A esperança no Natal. ★

sexta-feira, dezembro 04, 2015


Deixei de gostar do Natal no dia em que o meu avô morreu. Desde esse dia, as passagens de ano e escolher árvores de Natal em miniatura para a sala dos avós, deixaram de fazer sentido. Entre tantas coisas que se tornaram incompreensíveis, o Natal foi uma delas. Todos os Natais chorei (deveria dizer todos os dias?) porque já não havia mais esperança que voltasses. Deixei de ver o Natal como algo maravilhoso e mágico, mas antes como uma época que se crava no coração dolorosamente à espera de quem já esteve e agora não está.
Durante os três longos anos desta dor incompreensível, só queria que Dezembro passasse. A saudade continuou a ser dolorosa, mas foi no dia em que a avó foi ter contigo que passei a ver o Natal de forma diferente. As luzes da cidade lembra-me a vossa lareira onde aqueciam a maçã cozida e a cevada, as mantas lembram-me as vezes em que me sentava a aquecer-vos as mãos. O Natal relembra-me a esperança de nunca vos esquecer e de continuar a ter este amor forte a aquecer-me o coração.
Sem ti, avó, eu tinha que depositar a minha fé nalguma coisa que não o teu sorriso. Depositei-a, novamente, no Natal. Não me interessa a religião ou a história, o que me interessa é que entre tantas desculpas que existem, o Natal tornou-se a minha favorita. Esta é a época em que o meu coração salta e brilha mais do que acontece durante o ano todo. Porque ainda há amor. O amor que supera a tristeza, a saudade, as lágrimas secretas na madrugada. E enquanto houver amor, vai haver Natal. Vão haver mesas cheias de uma família que continua a crescer, sempre com a vossa presença na Aletria e no Chá (como se eu esperasse que se juntassem a nós para darmos mais um beijinho de amor), vão haver miminhos, beijinhos e postais de agradecimento. E é por isso, que o Natal, depois de tanta reviravolta, me trás de volta de um oceano no qual quase naufraguei.
Se o Natal é uma época de saudades, é uma época também de esperança que o amor nunca desapareca. O que é a saudade se não a maior prova de amor? Por isso, este ano já estou rendida aos mil postais que quero enviar, à lista de prendas, às receitas com cheiro a gengibre e ao monte de velas acesas. Está aberta a época da melhor desculpa do ano, quem está comigo?

Reflexões

Vamos falar sobre a Paz Mundial.

segunda-feira, novembro 23, 2015

Perguntaram: Queres falar sobre a Paz Mundial?

Não. Apeteceu-me responder. Não quero falar sobre a Paz Mundial porque não é algo que se fale levianamente como quem fala da lista de compras que guarda na manga do casaco. Não quero falar da Paz Mundial nem tão pouco da falta dela. Não quero falar porque nem sei por onde começar. Até porque acho que sim, devemos falar, discutir, argumentar, até conseguirmos dar mais um passinho de bebé até à solução do problema. Ou o que achamos ser a solução do problema.
A pergunta, em questão, foi-me feita assim, do nada, como quem pede um café, numa mesa informal enquanto a minha cabeça divagava sobre entrevistas de emprego e datas importantes. Ouvi falarem sobre a crise da Paz Mundial. “A culpa é dos políticos”. Tudo bem, a culpa é dos políticos e mais…? “Eu não posso fazer nada, sou só uma pessoa.” Completamente errado. Não falo de Paz Mundial muitas das vezes porque o meu coração torce-se todo ao ouvir pessoas da minha idade dizer tamanhas frases ignorantes.

Não me vou prolongar muito. No que diz respeito à culpabilização desta situação claro que o governo tem culpa, mas não são os únicos. E em relação ao que podemos fazer… Vou seguir a vulgar frase “O que eu faço, é uma gota no meio de um oceano. Mas sem ela, o oceano será menor.” Cabe-nos a nós, seres humanos, um dever importante. O de educar os valores que faltam. A sinceridade, cooperação, humildade, sensibilidade, solidariedade, proatividade… Cabe-me a mim enquanto terapeuta, amiga, conhecida, blogger, evocar para uma vida mais humana e menos material. E eu posso fazê-lo. Porque temos que começar por algum lado, porque atitudes positivas influenciarão atitudes positivas. Porque não estamos sozinhos. E o que é que isto tem haver com a Paz Mundial? Porque para além da crise de paz, temos também intrinsecamente uma crise de valores. E posto isto, ainda que haja muito mais a dizer sobre este tópico, hoje fico-me por aqui: pela urgência de educar valores de paz. Pessoas pacificas formaram uma sociedade pacifica e onde há paz, haverá certamente menos guerra.
Por isso, antes de dizerem "não posso fazer nada", pensem nisto. Porque esta é apenas uma coisa, das tantas que pudemos fazer. Como eu costumo dizer: Quem quer faz, quem não quer arranja desculpas.

Reflexões

Quando as palavras que (vos) escrevo, são segredos.

domingo, novembro 22, 2015

As palavras são mágicas por vários coisas. Porque nos transcedem, explicam e sentem. Porque nos ouvem e falam, porque nos segredam e revelam. Porque nos aconchegam e nos magoam. Contudo, entre todos os significados, o melhor, é o poder de dar às palavras o sentido que queremos. Esse sentido, é não haver sentido nenhum. (É só porque sim: porque apeteceu, porque soube bem, porque nos lembramos e não há forma de travar as palavras que nos chegam aos ouvidos do coração.) A escrita é incompreensível. Por vezes nem quem escreve sabe porque o faz, as palavras podem encher-nos e ao mesmo tempo esvaziar-nos. E é exactamente por isso que continuamos a escrever: é o nosso diálogo secreto que não tem segredo nenhum. 
Escrever, é também fazer magia. Ser mágico na nossa arte de conjugar silabas e transformar pontos finais em vírgulas. Fazer das coisas obvias o abstracto e do abstracto a respiração. Respirar palavras é respirar desabafos, histórias e pessoas. 
Há quem compreenda. Há quem compreenda só ás vezes e há quem nunca chegue a compreender. E é essa a magia. Ser incompreendido na nossa própria compreensão. É com as palavras que me entendo e nisso deposito toda a minha razão. As palavras têm duas faces e às vezes até mais. Nós apenas fazemos com elas o que queremos. Somos mágicos no nosso próprio vicio. E quanto for menor o número de pessoas que as entenda, melhor, porque às vezes (só às vezes) as palavras têm significados secretos que queremos guardar só para nós.

Desgostos de amor.

terça-feira, novembro 17, 2015


Não me lembrava da última vez que o amor me tinha deixado desgostosa, até hoje. Não me recordava que o amor é o melhor do mundo, mas também nos consegue trazer o pior que conhecemos. Nestes últimos dias relembro tão fortemente, como uma trovoada que ilumina o céu escuro, as dores que o amor pode trazer. A solidão, o vazio, a tristeza e a maldita saudade. 
Não se pode dizer que já tenha tido muitos desgostos de amor, mas este, simplesmente arrasou-me e desconfio que vale por todos aqueles desgostos que consegui passar ilesa no tempo. É assustador este sentimento que me invade e persegue até nas noites, invadindo-me com os piores pesadelos. As memórias, as expectativas de tudo o que não foi e a dor de já não ter. Não imaginei que esta despedida me tocasse assim. Não foi só o momento do adeus e das lágrimas que me tocou, são todos estes segundos, minutos, horas, que passaram e me dizem: “afinal o adeus existe”. Nunca quis acreditar no adeus, sempre assinei como “até já”, acredito que tudo o que é nosso será nosso para sempre. Mas este amor deixou de ser meu, alguém se encarregou de o terminar enquanto ainda bradava aos céus por ter conhecido amor tão grande. Lamento que a vida nos tenha trancado na memória e ao mesmo tempo selado todos os elos que tínhamos.
Oh, minha vida… como tenho saudades desse amor. Um amor tão grande, altruísta e sincero como jamais pensei conhecer. Existem vários tipos de amor, eu sei, mas este nunca pensei encontrar tão cedo. Penso nele desde o momento que acordo até que adormeço. E eu tento, juro que tento, não pensar. Mal as memórias vêm à cabeça eu tento desviar a atenção: “Vá Mariana, já passou, não penses nisso.” Mas não passa, pois não? Algum dia irá passar? Se as tatuagens são permanentes, acredito que o amor sobreviva a todas as vidas que eu poderei passar. As memórias deste amor, hão-de sempre sobreviver, hão-de sempre de me atormentar. Os sorrisos que desterramos num cemitério de lamúrias e dores, os silêncios que disseram mais do que mil sermões, os olhares cúmplices junto à almofada que segredava as palavras que não me conseguias dizer, os abraços em que me apertavas junto ao teu coração e gritavas os mil nomes que ma davas. Tenho saudades, caramba, já tenho tantas saudades e isto não passa! 
É este o mal de nos entregarmos a alguém, seja como for, porque quando acaba (ou nos forçam a acabar) tudo de bom que se viveu é transformado em facas que nos assolam o coração como se nos tirassem algo que jamais poderá sair. Esse amor, O amor, que não sai, não esquece, não muda, mas também não perdura. Aclamei ao mundo a felicidade de o ter e agora nem sei como confrontar a triste realidade de algo tão bom ter acabado. São estes desgostos de amor que nos fazem crescer, mas também que seja mais difícil de nos voltarmos a entregar. Mas hei-de sobreviver, hei-de conseguir voltar a ser a “menina” de alguém, a luz na escuridão, a ilha no meio do mar. Um dia hei-de conseguir. Hoje não. Hoje ainda tenho o coração amargurado, apático, sem saber como ripostar a este desgosto que me assolou a alma há uma semana atrás.

