Leituras

{palavras}

domingo, novembro 25, 2012




A solidão é como uma chuva. Ergue-se do mar ao encontro das noites; de planícies distantes e remotas sobe ao céu, que sempre a guarda. E do céu tomba sobre a cidade. 

Cai como chuva nas horas ambíguas, quando todas as vielas se voltam para a manhã e quando os corpos, que nada encontraram, desiludidos e tristes se separam; e quando aqueles que se odeiam têm de dormir juntos na mesma cama: 
então, a solidão vai com os rios...  
Maria Rilke Rainer

Minimalismo

Bem vinda segunda-feira e organização!

segunda-feira, novembro 19, 2012



     Lembram-se de eu ter dito aqui os planos que tinha para o mês de Novembro? Não posso dizer que têm corrido bem, nem que têm corrido mal, a verdade é que existem avanços mas também existem retrocessos  E por esse motivo as coisas não têm evoluído muito. Até hoje. Hoje foi o dia perfeito, devo dizer. Não tive aulas, mas mesmo assim às 5h45 já estava acordada, pronta para tomar banho, fazer um pequeno almoço equilibrado e dedicar-me ao estudo (que correu bastante bem!), passei a ferro, arrumei o quarto e ainda experimentei uma receita nova - chuchu estufado.... uma delícia!, segui para Vila Real e antes de ir para o estágio ainda tive tempo de fazer gelatina, arrumar as coisas e lanchar enquanto li um bocado o livro da semana: "A Arte da Felicidade". O estágio correu como habitual, mas desta vez não passei pelo continente para comprar bolachas e vim directa para casa, onde fiz um chá quentinho e comecei a tratar dos relatórios de estágio e plano de intervenção. Nada mal! Mas o dia ainda não acabou: ainda planeio ir dar uma caminhada depois de jantar, organizar mais uns trabalhos e ler! 
     Acho que a estratégia por ter dias destes, é focar-nos somente naquilo que queremos fazer. Por exemplo, como esta semana vai ser uma loucura, sabia que se não fizesse as coisas hoje seria pior depois, então foquei-me realmente no que queria fazer. Habituei-me a colocar num papel tudo o que quero fazer durante determinado dia/semana e é uma gratidão enorme poder riscar uma e outra coisa até a lista estar completa. Esta é uma forma também de não me esquecer que tenho que fazer algumas coisas pequeninas, que me acontece várias vezes, como por exemplo imprimir um documento, trazer um gorro, comprar fósforos, etc. Outra mania que ando a arranjar também é o de planear a alimentação (e os gastos que vou ter), dessa forma vejo os alimentos que preciso, se tenho que trazer de casa, ou preciso comprar, e acabo por distribuir os alimentos de acordo com as minhas necessidades semanais. Dessa forma evito comprar comida mais cara (como em bares, cafés) e acabo por comer comida caseira! 
       Outro habito meu - que começou desde que conheço o N. - era de levantar cedo. Só que agora, como ele acorda todos os dias às 6h30 estou a começar a seguir-lhe as passadas. Sempre adorei acordar cedo, ver o nascer do sol, aproveitar o dia. Mas uma coisa é "gostava de o fazer", outra coisa é realmente fazer. Temos sempre dificuldade em passar as coisas que gostávamos de fazer, para as coisas que realmente fazemos. Desde este ano lectivo que tenho feito um esforço por acordar cedo. E normalmente até acordo mas o que acontece é que olho para a janela e está tão escuro que desisto e volto a virar-me na cama. Até que apareceu o grupo "Boas manhãs" criado pela Rita que me tem dado imenso animo (ver mais sobre o grupo aqui)! E acredito plenamente que esta semana inteira consiga acordar às horas que estipulei! E vocês? Têm truques para a organizar ou nem por isso? Partilhem comigo, que aposto que vou adorar saber! 

Boa semana para todos! 

