e por quem as provou também!). A tarte foi a grande estreia... afinal é uma tarte sem açúcar, a primeira que faço. Adorei o sabor a frutas, a natural. Nada enjoativa, fiquei fã! No Verão então, deve ser um miminho. Algo a repetir! Já o crumble, se pudesse fazia-o já amanhã. Depois deste almoço de sucesso (o N, até repetiu! Loucura!!), já estou a pensar qual vai ser a ementa do próximo. Eu adoro cozinhar, especialmente comida vegetariana e para as pessoas que mais amo. No final de coisas, não há alegria maior do que uma mesa cheia de sorrisos e carinho. 

Um xi-
Mariana.

Reflexões

Este medo de dar o primeiro passo.

sexta-feira, janeiro 09, 2015

{Fotografia via Pinterest}
Existem medos que nos fazem chorar, ficamos assustados, paralisados. Existem tantos tipos de medos: desde a bactérias até medo dos dinossauros. Mas de todos esses medos o que deve vir em primeiro na lista de "medo mais comum" é o medo de dar o primeiro passo. Aquele primeiro passo... que alguém tem que tomar, que desencadeia tudo o resto, como uma peça de dominó numa cadeia que é deitada a baixo. O primeiro passo, quando especialmente não se sabe o que vem a seguir (alguma vez se sabe?), é o mais difícil de todos. Porque não sabemos que esperar, e há certas alturas em que um "não" é uma palavra demasiado grande para o nosso coração. Mas se ninguém der o primeiro passo? Não há "nãos", mas não há também "sins". E um "sim" vale tanto a pena! Não é? Seja da forma que for...

Por isso alguém tem que tomar sempre o primeiro passo, contornar os medos, os "ses" e deixar aquela peça de dominó cair para desencadear tudo o resto. Mas e se esse alguém fores tu? Como é que é? Quem te garante que as tuas pernas não vão cair de tanto tremerem? Quem te garante que a tua voz não vai ficar tímida para sempre? E que as tuas mãos vão deixar de ficar suadas? Ninguém. Mas um "sim" talvez possa fazer tudo valer a pena. Mesmo que o primeiro passo seja o mais difícil de todos, como que se as nossas pernas não se quisessem mexer do sítio, é ele que te permite avançar nesta vida e ver e viver tudo aquilo que há para viver.

Por isso hoje, compreendo os rapazes que não têm força para dar o primeiro beijo. Afinal, caraças, o primeiro passo é mesmo difícil de dar! 

Reflexões

Tirar as ervas daninhas do jardim ~

quinta-feira, janeiro 08, 2015


O sol já começava a por-se e eu estava no jardim, debruçada sobre a terra a tirar as ervas daninhas da minha horta. Os pássaros cantavam, o sol iluminava-me e o cheiro da terra, faziam com que tudo estivesse perfeito. Tinha as luvas calçadas, o sacho na mão e por entre as roseiras, os cravos e o limonete lá tirava eu cuidadosamente as ervas daninhas. O tempo passou, meia, uma hora e ainda continuava eu atenta neste meu trabalho. Existem tanto tipos de ervas daninhas. Não queremos nenhuma delas nos nossos jardins (mesmo que algumas até dêem para cozinhar), então arrancamos: com exactidão e persistência: uma e outra vez até desaparecerem de vez. Queremos que as nossas plantas, seja quais forem, estejam livres de qualquer mal. Por isso travamos luta contra o mal que as sufoca, maltrata e quase as deixa morrer.

Mas e então, porque não fazemos isso com os pensamentos maus que existem na nossa cabeça, no nosso coração, no nosso jardim, para que pensamentos e atitudes boas possam florescer e espantar a nossa vida e outras com a sua beleza? Porque nos custa tanto arrancar o que faz mal? Porque nos custa cortar o mal pela raiz? Porque não somos também com as nossas "ervas daninhas" exactos e precisos na luta contra elas? Será porque às vezes, tal como as plantas, também precisamos de alguém que nos ajude a sobreviver, a respirar, a brilhar e nos ajude a travar uma luta que nem sempre sozinhos conseguimos ganhar?