Reflexões

De volta a casa e ao desemprego.

quinta-feira, novembro 12, 2015

Acabei hoje de arrumar, pelo menos a olhos vistos, aquilo que na terça-feira passada depositei aqui. Trouxe num carro, que percorreu 300km, a vida que me preencheu, aterrorizou e surpreendeu durante nove meses. Pois é, hoje volto-vos a escrever da mesa com vista para a montanha ao som dos chilrear dos pássaros. Volto-vos a escrever da minha casa (que é como quem diz a casa dos pais). 
 Tudo isto quer dizer, infelizmente, que sou outra vez uma psicomotricista desempregada. É uma triste realidade esta em que me encontro mas estou a tentar ver o lado positivo de tudo isto. Se há lição no meio disto tudo é que o que quer que se faz vale sempre a pena. Mesmo as mais duras despedidas têm o seu lado positivo, mesmo as lágrimas têm a sua alegria. Como haverei de me esquecer dos sorrisos, dos abraços, dos poemas, das gargalhadas, das cumplicidades e de uma despedida tão grande perdida por entre abraços cheios de saudades? 
 Não me arrependo da decisão de desafiar a minha zona de conforto. Adorei Mafra. Foram os nove meses onde cresci mais pessoal e profissionalmente. Quem diria que eu realmente ia conseguir dar uma sessão a 37 pessoas?! Ou que aos 21 já estar num sítio por minha conta e risco sem praxes para me salvar?! Agora, que voltei, sei que tenho muitos mais desafios à minha frente. E a superação da zona de conforto ainda terá que ser maior, afinal, casa dos pais sempre foi sinónimo de miminho e descanso e não de “vamos enviar cv’s e tentar arranjar trabalho”. Hoje começou uma nova etapa. Que venha ela!

Estilo de vida

Celebração dos 22 anos: Vegan e com cartas!

quarta-feira, novembro 04, 2015

Nas últimas semanas ansiei o dia em que fazia anos. Não por achar que fazer vinte e dois anos de idade fosse especial (tal como não acho os dezasseis, os dezoito ou os quarenta), mas por querer que fosse. Neste último ano sinto que cresci mais do que estava à espera e que superei todas as minhas secretas expectativas. Nunca pensei que aos 22 anos estivesse numa cidade a três horas de distância dos meus pais e de tudo o que me era conhecido, nunca pensei ter um projecto e um blog só meu, nunca pensei continuar vegetariana... e mais uma série de coisas que se continuasse a descrever ninguém leria isto. Por isso, e por tantas outras coisas, senti que estava na altura de celebrar à minha maneira: à grande e à vegetariana!

Apesar de ter criado muita ansia à volta do meu dia de anos (31 de Outubro) creio que secretamente o fiz porque sabia que ia ser um dos melhores dias do último ano. A verdade, é que este dia superou a minha ideologia de "dia de anos perfeito". Porquê? Porque consegui estar com a maior parte das pessoas que queria e fazer este dia, realmente o "meu dia". Houve torradas para pequeno-almoço e beijinhos de bom dia. Houve almoço vegetariano (no Pé d'Arroz que recomendo vivamente) e cafézinho na Foz. Houve panquecas de banana para o lanche, muitos abraços e confidências e chá. Houve jantar vegetariano e festa até às 5h da manhã rodeada dos melhores amigos e das melhores conversas. Na suma, foi um óptimo dia. Mas, bem, o que eu realmente queria partilhar com vocês é a festa e os preparativos para a mesma.


Vamos começar pela comida. Há cerca de um mês fui "diagnosticada" com colesterol hereditário então para além de, como já fazia, banir peixe e carne da minha alimentação também comecei a banir tudo o que era produto animal. Por isso mesmo, resolvi fazer uma festa com coisas saudáveis. O bolo de aniversário foi a coisa mais pecaminosa mas vegan: Bolo de Cacau com recheio de chocolate e cobertura de chocolate do livro "Cozinha Vegetariana para Quem Quer Poupar" da Gabriela Oliveira. Fiz questão de soprar vinte e duas velas e de explicar que aquele bolo delicioso que estavam a comer não tinha ovos, nem nada animal! Não me importava que este fosse o bolo de todos os meus aniversários até aos fins dos meus dias. (Ah, já agora, super fácil de fazer e muito melhor do que os das pastelarias)

Para complementar a mesa, fiz as bolinhas de coco e cenoura do blog Not Guilty Pleasure (que foram devoradas!!), as trufas de cacau do blog Compassionate Cuisine, o salame de chocolate do blog Vegan aos 30 (chegaram a dizer que este salame sem açúcar e sem ovos era bem melhor que o original) e para terminar: copinhos de gelatina com três sabores. Tudo isto acompanhado com três tipos de chá: Rooibos com Chocolate, Chá Branco com Papaia, Ananás e Morango e Chá Verde com Hortelã e um belo Champanhe.

Todas estas receitas são muito fáceis de fazer e não levam açúcar (excepto o bolo). A única dificuldade foi escolher as sobremesas que queria fazer, porque havia imensa escolha de coisas saudáveis!

Depois para complementar a festa, resolvi escrever uma carta a cada pessoa que compareceu. No total escrevi cerca de 20 cartas. Mas porquê? Podem perguntar vocês. Fácil. À medida que o tempo passa e a distância aumenta entendo que a nossa vida não é assim tão importante se não tivermos as devidas pessoas com quem a partilhar e saborear. E que, muitas vezes, as pessoas se não as relembrarmos não se lembram que são um bocadinho do nosso sorriso e parte importante do nosso mundo. Este ano resolvi relembrar as minhas pessoas do quanto eu sou delas e do quanto delas tenho em mim. Relembrei e agradeci, porque ao fim ao cabo, vinte e dois não significam nada se não tiver as minhas pessoas, que me acompanham desde o berçário ou do primeiro ano de escola, ou de faculdade... Tenho sorte de ter as minhas pessoas, bem como tenho a sorte de te "ter" a ti que me lês. Portanto obrigado a eles e a TI, por a cada dia que passa me fazerem mais feliz. 

Um xi-
Mariana.

Não me mintas, mas será que é verdade que ainda te amo?

quarta-feira, novembro 04, 2015

Vi-te a passar por mim na rua, estás mais magro e mais bonito. Tens o cabelo mais curto, usavas uma camisola branca e um cachecol azul-marinho, tinhas a barba por fazer e o teu olhar ocupado com os sonhos que te preenchem. Estás bonito, homem. Bem mais bonito do que no dia em que te conheci. Ainda te lembras? Usavas uma camisola castanha que destoava completamente com o teu cabelo e com a leveza do teu sorriso. Mas condizia com a sobriedade do teu abraço. Lembrar-me disto e sorrir, como se ainda fosse a rapariga de cabelo comprido e despenteado, faz-me pensar naquilo que senti quando o meu olhar te seguiu. Não me mintas... mas será que é verdade que ainda te amo? Não sei. Acho que o amor nunca se foi, mas também nunca ficou. 
Dizem que o amor é concreto e não há espaço para dúvidas. A verdade é que o nosso amor sempre foi uma casa abandonada com riqueza de luz. Nunca houve nada concreto em nós: como se todos os beijos tivessem sido dados de olhos fechados e no escuro da noite sem permissão para descobrir verdadeiramente o que se passava. E as dúvidas foram sempre a assinatura que finalizava todas as nossas cartas, mesmo aquelas que não te entreguei. Não me mintas... mas será que é verdade que ainda te amo? 
Quando te vi, não quis acreditar, pestanejei duas vezes seguidas. Exactamente do modo que eu fazia quando me ligavas às seis da manhã só para me acordar. Existem momentos na realidade que parecem extraídos de um sonho e torna-se difícil de acreditar. Ver-te, porém, não sei se foi um sonho ou um pesadelo. Não sei se o meu coração sorriu ou chorou. É bom ver-te, assumo, mas rever-te como quem és, é horrivel. Faz-me sentir saudades da tua barba no meu pescoço, da tua mão a entrelaçar a minha. Oh, não me mintas..., mas será que é verdade que ainda te amo? Quer-me parecer que sim nesta minha certeza nula. 
Naquele dia, estava no café de vidro no centro da praça. O mesmo café onde nos encontramos tantas vezes. Nunca deixei de lá ir, sabias? Mesmo quando entrei lá a derramar lágrimas e em todas as vezes que sai de lá vazia, nunca deixei de lá ir. Tu, contudo, sei que nunca mais foste lá. Já não havia o teu perfume no ar, e deixaram de fazer aqueles bolos com frutos vermelhos que tu tanto gostavas. Hoje foi mais um dos tantos em que te esperei. Mas hoje, encontrei-te. Lá fora. Há quanto tempo não percorrias as ruas desta cidade e do meu coração? Há tanto tempo que duvido como ainda conseguias caminhar como se tivesses a determinação de estar a percorrer o caminho certo. Sempre pareceste saber para onde ias, ao contrário de mim que sempre andei a naufragar num mar em dia de tempestade. Talvez por isso tenhas entrado tão rápido no meu coração: porque sabias exactamente para onde ir. 
Acho que ainda hoje sabes. Desconfio que quando passaste à minha beira sabias que o meu coração ia disparatar umas quantas memórias no vazio da nossa existência. Estranho, como já deixamos de ser nós, não é? É. Desconfio também que sabias que mal te vi ia pensar em como estarias, com quem estarias e roer-me de inveja por alguém te ter e não eu. Ai... meu amor, não me mintas, mas será que é verdade que ainda te amo?