Leituras

Livro: "O Homem sem Dinheiro" de Mark Boyle.

sábado, novembro 17, 2012

     Depois de três semanas a ler um livro por semana, chegou-me este livro às mãos. Já queria ler este livro há algum tempo, desde que conheci a história do autor: Mark Boyle, que já falei aqui. Ao contrário do que se tem passado, desta vez não foi preciso ler todos os dias da semana - ou quase - para conseguir acabar o livro. Na realidade bastou-me um dia e pouco. Mais do que apaixonar-me por este livro, comecei a amá-lo. Levei-o para a cama e fiz amor com ele. E mesmo quando tudo acabou ele voltou a regressar ao meu pensamento, mesmo quando já não o estava a ler, mesmo quando nem sequer devia estar a pensar nele. Foi um livro que me marcou de uma forma bastante positiva e que, para além do mais, me fez lembrar de certas coisas que já me tinha esquecido.
     O livro fala do ano que o economista Mark Boyle decidiu vender o seu barco (onde vivia), cancelar a sua conta e viver sem dinheiro. Exacto, viver sem dinheiro. Parece impossível  Ele prova que não é. No livro ele relata toda a história de onde surgiu a ideia, os motivos que fizeram com que tomasse essa opção e ainda tudo o que enfrentou. É um livro que, sem dúvida alguma, nos liga à Natureza e nos faz dar  importância a coisas antes tomávamos como garantido ou nem sequer ligávamos. E para além disso tudo, o livro tem ainda várias opções para conseguirmos fazer várias coisas sem precisar de gastar dinheiro, tal como: fazer tinta e papel a partir de cogumelos, entre outras. Podem estar a pensar que é mais um daqueles livros extremistas e que são só escritos para vender por serem alternativos. Eu não achei isso. Até porque o autor revela bastantes desvantagens deste estilo de vida e ainda é bastante sincero em relação às suas dúvidas.
    Deixo-vos algumas das citações que me marcaram:

"Se gastar o seu tempo a dar o seu amor ao mundo, então é razoável acreditar que irá beneficiar de um mundo com mais amor."
"Acredito que nos tornamos pessoas mais saudáveis - mental, física  emocional e espiritualmente - no momento em que começamos a viver da maneira que acreditamos que devemos viver, seja lá isso o que for. A auto-disciplina existe para libertar e não para retrair a alma."
"A maioria das pessoas dizem que querem 'paz', sem saberem realmente o que isso quer dizer. A paz não vai cair do céu; é um quebra-cabeças cujas peças são as nossas interacção diária uns com os outros e o planeta."


      Até colocava aqui mais frases, mas como podem ver pela fotografia passava o tempo nisto! As marcações que o livro tem são de todas as citações ou organizações frisadas que achei importante marcar para rever mais tarde. Para além destas marcações o livro tem várias frases riscadas, dados estatísticos importantes ou qualquer parte do livro que achei que me fosse inspirar; por exemplo sublinhei uma parte que à maior parte das pessoas não diria nada mas que a mim me fez sonhar bastante, numa parte do livro ele descreve a maneira como bebe o chá, desde o momento em que o coloca a aquecer na fogueira e ouve os pássaros enquanto dá uma golada e vê a orvalhada na Natureza. Achei essa parte deliciosa! E sei, que, sempre que precisar de animo está lá algo que posso ler e me vai fazer feliz. Até porque tenho a nítida noção que vou reler este livro várias vezes.


Sem mais nada a acrescentar, desejo-vos boas leituras!
E muita inspiração no fim de semana! :)