Reflexões

Terceiro objetivo de 2015: Arriscar.

terça-feira, janeiro 06, 2015


Há dois anos atrás, corríamos nós pela Queima de Braga entusiasmada por ver Natiruts juntas. Choveu a noite toda, fizemos quilómetros de Vila Real a Braga para no dia seguinte termos uma frequência, estávamos cansadas com a adrenalina que se sentia no nosso coração. Mas nunca nos largamos. Durante todo o concerto senti-me grata por ter uma mana, amiga, parceira como tu (e tão maluca quanto eu), e sei que todos os dias em que partilhamos a casa e o coração me fizeste ser o mais feliz que podia ser (especialmente quando adormecia no teu quarto e me fazias companhia nos meus serões de escrita, desde esse tempo escrever nunca voltou a ser o mesmo. Cá para nós, fazes-me falta.)
Há um ano, dançávamos música indiana à noite na nossa varanda, onde toda a gente que pudesse passar por lá via e ouvia os risos da nossa felicidade. Há um ano atrás andávamos pelas ruas a cantar músicas que não lembrava a ninguém como se tivéssemos bebido, mas a verdade é que estávamos o mais sóbrias possíveis. Há um ano faltava-mos às aulas só para nos deitarmos na relva a aproveitar o sol. Entre tantas coisas boas e perfeitas que vivemos, que criamos e transformamos, estas são as que mais me lembro. Porque tu, mana, ensinaste-me a sair da minha zona de confronto e mostraste-me que de tudo aquilo que pudemos viver, o melhor está nos desafios, nas ousadias, nas maluqueiras e em todas as vezes que arriscamos. 
Por isso, este 2015, tenho como objetivo arriscar mais. Fazer quilómetros só para voltar a ver o teu sorriso, desafiar o tempo e as leis do normal, para viver a vida como acho que deve ser vivida. Sair da minha zona de conforto e fazer aquilo que não me sinto tão segura em fazer (ver filmes de terror não conta, está?). Acreditar em mim, no mundo e não ter medo, até porque um não é garantido não é? Ter fé no que der e vier, e ter bem presente estas minhas memórias com a M. que me dão alento e força para ir com esta a avante. Vamos arriscar?

Um xi- e "um beijinhos para os pais",
Mariana.

Receitas

Primeiro objetivo de 2015: (Por o N. a) Comer mais legumes.

domingo, janeiro 04, 2015

(Private: Titulo para o N: primeira resolução de 2015. )

Quem já leu o texto "sobre mim" sabe que me tornei vegetariana por volta dos quatorze/quinze anos, mas quem segue este blog sabe que por volta de Fevereiro de 2014 tive que fazer uma pausa a este regime alimentar porque andava demasiada cansada e com muito pouco tempo livre (neste momento acho que isso são desculpas de mau pagador mas pronto...). Entretanto, aos pouquinhos volto aquilo que sou, dentro de mim: vegetariana. 

Quando me perguntam: "não é sacrifício para ti, não comer carne/peixe?" a resposta é: o meu sacrifício é come-la. Aliás, só de escrever isto, o meu estomâgo deu voltas. Não gosto, O meu corpo não reage bem e acima de tudo: não me identifico.

Os legumes serão sempre o meu primeiro amor que nunca vou esquecer. A minha primeira escolha: a minha essência. E exactamente por isso, porque uma pessoa não deve levar uma vida contra aquilo que sente, este 2015 marca não só o regresso ao vegetarianismo (embora nunca tenha deixado de o ser, aliás, como o meu pai dizia: "ela é 99% vegetariana"), mas também o meu esforço e dedicação para que o meu N. se renda de vez aos meus pequeninos: os legumes. O primeiro jantar que lhe fiz, oficial, de comida vegetariana foi em Agosto de 2011. O prato que ainda hoje é o favorito dele no que toca a estas andanças: soja à bolonhesa. Desde aí, é com agrado que vejo que ele já come mais legumes quando estou por perto (para quem não sabe o N. não é lá muito dado a verduras). Desde aí, até já comeu funcho, lentilhas e uma série de legumes. O processo de habituação já começou, mas ainda é lento, eu quero ver se apresso um bocado as coisas. Aliás, quão bom seria se ele apreciasse a comida vegetariana tanto quanto eu? (e melhor, se a soubesse cozinhar?)