Reflexões

Mudanças ou nem acredito que estou quase nos 22!!

quarta-feira, outubro 28, 2015


Nunca fui daquelas pessoas que contava os dias que faltavam para o seu aniversário, nem que planeavam o dia com uns valentes dias de antecedência. Pelo menos, não me lembro de ser assim. Entretanto, hoje, a escassos dias de fazer 22 anos apercebo-me que afinal sou mesmo uma dessas pessoas. Tomo noção que estou há mais de duas semanas a dizer (sem intenção) a minha data de aniversário, e a planear secretamente os dias: as sobremesas, as ementas, o sítio, as companhias... Afinal, eu sou uma rapariga que gosta de celebrar e saborear cada segundo. O que me faz recordar isto que escrevi aqui e voltá-lo a sentir plenamente na alma: 

"Celebramos porque estamos vivos e essa é a maior celebração de todas. Celebro por e para me sentir bem. Porque não há nada melhor que vestir o vestido bonito e sair para um jantar à luz das velas ou confeccionar um prato diferente para os meus e acrescentar um licor no final da noite. Seja o que for, celebro, porque no final há sempre um brinde a "nós", que estamos vivos. E é tão bom! Portanto, vamos celebrar? Vamos! Vamos enfeitar o sorriso, decorar o olhar e aconchegar estes corações que batem cada vez mais ao som alucinante que ritma esta vida. Celebramos, pois então: a vida, os momentos. Celebramos porque ninguém o vai fazer por nós e afinal, cada um de nós, celebra como bem quiser!"

A dois dias de fazer anos, decidi começar a celebrar antecipadamente e resolvi dar-me uma primeira prenda. Voltei a mudar o aspecto do blog: gostam? Este blog é, sem dúvida, um dos meus maiores orgulhos e porto de abrigo, portanto é óbvio que também ele precisa de miminhos de vez em quando. Gostava de refazer a promessa que ia estar mais presente aqui, mas não é fácil. Até porque agora todas as minhas energias estão voltadas para o planeamento do meu dia de anos... Afinal não é todos os dias que faço vinte e dois anos (adoro números pares!), portanto mais vale aproveitar, celebrar e partilhar! (Mais tarde partilho tudo aquilo que estou a planear para o dia... prometo!) Pode ser que os 22 me tragam mais organização para vos partilhar tudo aquilo que quero, mas que não consigo encaixar na minha agenda. 

Reflexões

Que a (nossa) vida seja sempre em lua de mel.

sábado, outubro 10, 2015


É verdade, sou uma romântica incurável. E em termos de romance, a Natureza é o meu amor favorito. Sou capaz de estar horas a observar o céu, a contar as estrelas e a desafiar a velocidade das nuvens. Sou capaz de me perder sobre as folhas de uma árvore ou de contar os malmequeres num relvado. Sou uma romantica e como todos os românticos sabem, o amor mais do que tudo é uma coisa bela. E eu vejo-as, essas coisas belas em tudo o que me rodeia: seja em aldeias desertas ou em cidades caóticas. Seja num castelo abandonado ou num monumento muito conceituado. 
No romance que é a minha vida, há uma deixa que encerra quase todos os capítulos "Fui muito feliz aqui". Por isso, é normal (e talvez um bocado chato para quem ouve, admito) quando se fala de alguma terra que eu já tenha visitado eu dizer "já fui muito feliz aí". Não o digo para me gabar da minha felicidade, nem pelas rotas por onde a vida já me levou, digo porque há cidades que levo no coração. Assim, simples e romântica. (eu não disse que era romântica?) Felizmente, são quase todas as que visitei. Consigo recordar-me do silêncio do Parque Corgo, das chuvas torrenciais de Vilarinho de São Roque e do cheiro a orvalho perto de minha casa. São sítios, mas às vezes são muito mais que isso: são memórias, pessoas e luas de mel.
Disseram-me recentemente numa conversa que tive sobre algumas terras onde já vivi "se eu for de lua de mel com o meu marido para esses sítios também seria feliz." Curiosamente em todas as cidades onde já fui muito feliz, aterrei lá completamente sozinha e lua de mel nunca tive uma (nem casamento, portanto). Acho que isso da "lua de mel" é um estado muito ilusório. Mas sem colocarmos a opção de lado, então escolho que no meu romance vou por aí à descoberta de novos sítios na lua de mel da minha própria vida. Para que hajam sempre sítios lindos, onde certamente serei muito feliz. Se a felicidade depende da lua de mel (para algumas pessoas) então que seja a nossa própria e exclusiva lua de mel, sem precisar de maridos ou mulheres. Nossa, só nossa. Vamos?

Leituras

Sputnik, meu amor.

segunda-feira, outubro 05, 2015

Durante muito tempo a leitura (em conjunto com a escrita) foi o meu maior escape. A minha mãe conta-me que ainda eu não sabia ler e já inventava as histórias que fingia ler nos livros. A verdade, é que os livros sempre foram a minha maior companhia e refúgio. Durante um grande período da minha vida li como quem consumia oxigénio. E nunca houve nada que me fizesse parar. Mas a verdade é que o fiz. Desde que comecei a trabalhar, troquei a leitura pela novela. Cliché e errado, devia eu saber. A novela terminou e eu jurei que tão cedo não ia voltar a perder tempo com qualquer programa desse género. E foi com essa promessa e surgiu a oportunidade de me entregar novamente ao "meu amor".

Noutro dia estava a pensar quais os motivos válidos que me fizeram afastar de algo que me dá tanto prazer. Não os encontrei. Creio que a leitura é como conduzir um carro que sobe por um plano inclinado. Se paramos, custa mais voltar a arrancar (pelo menos para mim que não sou grande fã do ponto de embraiagem). Com a leitura, desconfio, passa-se exactamente o mesmo - e provavelmente não será só com a leitura - parar, de forma quase permanente, é quase sempre a morte do artista. Custa a voltar, a recriar os hábitos. Mesmo que seja por uma coisa tão boa quanto é a entrega ao doce prazer da leitura


Voltei a ler, sem olhos cansados e bocejos pelo meio, o livro do Haruki Murakami. "Sputnik, meu amor". Já tinha ouvido falar deste escritor, mas foi numa noite em Tavira que me ofereceram este livro. Durante uma semana foi a companhia silenciosa, misteriosa e aconchegante dos meus pequenos-almoços, finais de tarde e noites. Não parei de ler até chegar ao fim. Só a ideia de voltar a desfolhá-lo fazia com que o meu coração palpita-se. Não sei se era das saudades que eu tinha de me entregar a um livro ou se da forma como realmente fiquei incrivelmente entregue aquela história. Às descrições fenomenais, às frases que permaneceram na minha memória e aos cheiros e paisagens que quase consegui viver. Sei que este livro foi a minha primeira mudança num plano inclinado que não quero parar. Na página final, desejei que o livro não acabasse. Relatei a história do livro a quem não conhecia e a quem conhecia falei sobre a história, das coisas que havia para discutir, para descobrir (a escrita nunca é uma arte directa, há sempre segredos a descobrir). Dizem que os grandes caminhos começam com um primeiro passo. O meu primeiro passo, foi extremamente bom e recomenda-se.

***


"Foi um amor intenso como um tornado abstendo-se sobre uma vasta planície -, capaz de tudo arrasar à sua passagem, atirando com todas as coisas ao ar no seu turbilhão, fazendo-as em pequenos pedaços, esmagando-as por completo. Com uma violência que nem por um momento dava sinal de abrandar, o tornado superou através dos oceanos, arrasando sem misericórdia o templo de Angkor Vat, reduzindo a cinzas a selva indiana, tigres e tudo, para depois, em pleno deserto pérsico, dar lugar a uma tempestade capaz de sepultar sob uma mar de área toda uma exótica cidade fortificada. Em suma, um amor de proporções verdadeiramente momentais."

Reflexões

A memória dos dentes e do coração.

sábado, setembro 26, 2015

Usei aparelho nos dentes durante um ano. Quando deixei de ter ferrinhos nos dentes e um sorriso metálico, deram-me uma contenção para os dentes não voltarem a ir para o sítio errado. Nem sempre a uso. Ontem, ao falar disso, disseram-me: "É mesmo importante que a uses. Sabes, os dentes, têm memória." A conversa continuou, de dentes passamos para outros assuntos mais importantes e nunca mais voltei a pensar nisso. Até agora.
Se os dentes têm memória e são tão pequeninos, como será a memória do coração? Se libertarmos os dentes, sem contenção, eles voltam ao sítio? E o coração? Que acontece, se o deixarmos ir para o sítio onde esteve antes? Talvez largar a contenção do coração, será também ir até onde o coração nos levar. Mas e se a memória dele estiver estragada? E se não passar apenas de memórias? Todos temos memórias, boas e más (esperando sempre que sejam sempre mais boas que más). E se o coração, quando o libertarmos, for atrás de tudo aquilo que nos ficou tatuado no cérebro e na alma?
O facto do coração ter memória e não apenas ser a nossa consciência a tê-la explica muita coisa. Explica porque é que existem dias em que nos apetece a torrada que comíamos na manhã na faculdade e um compal de pêssego, entre outras coisas. Explica porque é que trocamos nomes e porque é que às vezes existem vontades inexplicáveis de voltar a sítios onde fomos tão felizes (ou não). Explica também, sem forma de maior justificação possível, porque é que sentimos saudades de pessoas que nos fizeram tão mal e que o nosso desejo deveria ser antes nunca mais as ver. Se o coração tem memória, e eu cá não duvido que tenha, ela é matreira e não a controlamos minimamente. Se o coração sente, nós sentimos, e às vezes não há contenção que nos valha, porque o que entra na memória do nosso coração, entra na nossa vida para sempre.

