Reflexões

fotografias e flores.

terça-feira, maio 29, 2012

Hoje, como intervalo do estudo, pus-me a ver as fotografias antigas que tenho aqui no computador. Parece que fiz uma viagem de anos. Anos onde reencontrei amizades, amores, vícios, músicas, estilos, alturas. Anos voltei a achar uma bolsa cheia de sentimentos. Vi algumas fotografias que me fizeram sorrir - ou porque ainda continuo com as pessoas ao meu lado, ou porque foi uma bela época, mas vi outras também que me causaram um aperto no coração. Por onde estão aqueles sorrisos? Perderam-se no caminho? E os abraços, e as mãos dadas? E os "para sempre"? Às vezes a eternidade consegue ser uma ilusão daquelas.
A verdade é que, só é bom jardineiro quem não se esquece de regar as plantas todos os dias e não aquele que as regas de uma vez só afogando-as. É preciso o equilíbrio, para nada morrer. Mas o equilíbrio às vezes é tão difícil, não é? Oxalá, manter as pessoas, os sentimentos, as amizades, fosse tão fácil como tirar e guardar fotografias. Oxalá muita gente ainda estivesse no meu abraço. Oxalá, não houvessem tempos de seca. À parte disso, é sempre tão bom, dedicar uns dias à nostalgia. É sempre tão bom relembrar-mos tudo de bom e mau, que tivemos, nos fez crescer e nos tornou aquilo que somos. E especialmente conseguir encarar isso com um sorriso. O que me lembra que já está na altura de eu fazer um álbum de fotografias impressas, antes que volte a perder uma muralha de fotografias como já me aconteceu.

Hoje vai ser noite de tempestade.

segunda-feira, maio 28, 2012

Estava a usar o vestido azul marinho naquela noite, tinha tanto na imensidão de tecido cor de mar como por entre os meus cabelos, laçinhos de seda brancos que a minha avó me fez. As meias, que também elas eram brancas, desciam-me pelas pernas de cinco anos arrepiadas pelo frio. O crepusculo estava a acabar, e como pequena que era, entretinha-me a ver como as cores do céu mudavam, tal e qual artista que pinta as suas emoções. 
Os avó ainda estavam a jantar, e a tirar as grainhas das uvas, quando eu as comi numa dentada. No terraço, maravilhada e encantada, espero que o avô me traga o chá de limonete e alfazema na caneca de barro. Mal lhe oiço os passos lentos e próximos, viro-me e coloco a mão sobre o queixo. «Como acha que vai ser o próximo dia senhor avô?» O meu avô larga uma gargalhada rouca no ar, pegando em mim e rodopiando-me no terraço, deixando-me ficar no colo dele, enquanto visualizamos toda a escuridão da aldeia. Depois que as gargalhadas se afastam no vento, ele acrescenta apontando: 
- Estás a ver aqueles pirilampos lá ao fundo? - Aceno com a cabeça. - Só os consegues ver se estiver escuro não é?
- Sim, mas... amanhã, como vai estar amanhã o dia? Posso ir colher malmequeres com a avó e brincar com o Afonso? Eu disse que sim... Vai estar Sol não vai? Amanhã não quero pirilampos.
- Pequerrucha - acrescenta o meu avô sempre com o tom mais terno que existe, fazendo com que os seus olhos verdes brilhem mais - nem sempre o Sol vem. Mas quando ele não vier, podes sempre fazer colares de massa e brincar com o Afonso na cozinha. Fazemos uns queques de laranja todos juntos, que tal?
- Oh... Tenho medo do escuro. Não quero!
Abraço-me ao meu avô, e com as mãos ainda pequeninas tento chegar ao céu. «O que estás a fazer?» pergunta-me o meu avô uma e outra vez, mas eu persisto na minha luta por alcançar o céu, tentanto trepar pelo colo do meu avô até ao telhado. Até que, quando vejo que não chego, com os olhos molhados de lágrimas, replico:
- Avô, ajuda-me... Diz à lua para vir dormir comigo, que eu sou pequenina, ainda tenho medo do escuro e não quero mais tempestades. É que agora, nem o bicho papão fica comigo e faz-me companhia à noite. Anda vô, ajuda-me que eu tenho medo.

Reflexões

Tirar os sapatos ao entrar em casa?