Por isso, comecei esta luta já esta semana. Fiz ao N. um jantar com inspiração indiana, tudo vegan e cheio de legumes. Acho que tudo na vida é uma questão de hábito. Por exemplo, antes não era capaz de comer frutos secos, desde que me tornei vegetariana, adoro nozes, avelãs e amêndoas. O mesmo se passou com a beterraba. O nosso corpo adapta-se a tudo e, na minha opinião, a maior parte dos gostos é uma questão de os adaptar, mesmo que custe um bocadinho. É isso que quero fazer com ele. Adaptá-lo. Fazer com que ele se apaixone por legumes, pela comida vegetariana, tal como eu sou. E, quem sabe, tornar também os legumes não a primeira opção (não sonho tão alto), mas a segunda opção (mesmo quando eu não estou por perto)... Quem sabe, nada é impossível. Entretanto a luta é longa e dura. Não estou esperançosa de sair vitoriosa mas desistir não é opção. Vou-vos dando noticias.

Para já, cá fica a emente do primeiro jantar vegetariano do N. de 2015 (para a próxima há foto!):

~ Entrada: Chutney de Beterraba com maçãs e especiarias do blog A Marmita Lisboeta 
~ Prato principal: Caril de lentilhas com legumes (do livro Cozinha Vegetariana Gabriela Oliveira) com arroz de couve-flor (do livro "As receitas da Mafalda" da Mafalda Pinto Leite)
~ Sobremesa: Arroz doce Vegan do blog Not Guilty Pleasure

Todas as receitas ficaram deliciosas, mas as predilectas foram o chutney e o arroz doce (nunca mais volto a fazer outra receita! que delicia!). O primeiro jantar foi feito com sucesso. Agora é pensar no próximo jantar! Ideias? Alguém com o mesmo objetivo que eu? 


Boas receitas & Um xi-
Mariana.

Reflexões

Esperança, em 2015

quinta-feira, janeiro 01, 2015


Todos nós queremos recomeços. Procura-mo-lo como criança que procura a caixa de chocolates. Precisamos de recomeços. Desde a dieta que não funcionou, à relação amorosa que fica permanentemente no passado, passando pelo novo período em que as notas vão ser melhores e acabando num dia qualquer em que resolvemos mais uma vez lutar por sermos melhores. Todos os dias são uma luta. Todos os dias perdemos, mas vencemos também. Somos grandes nas nossas vitórias, mas pequenos nas nossas derrotas. Somos humanos: crescemos, mudamos e ambicionamos algo que às vezes, nem sabemos bem o que é.
Onde chegamos? Ao dia de hoje: o maior e melhor recomeço do ano. Não há período escolar que o supere, nem mesmo novas estações que o superem. Desde o primeiro dia do ano que suspiramos pelo primeiro dia do próximo ano. As passagens de ano são borrachas gigantes que nos permitem apagar os erros, respirar e endireitar o cabelo, corrigir o rímel e prosseguir com ousadia para mais uma batalha de erros. Precisamos de recomeços para nos sentirmos vivos. Para sentir que esta paixão incessante ainda bate no peito como quando tínhamos dezasseis anos e o mundo era nosso. Mas e se não for bem assim? E se eu gostar de andar com o cabelo despenteado, nem ponha rímel e os erros já sejam tatuagens em mim? De que me serve a passagem de ano? Serve para ter esperança. Que durante o próximo ano o meu cabelo vai despentear-se mais com o vento, que as minhas pestanas vão saborear a água mais profunda do mar e que os erros... bem, esses vão ser sempre inapagáveis, mas darão as melhores lições que me farão crescer. 
Precisamos de recomeços por muitas coisas mas acima de tudo para ter esperança, em nós, no que nos rodeia, e no que virá. Precisamos de ter esperança porque é isso que nos guia pelas resoluções de final de ano e pelas dietas que duram um dia. Precisamos de esperança para acreditar e fazer ver que a luta por nós não passa da luta de um dia, mas sim, torna-se um compromisso inquebrável de anos. Precisamos de esperança, em 2015 até 3015, para sentirmos que nada nos vai separar de nós mesmos. Afinal é isso que importa não é? 

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