Reflexões

Quando nos afogamos (com palavras).

segunda-feira, setembro 07, 2015

{Image by Digpik}

Existem palavras que nos atacam como a água fria ataca o nosso corpo quente, quando a luz falta e o esquentador não liga, ou então a botija de gás já não tem mais energia para nos dar (como nos acontece tantas vezes em relação a este mundo). São, certamente, palavras que nos chocam e magoam. Mas palavras elas, que também nos fazem mergulhar num mar de sentimentos, introspecção e reconhecimento daquilo que somos naquele exacto momento em que nos afogamos. Perceber, ouvir e encarar aquilo que somos quando o chão some e a respiração é a única coisa que controlamos nem sempre é fácil. É o centro de nós: as memórias que passam, os arrependimentos que surgem e todas as palavras que anteriormente ouvimos fazem sentido. 
As palavras água-fria ou pedra-na-janela. Palavras, simples frases, que entram pelo nosso ouvido passando pelo nosso corpo apenas para nos acordar e contagiar cada pequena célula de vida com uma revolução. E nos fazem perguntar, duvidar daquilo que somos até agora. Seremos aquilo que pensamos ser? Entre a dúvida e o medo venha o diabo e escolha qual a melhor para habitar em nós.
Existem palavras que nos afundam, que fazem com que nos percamos de nós mesmos. Mas existem também palavras que logo após nos afundarem nos trazem à mó de cima. Palavras que só permitem três segundos debaixo de água gelada para percebermos que, quando não temos nada, quem somos verdadeiramente. 
Existem palavras que nos afundam e nos salvam. Que nos prendem e nos libertam. E enquanto a liberdade: dos nossos medos, dúvidas e fantasmas, for o seu objetivo, que venham elas. Vamos aguentar mais um afogamento, vamos despir-nos um bocadinho menos de rodeios e vamos deixar que estas palavras nos salvem. Sim? 

Reflexões

Quem nos mandou deixar de sentir?

terça-feira, setembro 01, 2015

Enquanto defendermos o melhor do mundo, todo o mal nos vai acontecer. Enquanto acreditarmos que existem sorrisos verdadeiramente sinceros e abraços onde os corações se tocam, vamos magoar-nos. Enquanto acharmos que por detrás de uma porta de ódio está uma casa de amor, viveremos numa cidade deserta. Esperar pelo melhor, viver pelo melhor, é a maior extinção do planeta onde vivemos. Estamos proibidos de pensar assim. Porque se assim for, somos crianças, nunca fomos magoados e o mundo não passa de uma utopia.
Mas será mesmo? Porquê, pergunto-me, a partir de uma certa idade nos violam os sonhos e espancam as asas? Porque é que somos proibidos de sonhar? Porque não pudemos viver com a cabeça preenchida de sonhos em vez de preocupações mesquinhas? Porque é que, enquanto o tempo passa, somos bombardeados com oposições ao nosso olhar, como se um momento para o outro, as pessoas deixassem de sentir o brilho que ele emana? Aliás, como se de um momento para o outro as pessoas deixassem de sentir. Porque somos condenados em vidas fechados em nós mesmos, em noites adormecidas nos nossos próprios braços (mesmo que ao nosso lado esteja um corpo para nos aquecer)? Porque crescemos vivendo com o coração mutilado e com défices de esperança e de vontade de mudar?
Às vezes, admito, não quero crescer mais. Não quero pertencer a um mundo, tão cruel, que diz que a magia é pura história e que um beijo não passa de um ato físico. Não, assim não quero existir. Quero um mundo onde a magia esteja em cada chá partilhado, em cada noite de chuva a bater na janela e nos sussurros que o vento emana com a brisa que cheira a pós de fada.  Quero existir num mundo em que um beijo é uma troca de palavras, de corpos, de energias. Em que um beijo, seja tão mais do que um beijo, mas também um compromisso para o momento.  Ai, e quem nesta vida não tem falta de beijos? De comprometer-mo-nos com o agora, com este momento, este segundo, este latejo de coração. Não amanhã, não o “a-seguir-tenho-que-ir-fazer-uma-coisa-qualquer”. Agora. Já. O momento que vivemos.
Quero existir num mundo em que se vive, com sonhos, quedas e disparates sem julgamentos. Em que haja tempo para saudar o sol e sentir o vento. Em que se possa libertar o mar que há em nós sem duvidar se o que nos ampara é uma pedra ou um crocodilo. Quero um mundo onde se confie: na mão amiga, num segredo que não se espalha, num julgamento sem ressentimento. Na mudança e no optimismo. Quero um mundo em que se confie num ser humano. E não nestes seres, que somos, onde a humanidade é tão rara e a imunidade ao sentimento é cada vez maior.
Sei que enquanto fizer parte desta espécie humana (dos que ainda o são) todo o mal me vai acontecer. Porque neste caminho que percorro, sou cada vez mais solitária. Cada vez menos encontro quem compreenda estes desabafos que escrevo aos céus. Cada vez aqueles que, como eu, transparecem a alma e caminham com um sorriso na cara e o coração nas mãos. Enquanto desafiar as leis desta desumanidade e resistir a este ambiente tão tóxico, apático e descrente que nos rodeia, irei falhar segundo quem me observa. Vou perder talvez todo o discernimento por continuar a acreditar numa realidade que para a maior parte das pessoas já é um conto de fadas. Sei-o bem. Mas no final, o que importa, mesmo que todo o mal me aconteça e afinal tudo aquilo que me suporte seja um bando de crocodilos (o que duvido – haja optimismo!), mesmo que fique cheia de cicatrizes, nunca desistirei de mim. Não desistir em continuar a abraçar as pessoas de olhos fechados, para os corações falharem e lhes dizer: psiu, ainda há esperança, enquanto estivermos juntos nem todo o mal do mundo nos pode acontecer.

Reflexões

"ter uma casinha branca de varanda, um quintal e uma janela, para ver o sol nascer."

domingo, agosto 30, 2015



De todas as viagens que poderei fazer não há melhor do que o regressar a casa. Mesmo que o regressar não seja assim tão concreto, porque há sempre uma viagem de retorno. E despedidas com o coração de luto e abraços que parecem durar menos do que um segundo e tão mais do que a promessa de uma vida. De todas as viagens, a minha casa será sempre o meu destino favorito. O local que mesmo que o gps não funcione, eu sei sempre como chegar. E sei sempre como a encontrar. Com o cheiro a comida na cozinha e a incenso no hall da entrada, com um sorriso na cara e um alívio no coração. Estou dentro das muralhas do meu castelo, não há guerra que entre, não há ninguem que me chegue, estou a salvo.
A minha casa (ou deverei dizer a dos meus pais?) será sempre o meu sítio favorito em todo o mundo. Disso, tenho eu a certeza. Nem quando acampei nos mais belos sítios da Suiça ou Eslovénia senti tamanha paz do que sinto agora, enquanto escrevo este texto e oiço o vento passar pelas folhas dos sobreiros, sinto o perfume das rosas que a brisa arrasta e oiço de longe os patos a chapinharem no lago. Se nasci para ter uma casa de sonho, é esta com certeza. E se nasci para morar em algum sítio: foi este. Foi este campo, este céu, esta calmaria que me relaxa. Sei que o meu lugar é aqui, bem junto ao amor e à paciência que a bondade gera. O meu lugar é em casa. Na minha, e nossa, casa. Mesmo que esta casa não seja tão casa assim nos últimos tempos, nem tão minha, e se desloque antes para um retiro. É. É isso que és agora, casa. És o meu retiro de fins-de-semana fora da outra casa. A minha meditação, o meu relaxe, o meu "eu" quando preciso me afastar de tudo o resto.
Quem me dera, devo admitir, poder-me trancar aqui uma semana seguinte e passar os dias a tratar da estufa, da horta e das ervas aromáticas. Ou então alimentar os pintatinhos que com três semanas ainda parecem tão pequeninos. Quem me dera, acordar com o nascer do sol por detrás dos mesmos montes onde mando estrelas para o céu nas noites estreladas. Quem me dera poder passar as tardes a reler os livros da biblioteca deitada sobre o relvado e falar com as formigas em dialectos que nem eu, nem elas, compreendemos. Quem me dera ter, tudo o que já foi tão (m)eu e a vida agora afastou de mim. Será castigo? Ou será para fortalecer este sonho de uma casinha no campo com uma família feliz? Seja como for, de todas os destinos do mundo, não há melhor do que este.