quinta-feira, maio 24, 2012


    No outro dia, estava eu a chegar a casa com uma amiga minha, e como é habitual (especialmente nestes tempos de calor) mal passei a porta tirei logo os sapatos, ao qual ela me questiona minutos mais tarde: "tiras os sapatos também por causa daquelas coisas da limpeza espiritual?" Sinceramente nunca me tinha apercebido que tirar os sapatos se tinha tornado um hábito. Lembro-me de há uns anos, quando conheci o feng shui e por assim dizer comecei a dar mais importância ao espiritual, andar com a ideia de começar a deixar os sapatos na porta da entrada, mas nunca acabei por pôr isso em prática.
      Fiquei satisfeita ao me aperceber que, mesmo sem contar, isso se tornou um hábito. Há coisas espectacular não há? Mas afinal, qual a utilidade de deixar os sapatos à porta de casa? Nestes tempos de calor, em particular, faz com que os nossos pés respirem mais assim como possibilita um melhor arejamento dos sapatos. E para quem sabe o quanto custa limpar uma casa e mantê-la limpa, uma vez que se usa sapatos próprios (chinelos, pantufas, ou até meias próprias, etc) é uma dica para mantê-la limpa mais tempo. Os sapatos de rua, que muitas vezes trazem para a nossa casa imensa sujidade próprias das ruas dos dias de hoje, são um dos grandes inimigos das donas de casa - desesperadas ou não. Por último, para quem acredita em "higiene espiritual", no Japão é defendido que ao deixar os sapatos de rua fora de casa, esta não é invadida com factores do exterior, dessa forma o equilíbrio da casa é mantido sem agressões ao seu ambiente.
     Posto isto, espero que da próxima vez que entrarem neste blogue se descalcem. Ahaha :)

Leituras

Torey Hayden ~

quarta-feira, maio 23, 2012


Sabes, este mundo é um lugar engraçado. Se eu fosse nazi, haveria quem defendesse o meu direito constitucional de odiar judeus. Se eu pertencesse ao Ku-Klux-Klan, alguém defenderia o meu direito de odiar os negros. Um lugar engraçado este mundo. O ódio tem direitos. O amor não.

Please let the kindness of forgetting set me free.

terça-feira, maio 22, 2012



No outro dia, estava eu a ir para a faculdade, e atravessaste-te no meu caminho. Mesmo ao meu lado, um bocadinho à frente tu estavas lá. Apareceste num ápice, no exacto momento em que a música que ouvia no máximo nos phones atinge o seu pico de adrenalina. E ainda não sei se foi por chegar ao ponto da música em que me arrepio sempre, ou se foi por te ver, mas pela primeira vez (desde tanto tempo que já passou) os meus olhos voltaram a inundar-se de lágrimas por ti. 
 Já não me lembrava muito bem como me devia comportar nestas situações. Como é que eu eu controlo mesmo este bocado de saudades que me invade a alma e trespassa o coração? Como é que era mesmo? Já não te via há tanto tempo, já não chorava há tanto tempo... E de repente, tu estavas ali, de pólo cinzento (como sempre) e com a tua boina habitual. Do mesmo jeito inclinado, e com os mesmos olhares doces e longínquos de tudo. Mas será que me viste? Viste como cresci? Reparaste que já não tenho rastas? Que emagreci? Viste, avô? Viste que tão por tua causa eu cresci? Viste que a tua menina mais nova, agora está longe de casa e contínua a precisar de ti (se não mais)? Oxalá me pudesses ver, como eu te vi. Oxalá pudesses continuar a ver-me no mesmo local que nos acompanhou durante anos. 
 Mas se isso não continua, deixa-me dizer-te que a maneira como o meu coração te viu, continua a ser igual. Vi-te da mesma maneira que vi sempre; com o maior dos carinhos e a mais louca saudade. Reparei na luminosidade da tua pele, mesmo antes de fazer a curva que me ligou a ti, e ouvi a tua voz rouca mesmo antes de falares com a senhora que estava contigo. Quem era ela, avô? Foi por ela que nos trocaste? É ela a sabia morte? Foi ela que te tomou de mim? Parecia tratar-te com tanto carinho... Tens uma cadeira de rodas nova, reparei também, foi ela que te deu? Gostava mais da outra, já a sabia manusear melhor. Esta não parece tão impotente, não te faz tão rei do meu reino de princesa, embora o sejas sempre. Será que com esta nova consegues retomar o tempo atrás? Consegues recuar ao tempo em que te via todos os dias, em que todos os dias podia dar-te um beijinho nessas bochechas, e brincar com as tuas mãos? Consegues, meu amor? Diz-me que sim, porque, se eu te consigo ver, também tu consegues fazer uma proeza impossível também. 
 Gostei de te ver, nos segundos que pensei que fosses tu. Gostei de imaginar que ainda estavas cá. Gostava de poder dizer que ainda o estás. Mas mesmo assim, foi bom, foi bom. Não deu para matar saudades, nem sequer para te dizer tudo o que te quero dizer, tudo o que aponto no quadro de tarefas do meu coração para te falar, mas soube bem... Soube bem, saber que ainda não te esqueci. Ridícula ideia essa, não é? Mas sempre sabes que tive medo, tive sempre medo de chegar o dia em que vou querer dizer aos meus filhos o maravilhoso avô que tive, e não me lembrar de detalhes, como a maneira como a tua boca se inclinava para um certo e determinado quando sorrias. É bom saber, é bom saber que ainda és o meu predilecto, e que de vês em quando esta magia da saudade ainda me permite ver-te e ouvir-te. O que não é bom saber, é que ainda não fui liberta deste castigo imenso que é chorar por ti sempre que me vens à memória.