Leituras

{A cidade das pessoas carimbadas,}

domingo, novembro 11, 2012

"Era uma vez uma cidade onde todas as pessoas tinham meia dúzia de carimbos estampados na cara: carimbos de várias cores e diferentes marcas, escarrapachados na cara, no queixo ou nas bochechas.
Havia carimbos postos pelos pais aos filhos desde pequeninos, outros vinham dos vizinhos, dos professores, dos médicos ou dos colegas de trabalho.
Podiam ser carimbos de muitas qualidades.
Por exemplo, algumas crianças ficavam com um carimbo azul que dizia que eram filhas de pessoas importantes e por isso deviam também ser tratadas como pessoas importantes. Outras recebiam um carimbo castanho a dizer que eram filhos de gente sem importância e não devia dar-se-lhes nenhuma atenção especial porque iriam também ser gente sem importância.
Algumas crianças recebiam um carimbo dourado assinalando que na sua família havia pessoas muito inteligentes e outras recebiam um carimbo roxo a avisar que tinham nascido numa família de gente estúpida e por isso também elas iriam reprovar na escola várias vezes.
Claro que havia muitas outras qualidades de carimbos, para marcarem os doutores e os ignorantes, os da direita e os da esquerda, os honestos e os aldrabões, os putos e os viciados, fossem estes alcoólicos, toxicodependentes ou prostitutas, em suma pessoas "boas" e pessoas "más".
Uma coisa importante e que aqueles carimbos, uma vez postos, ficavam para sempre e havia pessoas que todos os dias se olhavam ao espelho várias vezes, avivavam certos sinais e faziam por viver de acordo com os carimbos, bonitos ou feios que tinham na cara. Também havia gente que procurava disfarçar os sinais de certos carimbos mas, por mais que as pessoas tentassem isto, os outros continuavam a atirar-lhes a cara com os carimbos que lhes tinham posto anteriormente e todos acabavam por se resignar a viver de acordo com os carimbos que traziam.
Ate que um dia voou sobre aquela cidade o Anjo da Liberdade. Não sei se já ouviram falar dele alguma vez: é um anjo parecido com uma nuvem, que atravessa o céu muito devagar como se fosse arrastado por uma brisa.
O Anjo da Liberdade olhou com atenção para aquelas pessoas e ficou triste porque estavam todas presas aos carimbos que traziam, sem que ninguém tivesse coragem para tentar mudar, até porque ninguém aceitava que outra pessoa passasse a agir de maneira diferente da que os seus carimbos lhe mandavam.
O Anjo da Liberdade sofreu com tudo isto, e enquanto ia voando devagar ia pensando em como é que podia ajudar aquela cidade sem fazer batota, porque não sei se perceberam mas os milagres são uma batota pois fogem as regras do jogo que é a vida… e o Anjo queria que as pessoas fossem livres, mas sabia que, precisamente por isso não podia impor um caminho, dar uma ordem. Era necessário que fossem as próprias pessoas a escolher o caminho de serem livres e varrerem as teias que as prendiam aos carimbos.
Então o anjo descobriu: em vez de tentar fazer batota, podia baralhar e dar de novo as cartas do jogo da vida. As pessoas que escolhessem depois.
Pediu ajuda a outras nuvens para que fizessem cair sobre aquela cidade uma chuva especial.
Estava-se no mes de Maio e costuma-se dizer que em Maio a chuva cheira a rosas porque traz consigo o perfume das flores, mas aquela chuva tinha um cheiro tão agradável e tão intenso como as pessoas nunca tinham experimentado. Eram pingos leves a cair devagar e apetecia, no calor morno da tarde, ficar ali, no meio das ruas, praças e jardins, a saborear a chuva que caia ao longo de horas e horas. Era uma sensação tão boa que as pessoas se chamavam umas às outras porque tinham gosto que todas experimentassem aquela maravilha, e os avós traziam os netos, os filhos iam buscar os pais, os amigos e os vizinhos e quando a noite chegou todas as pessoas andavam cá fora à chuva, molhadas e alegres. Trouxeram música, fizeram fogueiras, como na altura dos santos populares e toda a gente começou a dançar, a cantar e a viver a festa daquela chuva fresca numa noite de Maio.
E as pessoas importantes dançaram com as pessoas sem importância, mas não se importaram com isso. Tão pouco se importaram os puros e os inteligentes quando cantaram de braços dados com os estúpidos, os toxicodependentes, os alcoólicos e as prostitutas - assim como também aconteceu que doutores e ignorantes, honestos e aldrabões partilharam uns com os outros os comes-e-bebes, as danças e as cantorias.
Assim durou a festa até de madrugada, sem que ninguém se cansasse ou desistisse.
Foi só quando o sol nasceu e iluminou de novo a cidade que as pessoas repararam, ao olharem umas para as outras, que todos os carimbos tinham desaparecido das suas caras, lavada pela chuva.
E puseram-se a rir à medida que percebiam que os carimbos não eram necessários e que cada um tinha o direito de começar de novo, em cada dia, à procura de construir o seu próprio caminho, sem que os carimbos lhe traçassem o destino. Porque era possível ser diferente a partir de agora por muitos disparates que já tivessem cometido. Por outro lado, os que tinham um passado com coisas boas, não se podiam encostar a isso, porque, em cada dia novo, tinham de continuar a provar a si próprios e aos outros que eram capazes de continuar assim...
Passado algum tempo, o Anjo da Liberdade voltou a sobrevoar a cidade e sorriu de alegria. É verdade que os carimbos continuavam a existir, mas estavam todos arrumados no fundo das gavetas e ninguém lhes voltou a tocar.
As pessoas eram agora livres de construir a imagem que quisessem para si próprias, e, quando faziam disparates, os outros acreditavam que elas pudessem mudar e ajudavam-nas a tentar de novo...
E pronto. Acaba aqui a história da cidade das pessoas carimbadas que ficaram livres dos carimbos.
Já agora... Que quando cada um de nós se vir ao espelho ou olhar para os outros na rua, repare bem se há ai marcas de carimbos nas caras."
por António Cardoso Ferreira