Estilo de vida

Como as pessoas mudam.

quarta-feira, agosto 19, 2015


Muita coisa mudou ultimamente. Mudei de cidade, de vida, de estatuto. Mas sei, sinto, que acima de tudo mudei de atitude perante a vida. Hoje, antes de ir trabalhar, olhei-me no espelho: fui de cabelo atado, leggins pretas, sapatilhas, túnica branca com top desportivo e uma mala cheia de comida, água e um livro sobre corrida. No caminho até ao trabalho fiquei a pensar em como mudei.
Se há uns anos atrás me dissessem que eu ia vestir todos os dias fato de treino (fosse para trabalhar ou para simplesmente fazer desporto) eu não acreditava. Se há uns anos atrás me dissessem que eu me ia gostar de ver de cabelo atado, sem fazer desse estilo um castigo, eu não acreditava. Sempre achei que tanto o cabelo atado como os meus queridos fatos de treino me faziam mais gorda, mais desengonçada. Agora, gosto de me ver de fato de treino, assumo como algo que sou. A vida pintou-se assim. Para me ensinar que as coisas mudam, têm que mudar, e que nada é nesta vida é fixo. E que, até, se olharmos bem: tudo na vida tem a sua beleza. Primeiro como obrigação adoptei este estilo de vida (no curso tinha que ir para as aulas práticas de fato de treino todos os dias e de cabelo atado), agora este estilo de vida é o meu. E sinceramente, já não queria que fosse outro.
A vida muda-nos. E nós fazemos com que essa mudança aconteça. Sei também que eu mudei quando fico frustrada por hoje não conseguir ir caminhar. Para além da escrita, da culinária, adoptei uma nova terapia: a caminhada. Todos os dias faço 6km de caminhada/marcha por dia. Comecei a fazê-lo para dar um empurrão à dieta. Agora, não vivo sem eles. São recuperadores para a minha cabeça, para os meus musculos, para o meu coração, para a minha alma. São o meu desligar, o meu meditar. O meu esforço que me acalma, a minha dedicação que me desconecta deste mundo. Chego a acordar dias às 6h30 para fazer caminhada. Hoje não fui. Magoei-me num pé (uma ferida na zona do calcanhar) e caminhar não tem sido tarefa fácil. Senti-me triste, frustrada até. É um momento tão bom... então, em vez disso, fui para o jardim (a minha paixão pela Natureza nunca muda) e pus-me a ler a minha nova paixão: o meu livro sobre corridas (oferecido por uma amizade de longa data). Já que não ia correr, ao menos lia sobre isso..
As pessoas mudam, a vida muda, os tempos mudam. E é a estas mudanças que brindo todos os dias, pois são elas, afinal de contas, que me transformam naquilo que mais sou: um ser humano em crescimento, em avanço, em desenvolvimento. Porque, se nem as árvores estagnam, porque eu iria eu parar quando posso sempre melhorar? 

Voltei...!

terça-feira, agosto 18, 2015


Voltei, sem ter saído daqui, sem férias, sem grandes novidades para contar. Mas voltei: aqui. A nós, a vocês, a mim. Voltei aos livros lidos de madrugada, ao chá logo de manhã, às fotografias ao acaso e às caminhadas meditadas. Voltei ao bichinho da escrita de querer descrever cada alegria, cada tristeza, cada suspiro da minha existência nesta casa. Na minha casa, no meu blogue. Voltei, com garra, força e um sorriso no rosto, pronta para coordenar tudo aquilo que mais amo fazer (afinal, vida de trabalhadora não é nada fácil, pois não?). Voltei, com menos cabelo e menos quilos, com mais energia e mais desafios. Voltei para ficar, aqui, ali, onde quer que a vida me levar. Porque afinal, nómada uma vez, nómada para sempre. Voltei ao sítio do costume, e vocês prontos para se reabituarem ao costume deste sítio?

Cinco estrelas no céu.

sábado, julho 04, 2015

Cresci acreditanto que nada acontece por acaso, que há uma lição em cada coisa boa ou má que nos acontece. Mas às vezes a vida troca-me as voltas e desorienta-me nesta minha crença. Nem sempre compreendo as suas lições. Hoje, quando soube da tua partida, resignei-me a acreditar. Não é possível, saber que mais uma parte de mim morreu, assim, sem deixar aviso prévio. Ainda tenho esperança que isto seja uma brincadeira de mau gosto do destino e que ele resolva que afinal te quer manter connosco, com as tuas gargalhadas, o teu sorriso rechonchudo e os teus abraços apertados. Não percebo, meu bem, como é possível não te voltar a ver, não voltar a termos as nossas brincadeiras e o teu carinho tão especial. Quando soube a notícia, devo-te dizer que uma parte de mim foi-se embora contigo. 
Sempre acreditei que esta doença maluca não te ia levar da nossa beira. Tive esperança, até ao último segundo que recuperasses. Se havia alguém que tinha força para o fazer, eras tu. Mas diz-me... porque quis a vida levar-te de nós? Porque quis ela que este sofrimento começasse a ser parte sistemática dos nossos dias? Se a vida é justa e se tudo acontece por uma razão, porque é que ela te levou de forma tão injusta para longe? Podes dizer-me que "amar é deixar partir", mas a única partida que associo a ti, é quando fazíamos as malas para os fins-de-semanas maravilhosos que passamos todos juntos. Somos família, daquela especial que se escolhe e não se larga. E sei, que tu nunca nos vais largar. É essa a lição que queres que tire disto? Oh vida... eu já sabia que há pessoas que ficam connosco para sempre, escusavas de ser tão injusta.
Escusavas de encher os nossos corações de um vazio que nunca vai passar. Do pensamento corrente de "é mesmo verdade?". Passem os anos que passarem nunca vou acreditar que te levaram de nós.
Tenho sonhado todos os dias contigo. E de tudo aquilo que não te disse nos últimos anos, porque não estivemos tantas vezes juntos quanto queríamos e um postal de Natal é breve demais para te transmitir tudo o que queria. Sinto uma tristeza enorme por saber que tudo isto não passa de um sonho e estas palavras... nunca as vais ler. Diz-me só, se existe lição nesta tua partida, qual é... porque eu bem penso e não há nada de bom, nem uma pequena aprendizagem em te dizer adeus.

Cosmética Natural

A melhor aquisição dos últimos tempos.

segunda-feira, junho 22, 2015

Depois de muito pensar no rumo deste blogue, tomei a decisão que nunca mais ia fazer review de produtos que me mandassem. Mas que continuaria a divulgar, sem interesse, os produtos que achasse que valia a pena falar. Até porque apercebi-me que não há melhor coisa do que criar relações com as pessoas que realmente fazem as coisas. Por isso é que a Susana, da ArteSana, é a melhor artesã de sabonetes que eu conheço, a Rita Correia a melhor ilustradora, a Gabriela Oliveira a melhor escritora de livros de culinária, e por aí adiante. Gosto de pessoas que, para além de serem profissionais com o seu trabalho, conseguem também criar relações com os compradores/admiradores do seu trabalho. Acho que esta proximidade entre cliente - fornecedor é algo de louvar e é, sem dúvida alguma, uma das melhores coisas do artesanato. Bem, isto tudo para dizer que o que vou falar agora, envolve duas artesãs que eu gosto muito, bem como admiro e conheci graças a este meu pequenino blog. Sinto-me uma sortuda. 


Pois é, hoje falo-vos da parceria que a Susana (ArteSana) e a Cristina (Mint Handicrafts) criaram entre elas. Primeiro fiquei muito feliz por saber que ambas se conheceram graças a mim. Gosto de saber que pessoas bonitas conhecem mais pessoas bonitas e que o mundo está ligado por mãos carinhosas. Afinal, sempre vale a pena partilhar os meus pareceres, não é? :) Segundo, mal vi este novo produto, tive que o comprar. 

Como já disse há uns tempos, no In my Way to the Green Beauty, deixei de usar gel de banho. Converti-me totalmente aos sabonetes. Só que o meu grande problema era onde os pôr e como os conservar sem desperdiçar metade. Esta solução é a ideal para quem usa o sabonete todos os dias, aproveita-se todo, sem desperdicio, e aproveita-se e faz-se uma pequenina exfoliação. Os soap savers ainda para mais são super giros. O meu é igualzinho ao da foto, mas há mais cores e feitios. Melhor do que isto? Impossível. Já nem digo mais nada. Quem usa sabonete vai perceber como isto é milagroso. Aconselho! Muito bom. 

Um xi-
Mariana.