Reflexões

Como encontrar o caminho parte I.

domingo, maio 20, 2012

    Tenho uma folha branca à minha frente. Uma folha branca para preencher com este vazio que me consome. Se alguma vez alguém sentiu "aquele" calafrio que de lés a lés bate à porta da nossa casa das incertezas do futuro, certamente sabe do que eu estou a falar. Se não, bem, alguém me diga como é que se consegue viver uma vida sem por em duvida a maneira como a esta a viver. Porque eu, pergunto constantemente o que ando a fazer com a minha vida, e se isto que tenho, é realmente o que queria, e o que me falta (se é que me falta alguma coisa). E quando ponho estas dúvidas, é pior que mau humor matinal, fico que nem posso cheia de neura.
     A verdade é que odeio que isto aconteça, e já tem acontecido algumas vezes e nunca achei uma solução. Digo sempre para mim mesma "com o tempo arranjas a resposta". A questão é que o tempo passa e em vez de arranjar a resposta, arranjo ainda mais dúvidas. Normalmente são coisas simples as que me passam pela cabeça: porque é que ainda não estou a tratar das coisas para fazer voluntariado em África, porque é que parei de escrever, porque é que não trato mais de mim, porque é que o curso não está a correr tão bem quanto devia, porque é que tenho deixado tão de lado o meu lado protector do ambiente, porque é que deixei de ler, porque é que deixei de ter tempo para tantas coisas importantes? Porque é que deixei de ter tempo, ou deixei simplesmente de fazer as coisas que eu queria e quero que me tornem aquilo que sou? Distracções, penso ser a resposta.
     A vida mudou e com ela mudou também o meu sentido de ocupação, as minhas rotinas diárias, e até a minha maneira de falar! Algumas por bem, outras por mal. Então para arranjar resposta a este ponto quase sem retorno, depois de ter acabado de fazer um sudoku, peguei numa folha branco e num lápis aguçado e prontifiquei-me a escrever na folha palavras que simbolizam para mim aquilo que sou, aquilo que era, e aquilo que quero ser. E com setas e cruzes, interliguei-as. Apercebi-me então que a resposta para retomar o meu caminho é manter-me simples, manter-me conectada à  Natureza e focar-me naquilo que realmente me faz feliz.

Reflexões

Subir a escadaria do amor.

sábado, maio 19, 2012

Hoje fui a um casamento, e para quem já me conhece, sabe que casamentos e todas as festas desse tipo não são realmente a minha onda. Digamos que até faço um bocado de sacrifício para ir, são pessoas demasiado bem vestidas para meu gosto, é o que é. Mas bem, adiantando, lá fui ao casamento e surpresa das surpresas, não é que adorei? A cerimónia religiosa foi tão linda que tive que me controlar para não me virem as lágrimas aos olhos. 
Tudo começou quando começaram a dar a Hallelujah do Leonard Cohen e o meu coração tremeu de satisfação como se de um ataque cardíaco se tratasse. E depois, foram as palavras do padre que me motivaram. O padre era novo, tinha 28 anos e não sei se foi por a idade ou mesmo devido à maneira dele ser, mas o que ali foi dito, foram as palavras mais sábias que alguma vez ouvi numa igreja. Com os olhos azuis, saudou os presentes com um sorriso que iluminava qualquer caverna e começou dizendo:  
"Eu peço desculpa, mas vou começar por agradecer aos noivos por me darem este momento, o momento em que me fazem acreditar no amor, e na luta por este. Obrigado a eles por acreditarem que ainda é possível existir uma vida a dois, especialmente nesta sociedade que nos diz constantemente que conseguimos fazer tudo sozinhos. Pois bem, isso é mentira, é a maior mentira que há nos dias de hoje! Obrigado por me fazerem ter esperança no amor. Amor este que não existe só nos praticantes, nem nesta maneira de viver, amor que existe em qualquer lugar, em qualquer sítio ou religião, amor que é tudo!, amor que é a força de viver. Agradeço-vos assim por hoje me darem mais um motivo para sorrir com o coração e continuar a espalhar as palavras de amor pelo mundo. Contudo, não vos querendo assustar, nem tudo é um mar de rosas. E quero-vos pedir para nunca - mesmo nunca! - adormecerem de cu virado um para o outro, independentemente do problema, quer seja por causa do dinheiro, do emprego, das relações sexuais, da família, falem! Nunca deixem a zanga instalar-se na vossa cama. Não escondam os problemas um do outro - nem sequer dos vossos filhos - amem-se, mesmo quando estão chateados. Namorem mesmo quando estão de trombas um para o outro. E façam isto, todos os dias da vossa vida, porque não há coisa mais bonita do que ver um casal de oitenta e seis anos a namorar."
E posto isto, como podem imaginar, fiquei a imaginar no meu futuro e como quero ser tão feliz, o resto da minha vida, com o meu alguém. E como lhe quero prometer, em cima da montanha mais alta (que alcançaremos juntos), que namorarei com ele muito para além dos oitenta e seis anos.

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