Minimalismo

Uma secretária com alegria

domingo, janeiro 22, 2017

"Your home is living space, 
not storage space."


Das áreas que já vos falei do meu quarto, esta é sem dúvida alguma aquela que é para mim mais difícil de destralhar. Porque? Porque a minha secretária está sempre cheia de papéis, coisas para reaproveitar, cartas para responder. Ela nas fotos está pseudo-arrumada, mas é muito difícil mantê-la assim dia após dia. Por isso, comprometi-me a arrumá-la sempre ao final do dia (até porque li que esta é uma das coisas que as pessoas mais bem sucedidas fazem à noite). A partir do momento em que tirei a minha estante do quarto também tive que arranjar melhor forma de arrumar as coisas de escritório. E bem, o facto de ser escritora de cartas quase a tempo-inteiro não ajuda muito neste processo não é? Por isso, acho que conseguem imaginar o quanto difícil para mim é ter uma secretária arrumada. Mas vale sempre a pena o esforço.


A minha secretária é tão velhinha quanto eu, já a risquei muitas vezes e ela é a minha grande parceira de escrita. Claro que, o que eu gostava mesmo era de ter uma secretária branca com um tampo de vidro, mas como para já não é possível, aproveito da melhor forma que consigo. Como passo muito tempo na minha secretária, tento que ela seja o mais inspiradora possível, por isso tenho sempre "recadinhos" pendurados para me lembrar do amor que existe à minha volta. Tenho também canecas que adoro a servir de porta-lápis (aliás uma das canecas partiu-se e eu acho-a tão linda que a aproveitei como porta lápis). Tenho em cima da secretária sempre a minha agenda, o panda que o N. me fez, o meu "porta-pen" (que fiz há uns anos com papel reciclado, que, já agora é uma boa dica para quem como eu estava sempre a perder a pen), os post-it e uma caneca com chá (indispensável! ihihih).

Ao lado da secretária tenho o meu rádio, a impressora e uma caixa que aproveitei das bolachas onde guardo os "documentos pendentes". Do outro lado está o caixote do lixo de papel. No tampo inferior da secretária guardo as folhas de rascunho, folhas brancas e ainda micas e capas de dossier. Tenho também sempre ao meu lado a minha mantinha, pronta para me aquecer enquanto estudo especialmente nestes dias frios! Esta é a minha forma mais funcional (apesar de ainda ter uma grande mudança pela frente) de organizar visualmente a secretária.


Passando para as gavetas, que são quatro, na primeira guardo todo o material de escrita que não está nas canecas. Carimbos, washi-tape, mola, agrafos, furador, marcadores fluorescente e elásticos. Antes, podem não acreditar, mas eu tinha montes de canetas, lápis de colorir, entre outras coisas. O resultado? Doei tudo a uma escola aqui perto e a crianças que sabia que iam gostar! Na segunda gaveta tenho as coisas destinadas exclusivamente para o Projecto Cartas Cruzadas: envelopes, cadernos com moradas, postais, os chás para oferecer, selos. Aqui não é possível reduzir muito mais, mas se tiverem ideias, aceito!! Na terceira gaveta, tenho as três pastas que vos falei aqui com os diferentes tipos de documentos, lista telefónica, carregadores, e aparelhos electrónicos. (Aqui ainda tenho que mexer muito!) A quarta gaveta é o meu "depósito" de materiais para reciclar: envelopes antigos, folhas para fazer postais, o que eu vir que posso vir a utilizar (antes tinha caixas e caixas destes materiais, agora singo-me a uma gaveta! Bom, não é?)


Como disse no início ainda tenho muito que caminhar no que toca à minha secretária, mas acho que até não está mal de todo. O que acham? O maior conselho que vos dou é: se guardam as coisas sem nunca as usar: ou usem ou arranjem outro lugar! Por exemplo, eu tinha montes de caderninhos, guardei os que achei mais giro, o resto recortei e uso como etiquetas no Projecto Cartas Cruzadas. Se têm muitas coisas de escritório e não sabem que lhes fazer perguntem à vossa rede de contactos se as querem, vão-se impressionar com as respostas positivas, acreditem!

Finalizo assim os três post sobre a arrumação do meu quarto neste momento. Espero que tenham gostado! Qualquer comentário, dúvida ou sugestão estejam à vontade!

Um xi-♥, 
Mariana


Minimalismo

Um armário com alegria

quinta-feira, janeiro 19, 2017

"Does it Spark Joy?"