Mãe.

terça-feira, junho 16, 2015

Hoje quero voltar a ser pequenina. Quero voltar a ter os cabelos encaracolados e ser mais baixa que tu, como se me pudesses esconder e proteger nesse teu abraço que é maior que o mundo, mas mais aconchegante do que a cama numa noite de Inverno. Mãe, quero ser sempre a tua pequenina, está bem? Quero ser sempre a primeira pessoa que escolhes encher de beijinhos no pescoço e a tua melhor amiga. A tua princesa e a tua reguila. Quero ser o motivo do brilho do teu olhar e a razão do teu sorriso... tal como tu és para mim. Este amor que é tudo, Mãe.
Hoje vamos fazer o tempo voltar atrás. Vamos para as noites em que me escondia na tua, vossa, cama enquanto o pai não chegava só para me abraçar mais a ti. Colocar os meus pés entre as tuas pernas e sentir o teu carinho em todo o seu esplendor. Mãe, minha mãe, não há carinho como o teu. E eu sou a pessoa que melhor o sabe receber. Sou teimosa, mas a teimosia ainda é mais se algum dia tiver que abrir mão de ti, que és tão minha... como eu sou tua. Sabes, não há lágrimas como as tuas no meu abraço. E não há saudade tão querida como esta, que me corrói o peito e me faz escrever textos em noites solitárias. Queria que estivesses aqui, nesta sala, a cuidar de mim. Porque afinal, eu não sou assim tão crescida e preciso do miminho teu a toda a hora. 
Mãe, vamos falar sobre histórias de caracóis e de festinhas nas costas? Vamos ver filmes da Disney e fazer bolos a tarde inteira? Mãe, quem me dera ser a tua pequena e poder ter o teu beijinho esta noite. Tenho saudades tuas. E eu... só queria um abraço teu, nada mais. Mas se pudessemos conversar o resto da noite também não me importava nada. Há algo de único na forma de falares, a tua voz parece mel a passear no vento, é tão doce, como as framboesas acabadas de escolher. És única. Tens esse teu carinho que me preenche como o sol ilumina o céu, esse teu sorriso que me dá um caminho quando me sinto tão perdida. Mãe. Minha Mãe, minha tudo, minha casa, hoje as saudades são tantas, tantas, que não queria saber de nada, só por um beijinho teu. Mas daqui a nada já estou nos teus braços outra vez e o mundo faz sentido outra vez. És a mais bonita do mundo. Gosto muito de ti, Mãe. 

Reflexões

A urgência de acalmar e aproveitar o tempo.

quarta-feira, junho 03, 2015


Acredito cada vez mais que quando algo não está bem o nosso corpo avisa-nos. É o primeiro a dar o alerta, mas nem sempre nós somos os primeiros a ouvir. Por isso, às vezes ele tem que tomar medidas drásticas. Isto para vos dizer que esta semana aconteceu-me uma coisa - a mim e ao meu corpo - que me fez acordar para uma situação que nem sabia que existia.
Na segunda-feira, tinha acabado de chegar ao trabalho, quando não sei como nem porquê cai das escadas abaixo. Contei uns seis degraus num pumbas-contra-pumbas, até que só parei quando atingi o chão seguro e estável. Da queda fiquei com o corpo marcado de sangue, nódoas negras e algumas dores. Mas não é aos danos corporais que me quero referir. Quando, mais tarde contei o que se tinha passado, alguém me respondeu: "estava mesmo a ver que isto ia acontecer, andas sempre numa correria." E é precisamente disto que quero falar hoje. 
Durante algum tempo eu queria ser daquelas pessoas que têm a agenda cheia, que têm intervalos contados para respirar e vinte e quatro horas completamente planeadas e preenchidas. Achava que o síndrome de agenda cheia era o mesmo que "aproveitar o tempo". Enganei-me. O síndrome da agenda cheia a maior parte das vezes é o equivalente ao síndrome da frustração. Porque uma coisa é planear para rentabilizar o tempo, outra é planear tempo que não existe e com coisas muitas vezes irreais. Coisas que às vezes acabamos por fazer à pressa e não fazemos nada de jeito. E quando as coisas riscadas são menos do que aquelas que nos faltam riscar? Vem a frustração. Porque não somos capazes, porque nos dói a cabeça, porque estamos cansadas desta correria para sítio nenhum e com uma meta sem prémio. Apesar de gostar de ter a agenda cheia nunca pensei que fosse daquelas pessoas que anda sempre numa correria, devo admitir. Pensei que transmitia paz, calma e segurança. Enganei-me a mim própria.
Depois da "chamada de atenção" comecei a aperceber-me de certas coisas e hábitos mentais meus. Por exemplo, apercebi-me que estou sempre a planear o minuto seguinte, a refeição seguinte, o sítio seguinte... Não deixo tempo ao acaso. Tenho sempre a cabeça tão carregada de listas de coisas para fazer, de deveres, que me esqueço da simplicidade da vida. De saborear uma caneca de chá enquanto o incenso arde... de ler umas páginas de um livro com a luz da lua. 
Por isso, hoje o meu corpo fez-me comprometer com a urgência de acalmar e aproveitar o tempo. Planear o estritamente necessário e saborear tudo o resto... Deixar fluir. Deixar as horas passarem comigo como lençóis de seda passam pela pele... Sem magoar, sem doer, apenas sentindo e apreciando esta beleza que é sentir, viver, absorver e existir no tempo, no agora. 

Reflexões

A ilusão do desejo.

segunda-feira, junho 01, 2015

Quando era pequena sonhava que, quando crescesse, ia ser magra, loira e andar sempre bem vestida e arranjada. Era pequena e cresci. O meu cabelo passou de loiro a castanho claro, muito longe dos raios de sol que os meus caracóis vestiam quando era pequena. De magra, nunca tive nada, a não ser o meu pouco interesse por desporto e a minha ambição por comida. E o andar bem vestida... passou por ser camisolas largas do Bob Marley, a vestidos largos, a "camisolas de grávidas" (como diz o meu pai) e por fim... por fato de treino e pijama.  

Durante o tempo fiquei bastante triste por tudo aquilo que, fisicamente, idealizei que ia ser não se ter realizado. Então, um dia, resolvi alterar um bocado isso. Foi no mês em que me inscrevi no ginásio que também comprei um spray (dito natural) para realçar cabelos loiros. A inscrição no ginásio acabou por ser uma boa decisão, devo admitir. Mas acabou por ser a única. Para além do spray, uns tempos mais tarde decidi-me a fazer unhas de gel. Afinal, unhas bem arranjadas são uma coisa de "meninas bonitas", não é? Não. Porque eu sou uma menina bonita e nenhuma destas coisas funcionou comigo. 

As duas coisas que mais gosto em mim são: o meu sorriso (obviamente) e o meu cabelo. Sempre adorei o meu cabelo, a cor em que ele se descreve que não tem tradução, entre um loiro escuro e um castanho claro, entre um fio de ouro e um bocado de outono. Sempre adorei. Até ter colocado aquele spray. Não gosto nada da cor que ficou. Embora a maior parte das pessoas até o elogie, sinto que não é meu. Estou ansiosa que o cabelo cresça o quanto antes para se deixar de notar este reflexo demasiado loiro. Em relação às unhas... Não duraram uma semana. Gastei uma dezena de euros para ao final de três dias estar tudo a sair. Ao que parece, as minhas unhas como não estão habituadas a ter nada em cima, então rejeitaram o verniz e aquilo começou a sair logo. 

Com estas últimas descobertas apercebi-me que afinal as minhas unhas são lindas assim: curtinhas e sem verniz, mas cuidadas e brilhantes. E que afinal a cor original do meu cabelo é a cor mais bonita que algum dia podia ter e estou desejosa de a voltar a ver por inteiro. Se estas coisas me ensinam algo é que às vezes aquilo que mais desejamos não passa de pura ilusão. Porque às outras pessoas fica bem. Mas as outras pessoas não somos nós pois não? Ultimamente tenho descoberto muitas coisas. E uma delas é que a minha maior beleza não está na cor do meu cabelo, ou nas minhas roupas, ou na minha falta de gordura. A minha beleza reside no estado natural do meu ser, na plenitude da minha alma, no núcleo de mim. E por mais atalhos que eu tente descobrir, não há nada melhor do que ser eu mesma e estar satisfeita com isso.

"O que te atraiu em mim?"

terça-feira, maio 26, 2015


"O que é que te atraiu em mim?" -  Perguntaste-me hoje. E eu sorri-te. Não te respondi, não porque tinha vergonha (não há nada que me deixe com vergonha à tua beira), mas porque realmente não sei. No primeiro dia que te vi, há meia dúzia de meses, bates-te à porta do meu coração e tal como uma esperta raposa cativaste o meu coração. Mas eu nunca soube porquê. Há demasiadas coisas que eu gosto em ti. Mas, se houve algo que me atraiu em ti foi o teu jeito de me cativar. O teu jeito tímido e meio espalhafatoso de sorrir, a forma como te ris das minhas piadas e mesmo quando não falas nos compreendemos. Cativaste-me pela forma como eu sou contigo. Como eu faço, todos os dias, o que posso e não posso só para te ver um bocadinho mais feliz na tempestade. Só para ouvir um teu "Obrigada, Mariana". Não é que eu precise que me agradeças, meu bem, mas ouvir-te dizê-lo faz-me ter noção de que és real. O que temos é real. Esta luta, conquista, esta união. Sim, uni-mo-nos. Uni-mo-nos nas horas que passam pelas nossas palavras soltas e divertidas no vento, pelos olhares cúmplices e por em meia dúzia de meses eu já saber aquilo que gostas, aquilo que sentes e te querer apresentar o meu mundo todo. Não sei o que me atraiu em ti, mas ainda bem que houve algo que nos uniu como um íman se une ao frigorífico. Porque se eu sou pequenina, tu és o meu lugar para ficar. E se tu és frágil eu sou a muralha que te quer proteger. E no fim ao cabo, somos só duas pessoas atraídas pela meiguice do coração uma da outra.