Leituras

Livro: "Vozes Silenciosas" da Torey Hayden.

sábado, novembro 10, 2012

Dizem que existe um dia em que as coisas que mais gostam, acabarão por te desiludir. Ontem, foi o dia de um livro da Torey Hayden - a minha escritora favorita - me desiludir. Li o "Vozes Silenciosas" numa semana, mas não se comparou em um bocado aos livros que já li da Torey Hayden (que na realidade foram todos, com excepção do "Raposas Inocentes"). Quando leio os livros dela... é como se magia acontecesse. Entro naquelas páginas como se fossem a minha vida, oiço as vozes das crianças que ela descreve, leio e releio, sublinho quase todas as palavras e nunca, mas nunca, quero que o livro chegue ao fim. Contudo nada disso aconteceu neste livro. E porquê? Porque este livro é bastante diferente dos habituais livros da Hayden. Primeiro: não fala das aulas dela, nem nas crianças dela. Aliás, não fala dela de todo. A história é sobre outro professor. Mas ao contrário das "histórias da Torey", esta aborda muito o lado pessoal, muito o lado familiar e, o pior de tudo... Insere fantasia no meio disto tudo. Histórias de outras dimensões, de espíritos, e com episódios muito, mas mesmo muito agressivos. 
Na realidade, este livro não me cativou, e nem sequer faz parte dos livros que aconselho. Isto porque não sou pessoa de gostar de ficção cientifica e fantasia, nunca fui, e desiludiu-me bastante a Torey escrever um livro assim. Mas bem, para quem gostar, força! :)

Reflexões

A necessidade de ser forte, seja isso o que for.

quinta-feira, novembro 08, 2012

     Gostava que alguém um dia me explicasse o conceito de "ser forte". Gostava mesmo que me explicassem, sem entre linhas ou pontos de interrogação o que é ser forte. Ser forte é assumir as fraquezas ou saber lidar com elas escondendo-as dos teus sentimentos? Quando nos dizem para sermos fortes, é suposto sermos o quê? Fazermos o quê? Houve um tempo que pensei que ser forte era estar sempre a sorrir, nada nos abalar, e viver feliz no matter what. Mas depois ensinaram-me que ser forte era assumir aquilo que sentirmos e independentemente da situação sermos sempre sinceros e francos com as pessoas e dizermos o que sentimos na realidade. O problema é que, quando tomas esta última "maneira de ser forte", temos que saber que existem pessoas que não vão compreender a nossa sinceridade nem sequer o quão frágil nos colocamos quando somos fortes ao ponto de exprimimos realmente aquilo que somos. E quando existe mais que uma pessoa a não compreender esta maneira, mas sim  muitas, a tua força transforma-se na tua fraqueza e vais-te a baixo. E depois disto, dessa reviravolta, como é suposto saber como voltar a ser forte? 
        Como é suposto depois de tudo isto saber como reagir? Como é que devemos reagir quando o mundo está a desabar à nossa frente e tudo o que mais queremos é manter-mo-nos em pé? Criar barreiras? Continuar a oferecer sinceridade a quem não compreende? Mentir continuamente a nós próprios dizendo que vai ficar tudo bem, quando na realidade nem nos damos ao trabalho de identificar o problema para o combater? Mas e se identificamos e se o problema não tem solução? O que fazemos? Como é suposto anular a dor que sentimos e ainda ter forças para ser forte (signifique isso o que significar)? O problema é que - quase sempre - quando uma coisa não está mal, aparecem mil coisas ainda piores. O que é suposto fazer? 
     Já tive várias técnicas para arranjar forças: pensar, ignorar, perdoar, esquecer, falar... Mas nenhuma delas a determinado tempo parece resultar. Esgotam-se as opções e as respostas tendem a demorar. Entre o agora e o depois, a pergunta persiste: como é que se é forte? Alguém que me diga. E até ter uma resposta por favor, não me digam para ser forte e que vai ficar tudo bem. Porque falar é muito bonito, o problema está nas acções.

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