Depois de vos ter falado de como iniciei o meu "destralhe" do quarto, venho-vos contar como foi destralhar o meu armário. Mas antes tenho que partilhar com vocês a minha relação com as roupas. Como quase todas as adolescentes eu nunca fui grande fã do meu corpo e a minha maneira de lidar com isso era não mais, nem menos do que escondê-lo nas roupas mais largas e mais discretas que haviam (sim, eu usava a roupa do meu pai). Por isso quando comecei a olhar com olhos de ver para a minha roupa, mais do que ser um processo de destralhe foi também um processo de crescimento de auto-estima. As minhas roupas tinham que me inspirar alegria. Obriguei-me a escolher coisas que eu realmente gostava e que claro fosse confortavel na rua. Comecei isto há cinco anos, sensivelmente, mas o traço "discreto" das minhas roupas manteve-se. O ano passado foi o ano em que ocorreu o "boom", emagreci 10quilos e com isso foi muito mais fácil olhar para o meu corpo. Aliás, o grande feito foi passar de um 42 de calças para um 36. Fiz as pazes com a minha roupa. 

Este ano, com o livro da Marie, voltei a dar-lhes mais atenção e descobri coisas espantosas. Comecei por criar este album do pinterest onde coloquei todos os outfits que eu gostava de usar e tenho-os na cabeça quando vou às compras, assim passei a comprar só as coisas que me identificava e me faziam sentir gira. E foi também nesse album que me inspirei para fazer a selecção do meu armário. Então o critério é o seguinte: faz-me sentir gira? Fica. Uso regularmente? Fica. Está em bom estado? Fica. Se o resultado for sim para as três perguntas, taram! O meu armário está selecionado. Já agora as roupas que não ficaram não foram para o lixo, algumas foram doadas a instituições ou a pessoas que eu sabia que iam ficar felizes, algumas foram transformadas em panos para limpeza. O resultado final (após 10500 modificações) foi este:


Lado esquerdo: 
Parte de cima - Lençóis de Inverno (esta técnica para arrumar os lençóis é fantástica) e uma caixa com os lençóis e mantas de Verão. // Parte de baixo - Tenho todas as camisolas penduradas e organizadas por cores e texturas: casacos compridos, camisas, blusas, e casacos de malha. O mesmo em relação às calças, casacos. Tenho as malas de pano peduras numa cruzeta e as malas que não dão para pendurar no chão com jornais a encher (sim, sou uma mulher com poucas malas).

Lado direito:
Parte de cima - Caixa com as roupas de Verão. Dossiers de faculdade/trabalho/coisas pessoais. Tripé da máquina. (Coisas que quase nunca uso). Parte de baixo: Vestidos e caixa onde guardo as coisas de desporto. Lado direito: Bijuteria, caixas das cartas, montes de cadernos de recortes (demasiada alegria!!!!) e caixa de cartas à espera de serem respondida.


Gaveta nº1: O meu maior orgulho! A roupa interior. No livro da Marie ela diz que a nossa roupa interior e as meias tem que estar em perfeito bom estado, primeiro porque: é a primeira que vestimos no nosso dia-a-dia, está mais perto do coração e (salvo excepções) só nós é que vemos. Posto isto comecei a olhar melhor para a minha lingerie, para as minhas meias e até para as minhas cuecas. Fiz uma revisão a pente fino e deixei só ficar aquelas que me faziam sentir: sexy, fofa e gira. Não há espaço para me sentir de outra forma. No livro aconselham também a dispor esta parte do nosso vestuário da forma que achamos mais bonita. Eu encontrei estas caixas cá em casa (que hão-de ser decoradas) e achei que assim a minha gaveta parecia uma montra da intimissimi. Aquela caixa que vêm é a caixa de um relógio que o N. me ofereceu e eu acho linda demais para estar guardada, então uso-a para guardar as minhas "cuequinhas especiais". Também aqui guardo as minhas écharpes (que amo do fundo do coração).

Gaveta nº2: Pijamas e cachecóis. A gaveta mais fofinha e confortavel do meu armário (fico feliz só de olhar para os meus pijamas!) Dobrei tudo usando o Método KonMari que ela explica no livro e realmente poupei muito mais espaço e visualmente é muito mais fácil escolher qual quero usar.

Gaveta nº3: Roupa de Desporto. Aqui vocês vão pensar: "Epá, ela é mesmo desportista". Não sou. Mas tenho montes de roupa para desporto/yoga. Assim guardado, com o método KonMari é mesmo fácil escolher qual é a cor que quero usar para a aula ou para a caminhada. Esta gaveta foi aquela que beneficiou sem dúvida alguma da leitura deste livro.

Gaveta nº4: Roupa para usar em casa. Sim, eu tenho uma gaveta destinada a isto. Aquela roupa que já não está boa para usar fora de casa mas que é super confortável e dá mesmo jeito quando passo uma tarde na cozinha, no jardim ou na horta. Quem tem uma casa com quintal provavelmente vai reconhecer que ter esta gaveta dá mesmo mesmo jeito. Não abdico dela por nada!