Reflexões

Fluir num mar de papel.

segunda-feira, maio 25, 2015

{fotografia de Sunsword & Moonsabre}

Quando comecei a escrever? Não me lembro. Porquê? Lembro-me perfeitamente. A escrita desde cedo tornou-se as minhas asas, o meu passaporte para todos os sítios que eu ousasse querer visitar ou inventar. Escrevi sempre para viajar. Aliás, para deixar viajar: pensamentos bons ou maus, saudades ou amores, o que for que eu quisesse transmitir. Com a escrita transmite-se sempre qualquer coisa. Sempre senti que as minhas palavras ultrapassavam as fronteiras da realidade e que, de alguma forma, chegavam sempre onde eu queria que elas chegassem.  

Escrevia para mim, para ti, para quem eu quisesse. Mas sempre em segredo. Acredito que quem quer ler, acaba por ler, por saber, por sentir... Gosto de metáforas, os simples e sábios truques da escrita. De contar as letras com preciosos estilos naturais, como o brilho do sol e o suar das gotas da chuva na pele quente. Comecei a escrever para me sentir, preencher, encontrar, sem fronteiras corporais, indo por este mundo fora.

Agora, não tenho escrito. Digo que não tenho tempo. Mas porquê? Não o terei mesmo? Digo que não serve de nada. Talvez sirva apenas para me fazer bem, para me libertar de algo que nem sei que me prende. Não chega? Comprei um caderno para escrever, mas deixei-o em sítio tão secreto que até eu tenho medo de o ler. Acho que é assim, quanto mais crescemos mais medo temos daquilo que nos faz sentir realmente bem, realmente inteiros, especialmente quando as coisas são tão simples. Parece-me que só temos tempo para as coisas complicadas, para as coisas que não são naturais, que não fluem como estas palavras que escrevo... Só temos tempo para as coisas impostas, regradas, compensadas... e esquece-mo-nos do nosso natural, do nosso eu... Daquilo que realmente faz parte de nós. Mesmo que essa coisa seja simplesmente escrever sem objectivo, sem plano, sem prazo... Apenas deixar as ondas fluírem num mar de papel. Por isso, hoje, vamos fazer as coisas simples simplesmente?

Estilo de vida

Menos 10kg e a minha alimentação.

quinta-feira, maio 14, 2015

instagram: @mmariananeves

Não me pesava desde Julho (altura em que, como vos contei aqui me inscrevi num ginásio), hoje voltei a enfrentar o medo da balança. Sempre me habituei a encarar a balança como um demónio, tentava afugentá-la com mil desculpas e mais algumas. Desta vez, não foi excepção, adiei este encontro o máximo que pude. A última vez que me pesei tinha 67kg. O objetivo era descer para os 61kg, pelo menos. Andei no ginásio três meses e perdi 4kg. Mas depois, como mudei de cidade, o ginásio não se manteve (porque é que as mensalidades são tão caras?!). Tinha medo de me voltar a pesar porque não sabia que número é que ia ver desta vez. Para minha surpresa estou nos 60kg. Não me lembro da última vez que pensei 60kg devo-vos dizer. 

Não sei quando foi que comecei a "minha dieta" (como quem diz mudança de estilo de vida), foi algo muito progressivo e já dura há uns bons anos. Mas saber que há uns anos a balança marcava 70kg e agora marca menos 10kg é um dos meus maiores motivos de orgulho. Nunca fiz nenhuma dieta maluca. Nunca fui a nenhum nutricionista/dietista. Apenas fiz algumas mudanças que, como se vê, deram resultado. Essas mudanças, foram sempre enquadradas no meu estilo de vida (vegetariana desde 2010) e baseadas nas coisas que fui lendo e que foram funcionando comigo. Atenção que o que funcionou comigo pode não funcionar com todos, cada corpo é um corpo e gostos não se discutem. Cá ficam algumas mudanças que fui fazendo na minha alimentação:

~ Beber 1,5 litros de água por dia ou mais. ~ A água acaba por ser a minha melhor aliada no dia-a-dia, ajuda-me a manter-me saciada, hidratada e afugenta aquelas dores de cabeça que de vez em quando tocam à porta. Tento beber 1,5l por dia, há dias em que consigo até aos 2,5l, outros em que 1l já é muito. Depende muito da organização do meu dia. Se andar de um lado para o outro é-me mais dificil conseguir estar sempre com a garrafa de água. Mas pronto, vale o esforço. 

~ Reduzir a maior parte dos alimentos processados ~ Sei que se cá em casa tiver bolachas ou cereais de pequeno-almoço eles não duram uma semana, porque se houver algum motivo de "nervos" devoro-os logo. Por isso substitui os cereais de pequeno-almoço pela granola e as bolachas por opções mais saudáveis como as bolachas de arroz sem sal (que adoro) ou as marinheiras de chia. O que me ajudou no controlo da alimentação-emocional foi começar a anotar tudo o que como (quando me lembro, vá) e arrastar distracção nessas ocasiões.

~ Substituir os cereais brancos por cereais integrais ~ Agora tento consumir apenas cereais integrais bem como batata doce em vez da batata normal. Cada vez uso mais a quinoa, o cuscuz, o millet, o bulgur... como alternativa a acompanhamento. O mesmo em relação ao pão... integral e um por dia (no máximo). No pão só coloco queijo fresco ou então manteigas vegetais e banana.

~ Não colocar batata na sopa e "abusar" na fruta ~ Ao jantar passei a comer sempre sopa, tento fazer a sopa sempre sem batata apostando mais em legumes como as courguetes, os brocolos, couve... Em dias que não tenho fome como apenas a sopa, noutros adiciono ou uma salada leve ou um iogurte, uma gelatina... o que houver. Opto por fazer um jantar mais leve porque normalmente não tenho grandes gastos energéticos ao final do dia. (para quem estuda até tarde ou treina ao final do dia, esta realidade será diferente). Em relação à fruta uso-a para os meus lanches e como sempre 3 a 5 peças de fruta por dia. Embora esta questão da fruta não seja muito aceite normalmente, uma maçã é sempre mais saudável num lanche do que bolachas cheias de açúcar não é? 

~ Andar com lanches preparados na mala ~ Como nunca sei como acaba o meu dia, ando sempre com uma peça de fruta na mala. Assim se a fome atacar já não tenho desculpa para comer alimentos que não são os melhores. 

~ Planear as refeições com tempo e calma ~ Pela minha experiência este passo é fundamental. Preparar as refeições ajuda-me não só a poupar idas às compras (e muitas vezes dinheiro e tempo) como a fazer escolhas mais equilibradas e razoaveis ao longo da semana. Estabelecei um dia da semana para comer um "luxo", mas mesmo esse luxo tento que seja saudável. Não conto calorias nem nada parecido, mas preocupo-me em ingerir coisas que me fazem bem.

~ Comer aquilo que se gosta, desfrutar e variar ~ Todos os dias de manhã como um quadradinho de chocolate preto (sem açúcar e mais de 70% de cacau) para começar bem o dia. Para além disso nunca faço o mesmo pequeno almoço todos os dias, nem o mesmo jantar. Vario o máximo que posso. Se um dia como papas de aveia, no outro faço um smoothie ou como pão com banana. Mas também se um dia me apetece comer (muito)  um bolo de chocolate, não deixo de o comer. A vida é curta para não desfrutar-mos do que mais gostamos (mesmo que isso nos dê umas gramas a mais).

Um ano depois da queima ~

quinta-feira, maio 07, 2015


Há um ano atrás eu não queimei as fitas. Não tive discursos escritos em fitas roxas e castanhas, nem cartoladas, nem nada a que como finalista tinha direito. Optei por não ter. Mas estas fotografias que rondam por aí... lembra-me tudo aquilo que tive: os abraços cheios de lágrimas, os "gosto de ti" que disse e ouvi e voltei a repetir em noites em que as horas não importavam, os shots que foram alianças de amizade eternas, as promessas de "nunca te vou esquecer" e tudo aquilo que uma pessoa viveu, mas não arranja palavras para descrever. Nunca é fácil dizer adeus. Especialmente às coisas boas. Mas há coisas, que por mais finais que tenham, nunca terão um verdadeiro adeus. (Mesmo que a cidade já não seja a mesma, a amizade nunca escolhe só um sítio para morar)
Dizem-nos que os amigos da faculdade são para a vida. E realmente, são. Mas não nos dizem que apesar de as amizades que se formam na faculdade serem para a vida, são também aquelas que mais nos enchem de dor. Os amigos da faculdade são para a vida, mas as saudades também o são. Vivemos com o coração de mão dada com a saudade e com a amizade. Porque as ruas nunca mais são as mesmas, as bebedeiras já não têm a mesma graça e as conversas passam de libertinas a conversas de horas marcadas. Porque a distância é tão cruel que nos faz ter que dar cambalhotas na agenda para estar com as pessoas que nos fazem sorrir. E, caramba, como é que uma coisa tão natural como ligar a alguém às três da manhã só para irmos dar uma volta passa a ser uma coisa tão difícil e às vezes tão impossível?
As amizades da faculdade (que não são muitas mas valem mais do que o Universo) são difíceis mas são as mais reais. Porque são eles, os amigos das 24horas sobre 24horas, os amigos-irmãos-guardiões, que sabem todos os nossos erros (mesmo os que nós nem nos lembramos), que nos conhecem por entre luares e amanheceres como ninguém. Porque, com eles, não há nada mais para ser, do que nós mesmos. E quando se encontra alguém assim, não há outro jeito do que para ser para toda a vida.
Por isso, finalistas, ou não, aproveitem o tempo da faculdade, as amizades da faculdade, porque viver longe delas é o que torna mais difícil este "adeus". E acreditem, que depois deste "fim" todos os dias passam a desejar voltar ao primeiro ano e recriar tudo outra vez: a primeira conversa, o primeiro abraço, a primeira asneira, o primeiro segredo... o primeiro ano de uma amizade "para a vida".