Bem este post foi mais longo do que aquilo que eu estava à espera! Mas espero ter ajudado a quem está neste processo de destralhe. Mais uma vez digo, o importante é destralharem à vossa maneira, da forma como vos faz feliz e mantendo aquilo que vos faz sentido. Esta é a minha forma e claro que ela vai mudar, porque estamos em constante aprendizagem. Mas para já, esta é a ideal para mim. Obrigada pela companhia!


{No próximo post vou-vos falar de como organizei a minha secretária}

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Minimalismo

Um quarto com alegria

sexta-feira, janeiro 13, 2017

"Rodeia-te das coisas que amas. 
Dispensa o resto."



Percebo que a vida é mesmo uma jornada sem fim, cada vez que volto a escrever sobre arrumação. Os meus pais vão dizer que estou obcecada com isto, eu digo antes que estou apaixonada. Apaixonei-me por ter as coisas em ordem e acima de tudo, por as coisas me fazerem sentir bem. Esta paixão não é nova mas a verdade é que se acentuou assim que li o livro "Alegria" da Marie Kondo. Nunca li o primeiro livro (apesar de já me terem dito que é o melhor) mas este segundo cativou-me de uma forma intensa. Não o consegui parar de ler e muito mais do que o meu quarto ter sofrido alterações, toda a minha vida e especialmente o meu coração sofreram.

Para quem não sabe, a Marie Kondo desafia-nos a destralhar tendo por base a alegria que as coisas nos transmitem. O que já por si é um desafio e pêras. Sabem aquela blusa que a tia vos deu mas não nunca usaram e nunca gostaram? Ela desafia-nos a retirar essa peça da nossa vida. Ou aquele livro que nunca vamos ler e que nos lembra pessoas que não gostamos? Mais um desafio. E aquela roupa interior que só de olhar para ela nos dá pena de nós mesmos? Exactamente isso também vai para fora da nossa vida. Basicamente ela desafia-nos a retirar todas as coisas materiais da nossa vida que não nos inspirem alegria. A partir do momento em que li esse conceito, abraçei-o e vou sincera: pensei que fosse muito mais fácil. Achei que já fazia essa selecção mas estava completamente enganada. Nos próximos três post vou-vos contar como destralhei diferentes partes do meu quarto. É só irem acompanhando, vamos a isso?




Hoje vou-vos falar essencialmente do que aconteceu no meu quarto e na minha mente. A primeira coisa que notei logo foi olhar para as coisas e perceber aquilo que me fazem sentir. Apercebi-me que tinha coisas há anos sem saber porquê e que não me transmitiam nada. E, apatia, meus caros, é das piores coisas para sentir. A primeira grande mudança do meu quarto foi: retirei a estante!!! Não tínhamos estante na sala então fizemos a troca. Antes disso seleccionei os livros que realmente queria manter, todos os os outros doei a amigos e à biblioteca municipal. Só esta mudança já acrescentou imensa luz ao meu quarto. E eu sou fã de sítios com luz. Os únicos livros que mantenho no meu quarto (que estão ali na mesinha de cabeceira) são livros sobre meditação, chás... coisas que às vezes gosto de ler antes de dormir. 

Outra coisa que descobri também, é que apesar de adorar o conceito de decoração minimalista existem coisas que ainda não quero deixar ir. Como a vela em forma de coração que a minha mãe me deu, o meu mini-bule de ferro, as minhas velas, o meu anjo da guarda feito especialmente para mim com girassóis, o meu buda, entre outras. São coisas que só de olhar para elas o meu dia fica mais colorido, a minha casa mais quente, o meu coração aconchegado e isso são as coisas que realmente quero manter na minha vida.



A mobília do meu quarto é muito antiga (tem a mesma idade que eu) por isso não está de acordo com os meus gostos, quem sabe um dia não a pinto de branco! Para já aproveitar os elementos decorativos para "clarear" o ambiente parece-me uma boa solução. Ah, adoptei uma coisa que se chama "lugar para o telemóvel". Admito que sou uma viciada no telemóvel, especialmente à noite, então uso aquela caixinha que me deram (e eu adoro) para pousar o telemóvel antes de ir dormir ou para quando estou a estudar. Vamos lá ver se funciona! 

Esta caminhada está a fazer-me entender o quão é importante escolhermos as coisas que gostamos e que nos fazem sentido para rodear o nosso dia e isso não só se aplica às coisas materiais. Passando para fora do "destralhe" aplica-se também às pessoas, aos sítios, às rotinas. Mantém o que te faz feliz, enquanto possível, e vais ver como a forma de olhares para  a vida e de a viveres muda. (E cá está uma grande lição: aprender a dizer que não e a deixar ir. Não somos nenhum contentor que deve aceitar tudo). Quem concorda?

Um xi-♥, 
Mariana.

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