Cosmética Natural

In my way to the green Beauty ~ {update}

quarta-feira, abril 15, 2015

Sei que não tenho sido a blogger mais assídua, mas tudo aquilo que falei (e me comprometi) neste blog continua a ser uma realidade constante na minha vida. Uma luta em que espero sair vitoriosa. Por isso mesmo é óbvio que o "in my way to the green Beauty" persiste cá por casa. Aliás, nas duas casas. Resolvi então, ao fim de algum tempo de silêncio falar-vos das minhas novas opções e aquisições. Deixo-vos as dicas, qualquer coisa, é só perguntarem. E se conhecerem produtos novos... toca a partilhar! 


~ Cuidados de Rosto ~ 

~ A minha primeira aquisição desde que comecei esta aventura nos cosméticos foi este "kit" da Mádara. Não foi propriamente barato (42€) mas a minha pele está rendida. Para quem me lê e me conhece, sabe que eu já tive problemas de acne e que desde a minha adolescência que tenho muito cuidado com a minha pele e a protejo com o que posso. Comprei este kit para peles mistas (existe também para peles oleosas e secas) numa altura em que a minha pele estava sem vida. A mudança foi drástica. Este kit, que comprei na Organii, inclui uma espuma de limpeza, um tónico para equilibrar a pele e um creme de dia hidratante. A Mádara é uma linha "ecológica", não testada em animais, com o símbolo eco-vert entre outros. Na minha wishlist já está o creme de noite. Para já, não tenciono mudar de linha de rosto tão cedo, eu e a minha pele estamos apaixonadas.
~ Há uns tempos, como falei aqui no blog, usei também os cremes (hidratante e nutritivo) da ArteSana que são uma óptima opção para peles normais e mais baratos. 


~ Cuidados de Higiene Oral ~ 

~ Aqui é que a porca torçeu o rabo. Foi-me muito difícil encontrar uma pasta de dentes adequada. Experimentei algumas e só consegui gostar de duas: a da ECO-Cosmetics de Lavanda (que comprei na Quintal Bioshop) e a Pasta Dentrifica Couto (que comprei no Cantinho das Aromáticas). Optei por usar a pasta de dentes Couto, para além de ser Portuguesa é também vegana e o preço não é muito exorbitante (paguei menos de 3€), a adicionar que tem um gosto fantástico e mesmo a "fresco". 
~ Comprei recentemente também um elixir de Aloé Vera e Tea Tree da Optima Health & Nutrition produzido a partir de ingredientes naturais e 100% de Aloé e óleos essenciais, sem álcool e fluoreto. Custou-me, mais ou menos, 4€ e comprei no Intermaché. É um bocado forte mas diluído com água é bem melhor do que todos os elixir que tinha experimentado antes.

~ Desodorizante ~ 

~ Já tinha colocado aqui a minha receita de desodorizante natural e foi este o que usei durante muito tempo. Porém com as viagens e mudança de temperatura a receita caseira acaba por não ser tão prática. Por isso, decidi voltar aos desodorizantes de compra. E nos desodorizantes, como sou bastante esquisita, a escolha é certeira: os da marca Dr. Organic (podem encontrar no Celeiro ou em algumas Wells). Aliás, acho muito importante a escolha de um desodorizante natural porque é uma área onde a nossa pele absorve tudo, devido à transpiração, e dessa forma estamos a absorver todos os químicos. Afinal, ninguem quer ter um corpo contaminado? Estes desodorizantes custam sensivelmente 6€ mas posso garantir-vos que valem a pena: cheiram bem, são suaves, hidratam e estão ausentes de todos os malefícios para o nosso planeta. Já experimentei o de Aloe Vera e o de Vitamina E são maravilhosos! 
~ A minha mãe usa o da BioPha e para já está satisfeita. Compra-se no Jumbo e acho que o preço não foi mais de 3€. Talvez seja a minha próxima compra. 


~ Exfoliantes ~ 

~ Como tenho os pelos muito fininhos tenho que fazer exfoliação todas as semanas para as minhas pernas estarem sempre perfeitas, resumindo: é imperativo ter exfoliantes em casa.  Aplico os exfolientes com luvas de exfoliação (da Rituals) e uso três exfoliantes. O da cara, da Yves Roche (que comprei quando fui a Madrid e já não me lembro do preço), o do corpo com Sal Marinho, Alfazema e Camomila da Artesana (creio que custa 9€) e o dos lábios que o faço em casa (azeite com açúcar, fácil e eficaz). 

~ Cremes de Corpo ~ 

~ Tenho a sorte de ter criado o bom hábito de colocar creme todos os dias. Sorte para a minha pele, azar para a minha bolsa. Já experimentei imensos cremes de corpo. As minhas últimas aquisições, que aconselho totalmente, foram: as manteigas corporais (15€) e o óleo de corpo (11€) da The Body Shop, creme de corpo (15€) da Mádara, a manteiga corporal de chocolate e ylan ylan da Stuff By Mó (nacional e óptima!), a loção corporal revigorante da Australian Bush Flowers Essences (24, na Círculo Bio) e por último a loção corporal da Naturalium (8€, à venda no Pingo Doce). 

~ Para quem gosta de cuidar cada pedaço do corpo, como eu, um creme para os pés é indispensável, bem como para o das mãos. Para os pés, aconselho (e muito) o creme de pés da BioPha (5€) com um cheirinho muito agradável a eucalipto e uma hidratação esplêndida. Para creme de mãos eu uso as embalagens de 30ml de loção corporal da Dr. Organic (3€), são baratas, hidratantes e amigas do ambiente (e da nossa pele).

~ No que toca ao baton de cieiro (vá, vou considerar um creme para o corpo) uso o da Artesana que já falei no blog ou o da ECO-Cosmetics (comprado na Quintal BioShop) e para aplicar de noite o bálsamo de lábios da The Body Shop. Não me lembro do preço de nenhum deles, mas anda entre os 3 a 6€ sensivelmente. 


~ Cuidados Íntimos ~ 

~ Quando se é rapariga existem certos cuidados que não se podem descurar de todo. Um deles é a utilização de um gel intimo. O meu favorito é, sem dúvida, o da BioPha (à venda no Jumbo por 6€). Contudo, por vezes, também uso os da Corine de Farme (4€) bem como as toalhitas íntimas (2€) da marca que dão sempre jeito ter na mala( mesmo que não seja lá muito ecológico). Em relação a tampões, pensos higiénicos e copos menstruais, ainda não me aventurei a ver os artigos mais ecológicos, mas está na lista de "coisas a ver".

~ Champôs, Condicionadores e Sabonetes ~ 

~ Mais uma coisa em que eu tive montes de dificuldades. Porque é que as coisas naturais são tão caras?! Especialmente no que toca a cuidados de cabelo. Apesar de adorar o champô natural dos Filhos da Terra, como falei aqui, e continuar a aconselhá-lo, acaba por não ser muito prático quando se está com pressa. Um champô líquido, pelo menos para mim, ainda acaba por ser a solução mais prática. Tenho usado o champô de algas marinhas da marca Golden Silk Natural Cosmetics (3€, à venda no Intermaché) e estou bastante satisfeita. Esta é uma marca pouco conhecida mas não tem parabenos, nem é testada em animais. Já como amaciador estou rendida aos da Dr. Organic, que compro também no Intermaché por 7€.
~ Felizmente, contrariamente aos champôs, existe bastante procura no que toca aos sabonetes. Aconselho os da ArteSanaSaponinaFilhos da TerraStuff By MóMádaraANIS (todos nacionais e em conta (média 4€), excepto os da Mádara). Só sei que desde que retornei aos sabonetes nunca mais quis saber de gel de banho! Quem está comigo? (Para quem gostar de gel de banho, aconselho as espumas de banho da Rituals, 8)


~ Massagens ~ 

~ Sei que agora deviam estar à espera da parte da maquilhagem. Mas a verdade é que eu uso tanto maquilhagem que ainda não gastei os produtos que tinha quando comecei esta aventura. Então, enquanto não os gastar, não vou apostar para já em maquilhagem mais ecológica. Quem sabe num próximo update. Em vez disso vou-vos falar daquilo que eu uso para fazer massagens. Não sei se já tinha dito por aqui, mas adoro dar massagens: o poder do toque, da entrega. E quando a essa minha paixão posso adicionar cheirinhos bons, fico fascinada. Por isso, este projecto, entrou também naquilo que eu uso para fazer as minhas massagens. E uso duas coisas muito simples: a vela de massagem de cera de soja da ArteSana (na fotografia está a de Jasmim, mas a de Coco e a de Chocolate também são deliciosas) e o óleo de massagem da Rituals (14€).

 É engraçado como a partir do momento que me entreguei a esta vontade de mudar, de usar apenas produtos naturais, a minha maneira de olhar para os cosméticos mudou. A verdade é que agora não compro nada sem olhar para o rótulo. Sei que ainda tenho um longo caminho pela frente, mas já dei um grande passo pois já?

Um xi- não testado em animais, biológico, 
100% biodegradavel e só com produtos naturais, 
Mariana.

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